CARTA-ABAIXO-ASSINADO EM DEFESA DO BAIRRO DA CRUZ VERMELHA – LUMIAR E DE APOIO À SUA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES
Para: Este baixo assinado é atingido a quem acha que uma associação de moradores é importante para os moradores do bairro
Nós, abaixo-assinados – moradores, ex-moradores, descendentes, cidadãos solidários, ativistas, técnicos, investigadores e demais membros da comunidade – vimos, por este meio, declarar publicamente o nosso apoio à Associação de Moradores do Bairro da Cruz Vermelha, na freguesia do Lumiar, bem como à defesa da permanência e valorização deste território histórico e comunitário da cidade de Lisboa.
O Bairro da Cruz Vermelha nasceu, em 1963, de um gesto de coragem e solidariedade levado a cabo por seis mulheres da Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa, em resposta a um incêndio que destruiu 14 barracas na Quinta da Feiteira. Estas mulheres – conhecidas como as “seis Marias” – mobilizaram uma campanha nacional que resultou na construção de casas dignas para dezenas de famílias, com o apoio de empresas, da sociedade civil e da própria Câmara Municipal de Lisboa.
Este bairro não é apenas um conjunto de edifícios. É um símbolo de humanidade, de luta e de resistência. São décadas de vida comunitária, de memórias, de afetos, de raízes. É parte da história social da cidade, que não pode ser apagada nem substituída por interesses de especulação imobiliária.
Desde 2024, o bairro conta com uma nova direção da Associação de Moradores, composta por jovens do próprio território. Apesar dos poucos recursos e da falta de apoio institucional, esta direção tem demonstrado um compromisso firme na defesa da comunidade, lutando por melhores condições de vida, habitação digna e pelo reconhecimento da existência do bairro.
A Associação de Moradores tem sido uma força essencial na mediação de conflitos, apoio a famílias em situações de emergência e organização de ações para o bem-estar coletivo. Negar a sua legitimidade é, na prática, negar o direito à organização comunitária, à memória e à cidadania ativa.
Assim, declaramos o seguinte:
Rejeitamos qualquer tentativa de deslegitimar ou apagar o Bairro da Cruz Vermelha do mapa urbano ou da memória coletiva da cidade de Lisboa;
Exigimos o reconhecimento formal da existência e do valor histórico, social e simbólico do Bairro da Cruz Vermelha por parte da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia do Lumiar;
Reconhecemos e apoiamos o trabalho fundamental da atual direção da Associação de Moradores, composta por jovens do bairro comprometidos com a sua comunidade;
Defendemos o direito dos moradores à permanência, à habitação digna e à representatividade comunitária;
Afirmamos que a destruição do bairro ou a negação da sua existência constitui um atentado à memória, à justiça social e ao direito à cidade.
O Bairro da Cruz Vermelha é feito de pessoas, histórias e lutas que não se apagam. Preservá-lo é um dever de todos nós.
Para quem não conhece a história do bairro da Cruz vermelha Lumiar
Basta pesquisar as seis senhoras da cruz vermelha portuguesa
E é um crime apagarem a estória destas mulheres .
Associação de moradores do bairro da Cruz vermelha Lumiar .