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Em defesa do projecto cultural dos Artistas Unidos

Para: Exmo. Sr. Reitor da Universidade de Lisboa

Exmo. Sr. Reitor da Universidade de Lisboa
Professor Doutor António Cruz Serra,


Foi com muita apreensão que soubemos que a Universidade de Lisboa dá por terminado o contrato que permitiu a actividade dos Artistas Unidos no Teatro da Politécnica, pondo fim a um percurso de três anos em que a companhia transformou um espaço abandonado numa das referências culturais da cidade. Essa revelação é particularmente inesperada por recordarmos que as longas negociações para a cedência deste espaço pela Universidade de Lisboa foram então minuciosamente acompanhadas pelo Ministério da Cultura, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Câmara Municipal de Lisboa, que apostaram no Teatro da Politécnica para este fim específico, acreditando num projecto cujas expectativas nos parecem ter sido até excedidas pela companhia.

Estranhamos que o argumento para a cessação do contrato seja o atraso nos pagamentos do valor de arrendamento – aliás muito elevado comparativamente a casos similares. Para além da desconsideração pelo investimento financeiro que os Artistas Unidos fizeram, muito superior aos valores em atraso e que inclui não só obras de reabilitação mas também diversas obras de reparação, não compreendemos como, desde Junho de 2013, não foi possível chegar a um compromisso quanto ao plano de pagamentos com que os Artistas Unidos pretendem liquidar os valores em falta. Acresce a isto o conhecimento atempado que a Universidade de Lisboa teve do motivo pelo qual surgiram dificuldades: os avultados cortes imprevistos no financiamento por parte da Direcção-Geral das Artes, que é agora cerca de metade do que era aquando da assinatura do contrato, e cujo valor inicial serviu de referência à fixação da renda. Compreenderíamos talvez esta postura se para a Universidade de Lisboa, no difícil quadro económico em que vivemos, os valores em causa fossem elevados – mas claramente não é o caso.

Não deixa de causar perplexidade que o concurso que a Universidade de Lisboa tenciona abrir em breve para a concessão do Teatro da Politécnica, com o qual diz defender o interesse público, tenha como único critério de decisão o valor de renda proposto pelos concorrentes, sem que o projecto ou o historial seja tido em conta, apesar do espaço ser destinado a actividade teatral.

Nós, espectadores, artistas, produtores, programadores ou simplesmente cidadãos que reconhecem na cultura uma dimensão maior da nossa vida em sociedade, sentimo-nos ameaçados por mais uma terrível perda num tempo de destruição da cultura nacional. Nesse sentido, seria importante que Universidade de Lisboa tratasse a companhia como um verdadeiro parceiro, não desistindo tão facilmente de um espaço de cultura e de cidadania, não limitando as actividades, que vão muito para além da produção teatral própria dos Artistas Unidos, e evitando a asfixia de um projecto com múltiplas valências que o tornam indispensável na cultura portuguesa.

Não é demasiado tarde e é esse ponto que sublinhamos e de que partimos para um apelo lógico: que se dê uma oportunidade a um compromisso de onde todos – universidade, companhia e cidadãos – podem sair vencedores; que se faça da renovação do contrato com os Artistas Unidos uma prioridade, para que se mantenha o Teatro da Politécnica como o imprescindível espaço de cultura que se tornou, onde criação, divulgação e formação coexistem, cumprindo uma luta que se espera ser também a de uma instituição universitária. Que não se desfaça por tão pouco o que tão exemplarmente se construiu.

1. Alfredo Martins (actor e encenador)
2. Américo Rodrigues (programador cultural)
3. Ana Amaral (actriz)
4. Ana Valentim (actriz)
5. Ana Vieira (artista plástica)
6. Augusto M. Seabra (programador cultural e ensaísta)
7. Bernardo de Almeida (actor)
8. Bruno Béu (investigador do Centro de Filosofia da UL)
9. Bruno Bravo (encenador)
10. Catarina Campos Costa (actriz)
11. Cláudia Gaiolas (encenadora e actriz)
12. Cláudia Galhós (jornalista cultural e escritora)
13. Custódia Gallego (actriz)
14. Daniel Blaufuks (artista plástico)
15. Diana Costa e Silva (actriz)
16. Dolores de Matos (directora do FIAR)
17. Edgar Pêra (realizador)
18. Eduardo Pitta (escritor)
19. Elmano Sancho (actor)
20. Filomena Cautela (actriz)
21. Francisco Frazão (programador de teatro)
22. Gastão Cruz (poeta e crítico literário)
23. Hélia Correia (escritora)
24. Isabel Castelão Rodrigues (socióloga)
25. Jacinto Lucas Pires (escritor)
26. Jaime Rocha (dramaturgo)
27. Joana Diniz (administrativa)
28. Joana Manuel (actriz)
29. João Barrento (ensaísta)
30. João Costa Dias (jornalista)
31. João Salaviza (realizador)
32. João Tabarra (artista)
33. John Romão (actor e encenador)
34. Jorge Louraço (dramaturgo)
35. José Leite (actor)
36. José Luís Ferreira (gestor das artes)
37. Judite Dias (actriz)
38. Katrin Kaasa (actriz)
39. Lia Gama (actriz)
40. Luís Inocentes (empresário)
41. Luís Miguel Oliveira (crítico e programador de cinema)
42. Magda Bizarro (produtora da Mundo Perfeito)
43. Manuel Graça Dias (arquitecto)
44. Manuel Gusmão (professor catedrático aposentado da UL, poeta e ensaísta)
45. Marco Roque Antunes (arquitecto)
46. Márcia Cardoso (actriz)
47. Maria Filomena Molder (professora catedrática aposentada da UNL e escritora)
48. Maria Schiappa (directora de comunicação da Trienal de Arquitectura de Lisboa)
49. Mariana Norton (actriz)
50. Marta Guimarães Inocentes (actriz)
51. Miguel Castro Caldas (escritor)
52. Miguel Loureiro (actor e encenador)
53. Miguel Seabra (director do Teatro Meridional)
54. Mónica Calle (actriz e encenadora)
55. Mónica Talina (actriz)
56. Nuno Filipe Fonseca (actor e músico)
57. Olga Roriz (coreógrafa e bailarina, directora da Companhia Olga Roriz)
58. Patrícia Andrade (actriz)
59. Pedro Borges (produtor de cinema)
60. Pedro Frois Meneses (designer)
61. Pedro Gil (actor)
62. Pedro Jordão (arquitecto)
63. Pedro Zegre Penim (director artístico do Teatro Praga)
64. Renata Portas (directora artística da Público Reservado)
65. Ricardo Neves-Neves (actor)
66. Rui Catalão (artista e escritor)
67. Samuel Rama (artista plástico)
68. Sara Costa (actriz)
69. Sérgio Godinho (músico)
70. Sílvio Vieira (actor)
71. Thierry ferreira (artista visual)
72. Tiago Mota Saraiva (arquitecto)
73. Vasco Pimentel (director de som)
74. Victor Gonçalves (actor)



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