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Petição pela aceitação obrigatória de pagamentos eletrónicos, sem valor mínimo, com potencial compensação dos custos aos pequenos comerciantes.

Para: Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República,

Os cidadãos abaixo assinados vêm, ao abrigo do direito de petição consagrado no artigo 52.º da Constituição, solicitar à Assembleia da República que aprecie e legisle sobre a aceitação obrigatória de meios de pagamento eletrónicos no comércio de bens e serviços.

Hoje, nenhum comerciante em Portugal é obrigado a aceitar cartão ou pagamento eletrónico. Muitos impõem valores mínimos ou simplesmente não disponibilizam a opção — e cada transação exclusivamente em numerário é uma transação que pode ficar fora dos registos, alimentando a economia paralela e penalizando os contribuintes cumpridores e os comerciantes honestos, que suportam impostos que outros evitam.

O que está em causa não é marginal. As estimativas da dimensão da economia paralela em Portugal variam entre cerca de 17% do PIB (estimativas na linha dos trabalhos do FMI e de Friedrich Schneider) e 34% do PIB (estudo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto / Observatório de Economia e Gestão de Fraude) — ou seja, entre cerca de 45 e 90 mil milhões de euros de atividade anual à margem do sistema fiscal. Com uma carga fiscal global na ordem de 35% do PIB, mesmo que apenas uma pequena fração dessa atividade fosse formalizada, a receita adicional medir-se-ia em milhares de milhões de euros por ano — receita que hoje é suportada, por substituição, pelos contribuintes que declaram tudo.

E Portugal tem prova própria de que a rastreabilidade funciona: segundo os relatórios da Comissão Europeia sobre o «VAT gap», o desvio de IVA em Portugal caiu de 7,9% em 2019 para 3,6% em 2023 — um dos mais baixos da União Europeia — em grande parte graças ao e-Fatura e aos incentivos ao consumidor para exigir fatura. Generalizar o pagamento eletrónico é o passo seguinte natural dessa mesma estratégia comprovada.

O argumento clássico contra esta obrigação — o custo do terminal para o pequeno comércio — deixou de existir: qualquer smartphone com NFC e a aplicação adequada funciona hoje como terminal de pagamento contactless, e soluções como o MB Way ou códigos QR não exigem equipamento dedicado. A Itália já impõe a aceitação de pagamentos eletrónicos, com sanção pela recusa, e compensa os comerciantes com um crédito fiscal sobre as comissões de aceitação.

Assim, solicitamos à Assembleia da República que legisle no sentido de:


1) Tornar obrigatória a aceitação de pelo menos um meio de pagamento eletrónico, sem valor mínimo de compra, como dever adicional à aceitação de numerário (que deve permanecer sempre possível);

2) Criar um crédito fiscal que compense, euro por euro, as comissões de aceitação de pagamentos eletrónicos suportadas por micro e pequenas empresas, à semelhança do modelo italiano;

3) Prever a ligação progressiva entre terminais de pagamento e sistemas de faturação certificados, para que o pagamento eletrónico e a fatura correspondente sejam automaticamente cruzados;

4) Salvaguardar expressamente os cidadãos que dependem do numerário, mantendo a sua aceitação obrigatória.


Pede deferimento.



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Esta petição foi criada em 14 julho 2026
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