Despoluir o Rio Leça (e suas margens)
Para: Área Metropolitana do Porto (AMPorto), Autarcas dos Concelhos de Santo Tirso, Valongo, Maia e Matosinhos (e respetivos presidentes de Juntas de Freguesia), Governo de Portugal, Partidos Políticos com assento na Assembleia da República, Agência Portuguesa do Ambiente, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Reserva Ecológica Nacional (REN), Querqus,
Com esta petição, os signatários usando da faculdade que lhes confere o artigo 52º da Constituição da Republica Portuguesa, vêm solicitar uma rápida intervenção nos ecossistemas aquáticos e terrestres, no sentido de promover a limpeza e despoluição do Rio Leça e das suas margens. O Rio Leça é um complexo ecossistema em processo de degradação, pelo que é necessária uma discussão seria e profunda sobre os problemas que a afetam. Para isso será fundamental o envolvimento dos autarcas e presidentes de juntas de freguesias por onde passa o referido Rio Leça (numa primeira instância), das diferentes instituições ligadas ao ambiente e ao ecossistema terrestre, da Assembleia da República, do Governo de Portugal, de cientistas e investigadores de várias áreas, bem como o envolvimento de industriais, anónimos e população em geral.
Procuramos que seja melhorada a qualidade ecológica do Rio Leça e das suas margens, para que o “Leça” seja devolvido às pessoas de uma forma limpa e “saudável”.
Começamos por fazer um breve resumo sobre o Rio Leça:
• Nasce: Monte de Santa Luzia (Monte Córdova), em Santo Tirso, a uma altitude de 475m (aprox.).
• Concelhos por onde passa (desde a nascente à foz): Santo Tirso (freguesias de Monte Córdova, Refojos, Reguenga, Agrela e Água Longa), Valongo (freguesias de Alfena e Ermesinde), Maia (freguesias de Águas Santas, Milheirós, Gueifães, Maia e Moreira), Matosinhos (freguesias de S. Mamede de Infesta, Leça do Balio, Custóias, Santa Cruz do Bispo, Guifões, Matosinhos e Leça da Palmeira)
• Desagua: Leça da Palmeira, no Porto de Leixões (Oceano Atlântico).
• Extensão do Rio Leça: cerca de 47 Km.
Consultando a informação da Câmara Municipal de Matosinhos (CMM) são várias as teorias sobre a origem do nome “Leça”. Escreve a CMM que “nos escritos antigos aparecem vários nomes, nomeadamente, Lethes, Celando e Letitia. O rio Lethes é na mitologia considerado como o rio do esquecimento. Para alguns autores este rio corria nas proximidades de Tártaro, ou seja, no lugar mais profundo do inferno; para outros, corria na extremidade ou no centro dos Campos Elíseos, lugares deliciosos iluminados por um sol especial e rodeados de bosques de roseiras e mirtos. Quem bebesse da água deste rio esqueceria todos os males da vida e reencontrava o bem-estar e toda a alegria da Terra.” Independentemente da teoria que possamos conhecer ou acreditar, o que sabemos é que hoje o rio Leça mora no “Lethes” ou no “esquecimento” das populações, dos autarcas e dos demais políticos nacionais. Hoje também sabemos que a água do Rio é imprópria para qualquer tipo de atividade (banhos, consumo, rega, etc.) dada a sua poluição. O rio Leça está inserido numa zona fortemente industrializada, que atravessa diversos concelhos e freguesias, sofrendo não só com a industria, mas também com o forte aglomerado populacional dos concelhos que atravessa.
Infelizmente, somente na nascente do rio é possível vislumbrar a riqueza das águas cristalinas. Não fosse as paisagens maravilhosas ao longo de todo o percurso florestal, que nos faz esquecer os odores, o lixo e a poluição do rio (e suas margens), e efetivamente estaríamos perante “locais sem interesse”. Não podemos, contudo, ignorar os diferentes locais históricos ao longo do Rio Leça, como a Ponte da Pedra (S. Mamede Infesta), Ponte de D. Goimil (Custóias), Ponte do Carro e Castro de Guifões (Guifões), Ponte dos Ronfes (Leça do Balio), entre muitos outros, que afastam qualquer desinteresse por estas margens e por este rio. Noutros tempos, o Rio Leça, era um local agradável onde se passeava e pescava, agora e apesar de algumas iniciativas (e.g. Trilhos Vale do Leça promovidos pela União de Freguesias de Custóias, Leça do Balio e Guifões em parceira com a Funevents; os percursos do Vale do Leça devidamente marcados pelo município de Santo Tirso, que permitem percursos pedestres e desportos como o BTT e a orientação) pouco ou nada mais existe…
Existiram, apesar de tudo, diversos projetos que foram realizados por diversas entidades, projetos esses quase todos financiados, que de facto pouco ou nada fizeram alterar a realidade atual do rio Leça. Relembremos a notícia do JN de 03/10/2009, por exemplo: http://www.jn.pt/local/noticias/porto/valongo/interior/rio-leca-recupera-lentamente-1379485.html . Podíamos perfeitamente realçar igualmente outras noticias, que aparentemente não saíram do papel, sendo somente promessas politicas: http://www.esquerda.net/artigo/candidaturas-do-bloco-de-matosinhos-valongo-e-maia-apresentam-propostas-para-o-rio-le%C3%A7a/29534
Embora no passado dia 16/11/2016 tenha sido aprovado por unanimidade o “Acordo de Cooperação para o “Plano Intermunicipal para a Recuperação do Rio Leça”, entre a Área Metropolitana do Porto e os Municípios abrangidos pela bacia hidrográfica do Rio Leça”, a verdade é que continuamos a ver o rio no estado que a imagem anexa demonstra. Mais do que acordos procuramos soluções eficazes para um problema que tem décadas.
De facto, consideramos que têm existido vários projetos, mas nenhum foi capaz de “tratar o todo” e somente a parte. Quer isto dizer, que um projeto tratou as espécies, outro a limpeza das margens, etc., contudo, nenhum tratou/explorou o problema da nascente à foz, num projeto multi, inter e transdisciplinar que fosse capaz de dar uma resposta cabal aos vários problemas do Rio Leça.
Face ao exposto, solicitamos uma rápida e eficaz intervenção na limpeza e despoluição do Rio Leça e suas margens.
Neste sentido, temos a certeza de que o nosso pedido será atendido, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos e deixamos à disposição de todos quantos sintam necessidade, a possibilidade de assinarem esta petição.
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Assinaram a petição
122
Pessoas
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