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Por mais Saúde Mental em Portugal

Para: Ex. Senhor Presidente da Assembleia da República

Dirijo-me a sua excelência, em nome de milhares de portugueses mas, antes demais, deixe-me apresentar.
Chamo-me João, tenho 29 anos de idade e há 12 que sofro de uma perturbação de ansiedade generalizada. Sabe o que é? Provavelmente não. Eu terei todo o gosto em explicar-lhe.
É uma doença do foro mental que se repercute em consequências físicas como dores muito fortes em qualquer parte do corpo, vómitos, perda de força nos membros, tonturas, falta de ar ou, em casos mais graves, até cegueira temporária. Posso-lhe dizer que já rachei a cabeça, já fiz uma protusão lombar e torci um pé que ficou preso entre uma pá de um empilhador e uma palete de ferro e, essas dores não passaram de meras cócegas quando comparadas às anteriormente descritas. Mas vamos falar um bocadinho de saúde mental em Portugal, sim?
O nosso País tem uma taxa de suicídios acima da média global. Creio que o excelentíssimo senhor, não acredite que, foi apenas por ter um dia mau no emprego que leva pessoas a chegar a este extremo.
O anterior Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes ,no último dia 10 de Outubro, admitiu, a propósito do Dia da Saúde Mental que “Portugal está muito atrasado na área da saúde mental” e que “tem sido uma área esquecida, negligenciada, pouco visível e onde os cidadãos têm ainda poucas respostas”. Permita-me que lhe pergunte, sabe quantos dias se manteve o antigo ministro no cargo após estas declarações? Eu respondo-lhe, não é necessário pesquisar … 4! 4 dias!
Num País e sobretudo numa legislatura em que se tem passado na Assembleia leis para os chamados “lobbyes menores”, num País onde se discute se homens podem ou não usar collants, onde se pode mudar de sexo aos 16 anos porque “os jovens não merecem sofrer por nascer no corpo errado”, deixe-me que lhe pergunte … e quem sofre de uma perturbação do foro mental, merece viver preso dentro de si mesmo sem ter um acompanhamento digno? Merece ser evaporado da sociedade moderna que pretendemos criar, como um bobo da corte?
Antes demais, permita-me esclarecer que nada tenho contra “lobbyes menores” mas a saúde mental em Portugal não é nem um “lobby menor”, nem uma área de extrema importância para o País. A preocupação do nosso País com portadores de doenças do foro mental é um fantasma inexistente.
Não deixa também de ser deveras curioso que, em enormes debates sobre as listas de espera para consultas de especialidade que tive oportunidade de ver, seja sempre referida a área da cardiologia, da pneumologia, da urologia, estomatologia e até de pedologia mas nunca, nunca ouvi nenhum dos senhores que me representa enquanto português referir as listas de espera para uma consulta na área da psiquiatria. Eu dou-lhe os meus números.
Em Maio de 2015 tive uma consulta de psiquiatria hospitalar e, desde esse dia, passaram 1380 dias, 197 semanas, 45 meses ou quase 4 anos, como preferir. Será que há alguma noção em Portugal do que significaria tomar um anti-depressivo, o mesmo anti-depressivo, durante todo este tempo? Não, não há.
Sabe Senhor Presidente, eu tenho 29 anos mas não consigo ter um emprego estável pois, não me posso dar ao luxo de pedir 30 minutos para me deitar no chão de uma casa de banho, com um comprimido debaixo da língua, tendo a sensação de um enfarte cinco ou seis vezes por dia numa chamada crise de pânico, que ocorre frequentemente no meu dia a dia. Ninguém me contrata devido à minha condição de saúde, vendo-me obrigado na plenitude da minha juventude a viver quase de caridade familiar.
Sabe Senhor Presidente, eu tenho uma irmã pequena com quem adorava brincar e passar mais tempo, mas não passo e sabe porquê? Porque é impossível brincar com uma criança quando se tem dores físicas tão fortes que, por vezes, levam o vizinho a deslocar-se a minha casa perguntando se está tudo bem, por ouvir os meus gemidos incessantes de casa dele.
Sabe Senhor Presidente, é penoso ver criminosos serem condenados apenas a um tratamentos psiquiátrico. Às vezes faz-me pensar se, caso eu fizesse mal ao próximo, talvez o meu País se lembrasse da minha existência.
Mas, sabe o que é mais grave Senhor Presidente? É em pleno ano de 2019, existirem pessoas com pânico de procurarem ajuda, vítimas do medo da discriminação social de que vão ser alvo. E não, não é uma efabulação! Sou blogger, onde já expus o meu problema de saúde e, recebo mensagens de centenas de pessoas, que dizem sentir pânico em que se saiba publicamente que sofrem de uma enfermidade do foro mental. Como é que isto é possível num País supostamente tão avançado como o nosso?
Mais uma vez, respondo-lhe, porque este País não quer saber da saúde mental, dos seus doentes, das suas necessidades, do seu sofrimento e do seu futuro. Este País está-se nas tintas para quem vive na escuridão profunda e não tem hipóteses de procurar vislumbrar uma luz. Num país como Portugal onde se tenta combater ( e bem) o racismo, a homofobia, os maus tratos aos animais, com campanhas financiadas pelo Estado, não se faz o mínimo de sensibilização para portadores de doença mental. Se essa sensibilização fosse feita, talvez algumas pessoas não tivessem vergonha de procurar ajuda antes de cometerem crimes absolutamente hediondos, pois ao os cometerem, parte dela sabe perfeitamente que não está na plenitude das suas faculdades mentais.
Sei que já me alonguei em demasia, mas há outro aspeto da minha vida que devo partilhar com Vossa Excelência. Apesar de ter direito ao RSI, nunca dele fiz proveito, porque os portugueses não têm culpa de eu ter ficado doente e, dessa forma, sustentar-me minimamente. Tudo isto para lhe dizer, que apesar de “possivelmente” maluquinho, ainda vive em mim o bom senso que não vive nos donos deste País, os senhores da banca. Os responsáveis por termos recursos tão escassos no nosso SNS e que a justiça nada faz para os travar. Deixo-lhe aqui, as minhas exigências como cidadão que se preocupa consigo mesmo, com o seu povo e com o estado lastimável a que chegou a Saúde Mental no nosso cantinho putrido pela corrupção.

- Reforço imediato de em pelo menos 20 psicólogos por cada 100 mil portugueses ao invés dos 2,5 atuais.

- Lista de espera para primeira consulta de psiquiatria hospitalar nunca superior a 3 meses e nunca superior a um mês de consulta em consulta durante o acompanhamento até à alta.

- Contratação de 1 psicólogo por cada Unidade de Saúde Familiar ao custo máximo de 10 euros de taxa moderadora por consulta de forma a que a saúde mental esteja à disposição de todos os portugueses e não apenas dos portugueses de classe média/alta

- Instituição da psicoterapia como método de tratamento em área hospitalar de forma séria e não desrespeitando as datas de espera absolutamente inadmissíveis entre consultas praticadas atualmente que transformam a psicoterapia num método ineficaz e, da forma que é praticada, inexistente

- Realização de campanhas de sensibilização públicas a favor da discriminação das vítimas de perturbação do foro mental.

Peço desculpa se fui pouco ortodoxo nas minhas palavras, acredite, não estou maluquinho, pelo menos para já. Mas, ou Portugal passa a ter respeito pelo seu povo ou seguir-se-á uma greve de fome às portas da Casa da Nação.. Sabe porquê? Porque apesar de acreditar na democracia, prefiro morrer a lutar … a continuar a viver de joelhos.

Com os melhores cumprimentos.






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