Grândola, a nossa cidade
Para: Assembleia da República
Devido à necessidade constante histórica para a readaptação da simbologia nacional perante a alteração da identidade coletiva pela qual o povo de uma nação se sente representado num símbolo da sua substância, foi criada esta petição para a alteração do hino nacional de Portugal "A Portuguesa" de Alfredo Keil e Henriques Lopes de Mendonça, primeira parte letra adaptada, para "Grândola, Vila Morena" de Zeca Afonso, na íntegra.
Já à muito a república foi instaurada e há ainda mais tempo se acabou com a monarquia e a sua cobardia, inspiração para a criação da música que atualmente é o hino do nosso país. Os tempos são outros e o consciente coletivo já não se lembra o que era viver com a aristocracia e a monarquia como os representantes e respectivos líderes que nos governavam; contudo ainda nos lembramos bem da ditadura que por 41 anos perdurou e vários antes a antecederam com o controlo militar da nossas instituições soberanas; é necessário a simbologia coletiva que nos representa aclamar o golpe que acabou com o regime do estado novo e a revolução que lhe sucedeu.
A escolha é simples, é o segundo sinal para o início das mobilizações militares do MFA e a música que mais veio representar o espírito coletivo da revolução de abril, a revolução dos cravos, a revolução que nos libertou da opressão que muitos consideram fascista e com boas razões para isso. Esta mais que a música colonialista, imperialista e de cunho bélico e nacionalista, representa o nosso espírito nacional pós a aclamada revolução de abril, que já a quase 50 anos a comemoramos tão vividamente por nós ter trazido algo que desejávamos já a muito: liberdade, mesmo que muito do sonho de abril tenha ficado por acabar, pelo menos nos libertamos daquela opressão que muitos ainda se lembram. Se esta música não merece ser o hino do nosso Portugal novo, não compreendo qual música o poderia.
Já não existe o império, já não existe o mapa cor de rosa, já não existe a ocupação de África, já se fazem 112 anos que se findou a monarquia. Vivemos contundo num período histórico saudosista ao estado novo, mais que nunca é necessário relembrar aquilo que se ganhou em abril de 74 e aquilo que se quis enterrar naquele dia 25. É necessário entoar a música que mais o representa em todo o lado, em todos os nossos corações, cá e lá fora, para relembrar a toda a gente, que o que foi enterrado é para assim o continuar.
Grândola, Vila Morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade.
Está é a música do nosso Portugal democrático, é a música que nos representa.