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Pela Proteção do Direito à Habitação Contra a Especulação Imobiliária

Para: Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República

É por sabermos que a crise da habitação em Portugal tornou-se numa catástrofe social e numa ameaça estrutural a uma sociedade que pretende fundar-se em valores democráticos e humanistas que, através desta petição, exigimos as seguintes alterações à lei:

1) Revogação do direito à oposição à renovação de contrato de arrendamento pelas empresas que adquiram imóveis destinados à habitação nos quais habitem inquilinos com contrato de arrendamento.

2) Instituição de limites máximos aos valores do arrendamento com base em indicadores proporcionais definidos pelo Estado, como um valor fixo à tabela para cada metro quadrado, atendendo ainda aos custos de vida e a outros fatores como o estado de conservação do imóvel.

3) Proibição de que o senhorio exija outros valores para além do mês de caução a um potencial inquilino, bem como dados ou documentos pessoais para além daqueles estritamente necessários para a celebração de um contrato de arrendamento.

4) Proibição de que um senhorio termine um contrato de arrendamento apenas para posteriormente celebrar outro contrato sob o mesmo imóvel com valor de renda superior; exigência de justificação válida por parte do senhorio para a oposição à renovação de contrato de arrendamento.

5) Criação do crime de assédio imobiliário, no qual esteja inscrita a conduta de indivíduo, independentemente de ser ou não proprietário, que vise enganar, privar do uso de direitos ou perturbar um habitante para que este desocupe um imóvel.

6) Instituição do direito ao inquilino de exigir uma indemnização equivalente a dez anos de renda a um senhorio que não o notifique para o exercício do direito de preferência aquando da venda de imóvel arrendado a terceiros e essa situação impossibilite ao inquilino o acesso a um crédito à habitação junto de uma entidade bancária.

7) Extensão do prazo para exercício do direito de preferência pelo inquilino após notificação por parte do senhorio da intenção de venda do imóvel arrendado de 30 para 60 dias.

8) Extensão do prazo para a ação judicial de exercício de direito de preferência pelo inquilino, nas situações em que o senhorio não o tenha notificado da venda do imóvel arrendado, de seis meses para um ano.

9) Impedimento de que empresas ou os seus representantes participem em leilões promovidos por entidades ligadas ao Estado quando o objeto em causa seja um imóvel destinado à habitação.

10) Criação de um apoio financeiro complementar, assegurado pela Segurança Social, destinado a todos os agregados familiares que, por situação de carência socioeconómica, se vejam impossibilitados de acartar com os custos da sua habitação.
10.1) Instituição de um imposto extraordinário sob os lucros da indústria da especulação imobiliária destinado a compensar a despesa do Estado com a implementação da medida supramencionada.

11) Revogação do programa de Vistos Gold e do programa de Vistos para Nómadas Digitais recentemente lançado pelo Governo, que se prevê agravar o aumento dos custos da habitação.

12) Nacionalização de imóveis desocupados há mais de cinco anos para que sejam convertidos em habitação pública com rendas acessíveis.

13) Congelamento do aumento dos valores das rendas.

14) Proibição de que um despejo seja efetivado até se verificar que o despejado tem assegurada outra habitação e que não entrará em situação de sem-abrigo como consequência.

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ANEXO - Notas sobre a gravidade da crise da habitação em Portugal

É inquestionável que Portugal atravessa hoje uma crise de direitos à habitação.

Sabemos que estes direitos existem em teoria, estando inscritos na Constituição da República Portuguesa e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas a nossa sociedade carece de mecanismos que verdadeiramente os salvaguardem contra a inflação, o aumento dos custos de vida, do alojamento local e as condutas predatórias dos especuladores imobiliários, circunstâncias que acartam consequências cada vez mais sufocantes para os portugueses.

A verdade é que a atual crise da habitação em Portugal já precede a conjuntura económica potenciada pelo conflito no leste da Europa e pela pandemia da doença Covid-19. Contudo, se antes de 2020 a crise da habitação já era uma ferida aberta por tratar, hoje é uma verdadeira calamidade socioeconómica, com impactos diretos nas vidas de milhões de famílias portuguesas, e uma ameaça ao bem-estar e à coesão da nossa sociedade. É neste cenário que se multiplicam cada vez mais os relatos de pensionistas, inválidos e desempregados a entrarem em situação de sem-abrigo.

Nos meios de comunicação social, todos os meses são relatadas novas histórias sobre cidadãos em situações vulneráveis que viram a sua segurança e dignidade colocadas em causa pela conduta de especuladores imobiliários que procuram comercializar imóveis motivados apenas pela expetativa da acumulação de lucro, explorando, para isso, as necessidades básicas de outrem. Estas condutas materializam-se de várias formas, através do assédio ou da privação do exercício do direito de preferência ao inquilino, uma situação que culmina muitas vezes no seu despejo e na destruição da sua família.

Curiosamente, a indústria da especulação imobiliária continua a crescer e a amealhar lucros tão inacreditáveis que se tornam imorais. De acordo com uma notícia do Idealista publicada em março de 2022, as pessoas coletivas - como empresas que pela sua natureza não têm necessidades habitacionais - lucraram mais de 4 mil milhões de euros no ano anterior com a compra e venda de habitações, cujos preços continuam a subir.

Portugal é hoje o quinto país que apresenta os rendimentos das famílias mais desajustados face aos custos da habitação de entre todos os 38 estados-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), um indicador que deveria encher de vergonha qualquer representante político.

Num país em que o salário mínimo é de apenas 705 €, a média dos custos mensais do arrendamento atingiu, no ano passado, o limiar de 1264 € em Lisboa. Os indícios sugerem que esta tendência deverá agravar-se, tendo, já em agosto deste ano, a média exigida em anúncios de arrendamento ultrapassado a quantia de 1400 €.

Apesar da necessidade das mudanças reivindicadas com esta petição, os peticionários entendem que a introdução destas disposições na lei não será ainda o suficiente para dar uma resposta adequada à grave profundidade da crise de habitação que atravessa atualmente o nosso país.

Contudo, acreditamos que poderá ser o primeiro passo da criação de uma conjuntura que confira maior dignidade aos cidadãos que encontram dificuldades na satisfação deste direito tão básico e elementar para a sobrevivência do ser humano.

Atenciosamente,
Os peticionários
  1. Actualização #2 TENS SUGESTÕES OU CONTRIBUTOS? PARTILHA CONNOSCO!

    Criado em quinta-feira, 17 de Novembro de 2022

    Queremos que esta causa seja de todos e de todas e não centralizada apenas num grupo restrito de ativistas. Se houver algo que queiras acrescentar à nossa petição, partilha através do email protecaododireitoahabitacao@gmail.com ou nas nossas redes sociais, que podes encontrar no Instagram e no Facebook através do nome de utilizador @peticaohabitacao. As tuas propostas serão acrescentadas à petição se estiverem em sintonia com a causa. Não hesites! Vem fazer de Portugal um país melhor connosco!

  2. Actualização #1 A NOSSA CAUSA ESTÁ A CRESCER

    Criado em quarta-feira, 16 de Novembro de 2022

    Segundo a lei n.º 43/90, 100 assinaturas são o suficiente para um deputado ser nomeado relator desta petição; 1000 assinaturas levar-nos-ão a sermos recebidos por uma comissão parlamentar e 7500 assinaturas levarão o tema a discussão pela Assembleia da República. Ajuda-nos a atingir cada destes marcos! Assina e partilha! Vamos salvar Portugal!




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