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Pelo Reconhecimento do Contributo do Maestro César Batalha para a Cultura e Sociedade Portuguesas

Para: Exmo. Senhor Presidente da República, Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República, Sua Exa. o Primeiro-Ministro, Sua Exa. o Ministro da Cultura

Exmo. Senhor Presidente da República,
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República,
Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,
Exmo. Senhor Ministro da Cultura,

Os cidadãos abaixo-assinados solicitam, através desta Petição, que o Maestro César Batalha tenha formalmente reconhecido o contributo musical e artístico que durante décadas deu a Portugal e à sociedade portuguesa.

A 5 de Outubro de 1960, César Batalha fundou o Coro de Santo Amaro de Oeiras, que mais de sessenta anos depois continua a ser uma instituição cultural e musical de prestígio e características únicas em Portugal. Ao longo do seu percurso enquanto músico, organista, compositor, maestro e pedagogo, a vida de César Batalha tocou directamente a de uma multidão de cantores, com inqualificáveis graus de magia, respeito e amizade.

Ao longo da sua actividade, o Coro de Santo Amaro de Oeiras acolheu vagas sucessivas de coralistas de todas as idades e proveniências; e levou a mensagem da música coral a todo o país e estrangeiro, em outros tantos milhares de concertos.

Apesar dos muitos prémios e homenagens que lhe foram prestadas, faltou sempre a César Batalha o reconhecimento máximo de Portugal, através de uma Ordem Honorífica conferida pelo Presidente da República.

É isso que é justo; é isso que pretendemos. Porque há uma centelha do trabalho e do génio do Maestro César Batalha em todos os coralistas e Portugueses, no país e na diáspora, tocados pela sua paixão de viver a música e a portugalidade.

O Maestro César Batalha (Oeiras, 3 de Setembro de 1945 – Lisboa, 14 de Janeiro de 2022) foi, com efeito, um dos maiores vultos da nossa cultura, dando-se inteiro à música popular e erudita, à língua portuguesa e à promoção da tradição coral.

Mas o criador de "Eu Vi Um Sapo" e "A Todos Um Bom Natal" foi muito mais que isso. Pela sua batuta, passaram gerações de crianças e adultos, aos milhares, a contactar com as palavras cantadas de Fernando Pessoa, Miguel Torga, Maria Alberta Menéres, Sophia de Mello Breyner Andresen, Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira, Cecília Meireles ou Afonso Lopes Vieira.

Enquanto compositor, César Batalha criou também alguma da mais impactante música de cena para peças de teatro de Moliére, Tennessee Williams, Donald Coburn, Gil Vicente, Almada Negreiros, Gomes de Amorim, Camilo Castelo Branco ou Natália Correia.

Sempre incansável – no que foi seguido por gerações de coralistas – levou abnegada e sucessivamente as suas composições (mas também arranjos para clássicos eternos de Verdi, Bach, Mozart, Orff, Offenbach, Palestrina, Victoria, Haendel, Gounod ou Bizet), ao longo de décadas, ao vivo em concerto ao país inteiro, incluindo os lugares mais recônditos; chegando fundo ao coração das populações mais desfavorecidas, isoladas e/ou esquecidas de um Portugal ávido de cultura.

Em igrejas, bibliotecas, jardins, praças, adros, associações recreativas e desportivas, nas vilas mais inatingíveis de Portugal, onde por vezes nem sequer uma nota de erudição até aí havia entrado, foi com ele e por ele que o Coro de Santo Amaro de Oeiras (infantil e adulto, nas suas diversas formações) levou sempre, a Portugal e às comunidades portuguesas da diáspora, o maravilhamento da música.

Na morte de César Batalha, Portugal ficou a dever-lhe uma imensidão que está ainda - convém frisá-lo - por reconhecer, a nível oficial do Estado, nas Ordens Honoríficas da Presidência da República.

Esta falta de reconhecimento oficial está infelizmente longe de ser nova na cultura Portuguesa. Empalidece, no entanto, face aos milhares de pessoas e de vozes e de corações que o nosso Maestro tocou, a cantar, ao longo de décadas. E a todos os milhões que ouviram e ouvem a música por ele criada.

É aos actuais e antigos coralistas, mas também ao imensamente maior número de pessoas e públicos que um dia partilharam, enquanto ouvintes e espectadores, “esta imensa alegria”, que pedimos para juntar aqui, nesta Petição, voz e vontade para que seja honrado, devidamente, o legado do Maestro César Batalha, fundador do Coro de Santo Amaro de Oeiras.

O património musical construído por César Batalha faz parte da nossa identidade comum nacional – e é mais que hora de o país o reconhecer, mesmo que postumamente, através de uma Ordem Honorífica conferida pelo mais alto magistrado da nação.



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Esta petição foi criada em 03 outubro 2022
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