Petição para reconhecimento do Desgaste Rápido na profissão de Tripulante de Cabine
Para: Assembleia da República
Vamos uma vez mais, tentar com que os nossos governantes percebam a exigência física/especificidade inerentes à profissão de tripulante de cabine. Que nunca poderá ser comparada a outra actividade profissional como sendo a de um carteiro ou de um operador de call center, por exemplo, (como já aconteceu em plena Assembleia da República) sem menosprezar todas as outras ou estas que mencionamos.
Um tripulante de cabine é sujeito a diferenciais de pressão no seu local de trabalho (causam barotraumatismos - perfuração da membrana do tímpano - e produzem efeitos duradouros ou até mesmo crónicos de perda total ou parcial de audição);
Um tripulante de cabine é sujeito a elevados níveis de radiação (tanto pela radiação que existe a 30mil pés ou mais, como pela quantidade de vezes que passa no raio x) e de vibração;
Um tripulante de cabine trabalha num ambiente com ar rarefeito e com níveis de oxigénio abaixo do normal;
Um tripulante de cabine tem de dormir de noite a uma segunda-feira, e no dia seguinte, dormir de dia para fazer um voo nocturno;
Um tripulante de cabine é sujeito a diversas forças gravitacionais que podem muitas vezes piorar a postura e causar problemas cervicais;
Um tripulante de cabine é sujeito às mais diversas temperaturas, níveis diferentes de humidade (rondam os 8 e os 16%, bem abaixo dos valores de 40-70%, recomendados pela OMS) e de ruído e um alto grau de toxicidade (presença de vapores e gases tóxicos, de poeiras e fumos) num só dia;
Um tripulante de cabine alimenta-se à base de comida congelada e processada e come o mesmo menu de 5pratos diferentes, durante um período de um ano, ou mais;
Um tripulante de cabine faz idas e voltas de voos de 4/5horas para cada lado e não pode apresentar cansaço nem jet lag, como qualquer um dos mais comuns passageiro;
Aliado a tudo isto…um tripulante de cabine prescinde muito da sua vida pessoal/familiar e perde a maior parte dos eventos familiares/sociais para que os seus clientes não tenham de o fazer. Desgastando-o psicologicamente.
Um tripulante de cabine vive profissionalmente dentro de um avião. Ou seja, num ambiente contra natura, que se sabe hoje que causa danos físicos ao ser humano. E o ritmo e a carga horaria que trabalha é cada vez mais alto, aumentando assim o risco de saúde física e psicológica, para os mesmos. Não existem ainda casos concretos (apesar de existirem diversos pareceres e estudos científicos que comprovam que a profissão é de natureza, desgastante) para determinar com exactidão este agravamento e o quão nocivo isso é para o nosso corpo, uma vez que o mundo da aviação mudou drasticamente nos últimos anos, mas é fácil perceber que a mudança não está a ser positiva para os trabalhadores, havendo hoje em dia cada vez mais doenças que advêm do exercício desta actividade profissional (lesões músculo- esqueléticas relacionadas com o trabalho; barotraumatismos e doenças de otorrinolaringologia; problemas de tiróide, cancros de estômago são também mais elevados para os tripulantes de cabine, bem como cancro da mama, no caso das mulheres; doenças associadas à dessincronização do relógio biológico provocadas pela travessia rápida de múltiplos fusos horários, distúrbios do sono, stress, ansiedade e depressão) do que em passados recentes.
Todas estas razões, e outras, fazem com que um tripulante de cabine tenha uma longevidade curta, depois de reformado, quando e se chegar a essa idade.
Qual é a dúvida, meus senhores?
Quando voam sentados/deitados na executiva, não sentem isso na pele?
Nós não somos diferentes. Sentimos isso todos os dias.
Vamos fazer história ou vamos esperar que o resto da Europa o faça mais uma vez, para lhes seguirmos os passos?!