Mobilidade sustentável e acessível na periferia do concelho de Sintra
Para: Exmº. Senhor Presidente e Vereadores da Câmara Municipal de Sintra; Senhores Presidente e Deputados da Assembleia Municipal de Sintra; Administração da Carris Metropolitana
Mobilidade sustentável e acessível na periferia do concelho de Sintra
Quem vive afastado das estações de comboios da linha de Sintra e não tem carro vê a sua vida gravemente condicionada por uma rede de autocarros escassa e desadequada e pela falta de condições de segurança para se deslocar de bicicleta ou a pé.
Esta realidade afeta sobremaneira um grande número de cidadãos, que ficam praticamente impossibilitados de usufruir da oferta cultural do concelho e das áreas limítrofes, de ter acesso a empregos que impliquem deslocações, ou simplesmente de sair para passear.
Muitas vezes, a única alternativa é recorrer ao transporte individual pago, o que não é acessível a todos.
A rede ineficiente de transportes faz com que a mobilidade sem carro seja praticamente impossível. Mesmo quem tem bicicleta, ou gostaria de se deslocar a pé, não encontra condições mínimas de segurança. Os acidentes, não raramente mortais, com peões e ciclistas reforçam a necessidade de criar vias específicas e de reduzir a velocidade dos veículos. Em muitas zonas, a circulação só é possível pelas valetas ou, correndo ainda mais perigo, por estradas estreitas e degradadas, ou mesmo pela berma das estradas nacionais, sem infraestruturas adequadas.
Basta, por exemplo, tentarmos deslocar-nos entre São João das Lampas e a Terrugem para o comprovar. Quem tem condições para isso poderia fazer o percurso de bicicleta em cerca de 13 minutos, mas fazê-lo pode custar-lhe a vida. De autocarro, o trajeto demora cerca de 5 minutos, mas pode implicar esperas superiores a uma hora, isto quando ainda há serviço, já que depois das 22h, ou 21h aos domingos, deixa de existir. Estes são exemplos de duas povoações bastante populosas do concelho. Nas aldeias mais pequenas, a situação torna-se ainda mais grave. Uma pessoa que resida em Cheleiros só tem autocarro de duas em duas horas, e apenas até às 19h40; ao domingo, tem apenas quatro horários disponíveis.
A dificuldade de acesso aos serviços, aos locais de trabalho, ao lazer e à cultura por parte de quem não tem carro, por opção ou impossibilidade, evidencia flagrantes desigualdades no território. O crescente congestionamento do tráfego automóvel e a sobrelotação dos autocarros nas horas de ponta são sinais adicionais de um sistema ineficiente.
Perante esta realidade, e de modo a assegurar a mobilidade dos munícipes de forma equitativa em todo o concelho, os abaixo-assinados apelam a que sejam tomadas, com a maior urgência, as seguintes medidas:
- Alargamento dos horários das carreiras de autocarros no período diurno e noturno, em articulação com os horários dos comboios;
- Criação de infraestruturas que permitam a circulação segura de bicicletas e peões, incluindo pessoas com mobilidade reduzida, carrinhos de bebé e cadeiras de rodas, tanto no interior como entre localidades;
- Implementação de medidas de redução de velocidade e de segurança nos locais críticos da rede viária.