Reintegração ou novo emprego para o Nuno Damas
Para: Metálicos, metaleiros, seres humanos
O Nuno foi despedido. E isso é de uma injustiça tremenda.
Outrora segurança da empresa Powershield, que o dispensou ontem, três de Agosto de 2024, o Nuno tem sido imagem de marca do Vagos Metal Fest e um membro da enorme família que é esse festival, assim como de toda a comunidade do metal português.
Não é nenhum desconhecido. Lembro-me da edição de 2018. Num ambiente de cordialidade ímpar, o Nuno, sem nunca descurar a sua actividade, que desempenhava com o maior profissionalismo, foi convidado a juntar-se à festa calorosa do Vagos Metal Fest. Com uma simpática relutância, juntou-se, e fez algo que ninguém esperava de um segurança: "crowd surfing".
Para os menos conhecedores, o crowd surfing consiste em alguém, durante um qualquer evento público, nomeadamente um concerto, se deixar levantar pelos demais, e navegar (ou "surfar", daí o nome) num mar de gente. Essa gente carrega, ou passa de braços em braços, a pessoa, até que esta vai desaguar junto do palco, onde aguardam seguranças que, paciente e simpaticamente, poisam no chão, com toda a gentileza, o "crowd surfer". O Nuno também fazia isso, agarrar e poisar gentilmente pessoas, e fazia-o sempre com um sorriso, sempre com uma simpatia imensa. Dezenas, centenas de vezes, agarrava pessoas, pesos, suores. A certa altura, alguém lhe disse que fizesse ele o mesmo, que fosse voar um pouco por cima do público, que o merecia. Afinal, o ambiente era de amizade, um encontro de família, sem a mínima ameça de conflito. Por isso, creio eu, o Nuno aceitou. Passou, com isso, a ser uma figura muito querida do festival. Todos os anos, tirando os da malfadada Covid, lá estava ele, com uma simpatia que não deixava para trás o seu eterno profissionalismo; o Nuno tornou-se um amigo, um membro da família. Dava e recebia cumprimentos, sempre com muita humildade e candura. Quem o visse sabia quem ele era. O Nuno tornou-se um marco obrigatório do festival, e nunca me pareceu que colegas ou chefia colocassem algum entrave a isso. Até ontem.
Vá-se lá saber o que mudou. Por causa dessa interacção calorosa, de ser "um de nós", de ser um amigo, foi dispensado das suas funções. E ele não merece isso. É humano, é amigo, mas sempre foi um profissional.
Pedimos, pois, que seja reintegrado na empresa onde tão competentemente desempenhava as suas funções ou, pelo menos, que esta petição sirva o propósito de chamar à atenção qualquer outra empresa do ramo que, certamente, só beneficiará em ter o Nuno Damas como seu colaborador. Pedimos também à organização do Vagos Metal Fest que, para a próxima edição, se for possível,
opte por contratar a empresa que quiser ter a honra da presença do Nuno.
Porque ele merece.