Pela retirada da Ciclovia da Av. Lusíada e restituição do seu perfil de via rápida
Para: Assembleia Municipal de Lisboa
Pela retirada da Ciclovia da Av. Lusíada e restituição do seu perfil de via rápida
A Avenida Lusíada, que atravessa Benfica, Carnide e S.Domingos de Benfica, foi criada em 1997 e veio agilizar a deslocação de tráfego entre a periferia da cidade e o centro, e comunica com outros importantes eixos rodoviários, como a 2ª Circular e o Eixo Norte Sul. Uma via rápida, que permitia precisamente evitar o atravessamento de artérias que cruzam zonas densamente habitacionais e comerciais, caminha para deixar de o ser. Com toda a consequente perda de tempo imposta aos utilizadores desta via e, já que o Ambiente estará na ordem do dia, o também consequente aumento da poluição atmosférica e sonora na zona.
É também uma via rápida (ou era!) de acesso a um importante hospital da cidade, o de Santa Maria, servindo ainda outros dois hospitais privados, o da Luz e o dos Lusíadas.
Denunciamos:
• O agravamento do congestionamento, em particular nos extremos da Avenida Lusíada.
O ponto mais problemático será o acesso entre a Av. Marechal Teixeira Rebelo e o talude da Av. Lusíada, com a concentração de tráfego de 3 origens diferentes (de cada um dos sentidos da Av. Marechal Teixeira Rebelo e de quem faz inversão de sentido vindo do lado do Hospital da Luz) numa única via, a que se acrescenta o facto de a via para seguir em direcção à Estação do C.Militar ou entrar na Av. Lusíada ser agora a mesma quase até ao princípio do talude. A entrada no talude fica então reduzida a uma única via! Mesmo em pleno estado de emergência já começa a ser evidente um sério agravamento do congestionamento e também será expectável um incremento da sinistralidade, dado o volume e número de fluxos que convergem numa única via.
• Uma ciclovia sem uso e sem utilidade.
Até o uso desta espécie de ciclovia “via rápida” será absolutamente residual. Mesmo ignorando o facto de apenas 1% da população optar pela bicicleta como meio de transporte (de acordo com estudos europeus), a própria orografia e o facto de só poder ser acedida pelas suas extremidades tornará esta via especialmente inútil e sem uso.
Conforme uma andorinha não faz a primavera, também o facto de uma bicicleta (ou qualquer outro velocípede) passar, muito esporadicamente, na referida ciclovia, não pode tal ser suficiente para sustentar a sua implementação, principalmente se considerarmos o prejuízo para os milhares de utilizadores desta via, que de acordo com estudos da tráfego da CML chegavam, em 2013, a cerca de 2500 veículos, apenas no período de 1h de ponta.
• A introdução desta ciclovia com o habitual autismo, sem diálogo com a população e sem que sejam conhecidos quaisquer estudos no impacto do tráfego dos restantes utilizadores da via e muito menos um estudo de impacto de tráfego nas vias adjacentes e alternativas.
• Criação de situações de insegurança e de demoras críticas na deslocação de veículos de emergência.
Retomando a já falada situação de congestionamento agravado no acesso ao talude da Av. Lusíada no sentido Benfica-Hospital Sta. Maria, agora reduzido a uma única via no acesso ao talude, um acidente ou uma avaria no princípio do troço podem determinar o bloqueio total do trânsito, sem qualquer escapatória possível. E isto é particularmente inaceitável, tratando-se de um troço essencial no acesso a hospitais, em particular o de Sta. Maria.
Adicionalmente, o cruzamento elevado entre o Eixo Norte-Sul com a Avenida Lusíada potencia a ocorrência de acidentes devido ao muito tráfego, à passagem frequente de ambulâncias em marcha de urgência e à já existente pouca visibilidade.
Por todos estes fundamentos, os abaixo-assinados pedem a retirada retirada da ciclovia da Av. Lusíada e a restituição do seu perfil de via rápida.
NOTA: Ainda que a pretensão seja seguir as formalidades para levar esta petição à Assembleia Municipal, é certo que as petições são relativamente inúteis do ponto de vista formal, mas não deixam de ser uma forma de dar visibilidade à contestação de todas as pessoas que se revêm nesta crítica à ciclovia.