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Carta Aberta à Coordenação da Licenciatura em Engenharia Civil do IST

Para: Exmo. Coordenador da Licenciatura em Engenharia Civil, Professor António Gago e Caros membros do Conselho Pedagógico

Caro Coordenador da Licenciatura em Engenharia Civil, Professor António Gago, restantes membros da Coordenação, Caros membros do Conselho Pedagógico e Caro Presidente do Instituto Superior Técnico, Professor Rogério Colaço,

Devido à implementação do novo plano de Métodos de Ensino e Práticas Pedagógicas, MEPP, e à forma como esta se desenrolou na Licenciatura em Engenharia Civil, os alunos do 2.º e 3.º ano de LEC estão, no presente semestre, a realizar 9 Unidades Curriculares. Esta é uma consequência, grave, do plano de transição imposto aos mesmos.

Ainda assim, no início deste ano, defendemos a esperança e confiança na organização da nossa Coordenação, em esforço com o Conselho Pedagógico e outras entidades necessárias do IST, de que esta situação seria ponderada e solucionada a tempo do 2.º semestre.

Chegamos, então, ao fim deste ano desiludidos.

O documento ‘Princípios enquadradores para a reestruturação dos cursos de 1º e 2º ciclo do Instituto Superior Técnico 2122’ (1) prometeu, a toda a comunidade do Instituto Superior Técnico, uma série de princípios gerais. Entre eles:

Ano letivo organizado de modo a potenciar maior foco e trabalho contínuo;
Boas condições de ensino, estudo e vivência para a comunidade académica.
Reconhecimento curricular de atividades extracurriculares;

Podemos, agora, verificar que estes princípios não foram tomados em consideração na transição da Licenciatura em Engenharia Civil.

Por exemplo, um aluno de 2º ano, dentro das 9 UC realizadas neste 2.º semestre, apenas uma manteve o foco no trabalho contínuo, não tornando obrigatória a ida a exame. No entanto, os alunos depararam-se com 17 avaliações em 5 semanas ao longo do 3.º Período e 29 avaliações em 6 semanas ao longo do 4.º Período. Estes valores revelam uma média de 4 avaliações por semana, nas 11 semanas dedicadas à avaliação contínua.

Significa isto que, para além dos 8 exames, nos 10 dias dedicados à época normal, os alunos foram obrigados, por meio de notas mínimas, a realizar 46 avaliações contínuas, desde projetos de várias semanas a testes de curta duração.

Por outro lado, a implementação dos seguintes pontos do mesmo documento(1) foi feita em excesso:

Competências transversais integradas nas unidades curriculares (UC);
Autonomia e corresponsabilização dos estudantes;
Mudança de paradigma de ensino;

Desde docentes que afirmam, em frente aos alunos, que não têm conhecimentos sobre os novos softwares, que serão utilizados em projetos, até docentes a ver, pela primeira vez, os slides em aula, sem saber o que devem ou não ensinar aos alunos. Fica claro, que a transição não é apenas negativa e difícil para os alunos. As 46 novas avaliações que os alunos enfrentam são as mesmas 46 novas avaliações que os docentes corrigem e organizam, com pressões de entregar pautas a tempo da avaliação seguinte.

Juntando ao estudo destas avaliações, está um abandono total da função de ensino por parte do docente. Foi nos indicado, em várias UC, que o ensino seria da nossa responsabilidade. Sendo fornecidos textos ou slides com a matéria necessária para a aula seguinte, o aluno teria de estudar essa matéria sozinho, pois o docente iria apenas abordar a mesma de forma apenas prática ou apenas teórica, por falta de tempo nas aulas.

Este conceito foi interrompido pela minoria dos docentes que demonstraram interesse em comunicar e ajudar os alunos, após verificarem a situação em que estes se encontram. Contudo, esta minoria sente uma falta de poder e controle sobre as decisões no ensino.

Para que tudo seja viável, é pedido aos estudantes que cumpram as 28 horas por cada ECTS, ou seja, uma média de 84 horas semanais de trabalho em aula e/ou autónomo. Uma média de 12 horas de trabalho, 7 dias por semana, é esgotante para qualquer indivíduo. Acrescentando a pressão nas notas e na passagem às UC, o sistema de 7 dias de preparação e 5 de realização de exames, o aumento no total de semanas de trabalho num ano curricular e a diminuição das semanas de pausa, levaram os estudantes de 2.º e 3.º ano de LEC à exaustão e sabemos que o fez a muitos estudantes de outros cursos. Como esperado, houve um aumento nos problemas de saúde mental, nos casos de burnout, e na ‘glorificação do sofrimento’ (2) por parte dos estudantes.

Esta é uma mudança no paradigma do ensino do curso de LEC, contudo não é a mudança que os alunos pretendiam, nem aquela que foi anunciada. Os alunos estão sob mais pressão e sentem-se mais abandonados pelos docentes. Os métodos de avaliação forçam os alunos a escolher as UC que tentarão passar, deixando para época de recurso, ou até para o próximo ano letivo, a realização das restantes em que deveriam estar inscritos. Esta situação proporciona a negligência a múltiplas UC, o que prejudica o ensino e em nada contribui para a educação dos estudantes, tornando o curso num ‘jogo’, em que a meio de cada período o estudante tem de ‘apostar’ em que UC se deve focar para passar ao número máximo de UC.

Infelizmente, a maioria do corpo docente não demonstra interesse em melhorar a situação dos estudantes de LEC. Manifestam o sentimento oposto, aumentando exponencialmente a dificuldade das avaliações contínuas, por estas avaliarem menos conteúdo que um exame. Formulam, também, atividades desnecessárias dentro de projetos, que preenchem as 84 horas semanais, sem se verificar um aumento da aprendizagem, do interesse ou da motivação dos alunos.

Assim, estes docentes, ao invés de terem um papel determinante no ensino e apoio a cada aluno, servem apenas para tirar dúvidas e corrigir avaliações.

Talvez por este motivo, vemos e ouvimos professores desrespeitosos para com os alunos, a desprezar os protestos e pedidos de mudança e de correção. O mínimo que um estudante pode pedir é respeito e mesmo esse direito foi ignorado por parte de membros do corpo docente do Instituto Superior Técnico.

Assim sendo, pedimos mudanças para Licenciatura em Engenharia Civil de modo a que as experiencias ao longo deste ano não se repitam em anos vindouros.

Pedimos a abolição das notas mínimas neste ano de transição, dando a possibilidade aos alunos de tentar passar à UC mesmo que a componente de avaliação contínua não tenha corrido bem ou que não consigam as melhores notas nos 8 exames que tiveram em 10 dias, com apenas duas semanas de preparação cheias de apresentações e entregas de projetos.

46 avaliações constituíram 50% da avaliação dos alunos. Os restantes 50% foram representados por 8 exames. Pedimos, assim, que o objetivo relatado no MEPP(1) de tirar a pressão das semanas de exames, seja cumprido. Que os exames deixem de ser obrigatórios ou que a sua importância e nota mínima seja drasticamente reduzida em todas as UC.


Em nome dos estudantes do 2º e 3º ano de LEC.


(1) Modelo de Ensino – Técnico Lisboa (ulisboa.pt)
(2) Alunos sob pressão: “No Técnico há uma glorificação do sofrimento” | Reportagem | PÚBLICO (publico.pt)
(3) Expresso | “Quem cá vier não encontra uma espécie de gulag. O Técnico é um local aberto, acolhedor e multicultural”



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