Pela valorização do Monumento ao 25 de Abril e às Nacionalizações em Setúbal (Praça de portugal)
Para: Câmara Municipal de Setúbal
Após a publicação nas redes sociais do texto que se segue, foi sugerido transformar este apelo numa petição para dar mais força a esta ideia.
Hoje não haverá em Setúbal quem ignore a história do monumento que se encontra instalado na Praça Portugal, ainda que à data da sua inauguração, em 1 de outubro de 1985, não tivesse nascido ou desempenhado qualquer cargo político no Município de Setúbal.
Estamos perante uma escultura que constitui um elemento de inegável valor histórico, patrimonial, cultural e identitário, que, de acordo com o que nos é dado saber, já com expressão, pela sua singularidade, em todo o mundo. Várias peças há que tiveram igualmente na sua construção o envolvimento dos operários e intelectuais, mas todas são claramente referidas como arte descritiva, sendo que esta escultura é uma obra de arte interpretativa o que faz dela uma peça única.
Esta tem como objetivo simbolizar o regime democrático e as nacionalizações, realizações historicamente só possíveis em resultado do 25 de Abril de 1974.
A escultura, da autoria de Virgílio Domingues, António Trindade e do arquiteto Rodrigo Olléro, foi a escolhida pelo júri de concurso publico para o efeito lançado pela Câmara Municipal de Setúbal de entre as nove que se apresentaram. Foi oferecida à cidade pelos trabalhadores da Setenave e custou mais de três mil horas de trabalho voluntário noturno feitas nas horas de lazer dos trabalhadores. Foi construída em chapa de aço com 14 metros de altura e pesa trinta toneladas.
Estamos perante uma obra de arte e, como todas, somente atingem a sua verdadeira essência quando despertam em nós motivo para discussão. A arte é sempre discutível e polémica no que reporta à sua interpretação. À data da sua instalação, também esta não foi exceção, originando uma forte campanha depreciativa. Ninguém lhe foi ou é indiferente, sendo já uma obra faz parte do roteiro turístico do país e de passagem obrigatória para quem visita Setúbal.
A malévola campanha desenvolvida, que se baseava exclusivamente em questões meramente ideológicas, levou a que os elementos do executivo municipal de então não tivessem assimilado o verdadeiro significado e dimensão da obra, desvalorizando ou mesmo desrespeitando o projeto para os arranjos da área circundantes da mesma , que previa o acesso da população junto da obra para que pudesse ser tocada. Plantaram um conjunto de palmeiras e construíram o murete de pedras que circundam a mesma e que tivera como objetivo dificultar o acesso, desvalorizar e ofuscar a referida escultura.
Passados 41 anos, despidos de preconceitos ideológicos é tempo de se valorizar esta escultura, procedendo ao arranjo urbanístico conforme o projeto inicial
No momento esta obra está a despertar grande interesse, por parte de diversas entidades e personalidades do mundo da história e das artes, que manifestam apetência para a estudar e interpretar.
Os signatários desta petição apelam, assim, à Câmara Municipal de Setúbal que adote os procedimentos necessários para valorizar o monumento, repondo as condições necessárias à sua visitação, nomeadamente com a reformulação do projeto de arranjos circundantes e a retirada dos elementos que impedem uma linha de vista clara e aberta sobre esta peça de arte de elevado valor histórico, político, social e cultural.
Jerónimo Matias
Setúbal, agosto de 2026