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Racismo: Queremos um ensino da História de Portugal menos romantizado e mais inclusivo

Para: Exmo. Sr. Primeiro Ministro; Exmo. Sr. Ministro da Educação; Assembleia da República;

A palavra "racismo" tem preenchido as nossas conversas neste início de 2020, mas não é de agora. Conjecturam-se soluções e quase todas elas -- talvez as mais esclarecidas -- frisam a necessidade de uma melhor educação/formação nas escolas. Esse ensino mais inclusivo e esclarecido tem de passar pela inclusão, nos manuais escolares e nas aulas, de matérias que contem a totalidade da História de Portugal e do Mundo. Não podemos simplesmente dizer que o nosso país "deu mundos ao mundo".
Joseph C. Miller, historiador, respondeu ao jornal Expresso, em 2018, que "sem a História, as ansiedades da ignorância só se acumulam até explodirem". Esta entrevista surge após o apelo feito pela Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância, organismo do Conselho da Europa. De acordo com este organismo, o ensino da História “deveria englobar o papel que Portugal desempenhou no desenvolvimento e, mais tarde, na abolição da escravatura, assim como a discriminação e a violência cometidas contra os povos indígenas”. Joseph C. Miller, historiador americano, acrescenta ainda que "o racismo surge quando estranhos se rejeitam, cada um ignorando o outro. O racismo depende da preservação da ignorância e da confiança em estereótipos desatualizados, criados para depreciar estranhos, vistos com cautela porque são desconhecidos, ou melhor, conhecidos erroneamente apenas como visões imaginárias de mentes desinformadas e medrosas. A única maneira de seguir adiante é que todos aprendam o máximo possível uns sobre os outros e o ensino da História, constantemente renovado, impulsiona-nos ao longo desse caminho rochoso".
Porém, por cá também somos capazes de olhar para dentro. As investigadoras Marta Araújo e Sílvia Maeso, do Centro de Estudos Sociais, concluíram já em 2017 que "persiste nos manuais a narrativa de que fomos bons colonizadores". Transcrevo aqui um parágrafo da reportagem escrita por Fernanda Câncio no Diário de Notícias a 1 de maio de 2017: Os Portugueses traziam de África ouro, escravos, marfim e malaguetas - produtos de grande valor." A frase está num manual atual do 6.º ano. É mesmo assim, como "produtos", sem qualquer referência adicional, e sem se tratar de uma citação de época, que as pessoas escravizadas são descritas num livro para crianças de 10 anos.
Os exemplos são inúmeros e repetem-se ano após ano nos manuais e nas salas de aula. Num país onde já nascem segundas e terceiras gerações de pessoas de pele negra, num país de pontes bem abertas para os PALOP, temos de querer abolir a intolerância com educação.
Com esta petição pretendo que o Ministério da Educação repense os manuais escolares desde o ensino primário, nomeadamente nas matérias de História. Que estes incluam a História toda, respondam às dúvidas de todas as crianças de todas as cores e proveniências e assim ajudem a que a próxima geração seja melhor que esta. Mais esclarecida, tolerante e unida para lutar contra as desigualdades que persistem (não só entre pessoas de cor de pele diferente).
Escreve Grada Kilomba no seu livro "Memórias da Plantação", e citando bell hooks, que "Não podemos simplesmente opor-nos ao racismo porque nesse espaço vazio que surge depois de nos opormos e resistirmos, «ainda é necessário devirmos para nos refazermos»(hooks, 1990:15)". Preenchamos este espaço vazio, Sr. Ministro da Educação, Sr. Primeiro Ministro.



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