Pela responsabilização do Vereador Edgar Jesus e pela defesa da dignidade institucional da Câmara Municipal de Setúbal
Para: Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Municipal de Setúbal, Dr. Paulo Lopes
Os cidadãos abaixo-assinados vêm, por este meio, manifestar a sua profunda preocupação e indignação relativamente às declarações proferidas pelo Vereador eleito pelo partido Chega, Edgar Jesus, durante a reunião pública da Câmara Municipal de Setúbal realizada no dia 15 de abril de 2026.
De acordo com o que foi tornado público, o referido vereador terá dirigido expressões de teor ameaçador à bancada do Partido Socialista, composta por vereadores e vereadoras, incluindo afirmações como:
“rebento-vos todos lá fora”
Tais declarações, independentemente do contexto político em que foram proferidas, assumem um caráter grave, incompatível com o exercício de funções públicas e atentatório da dignidade institucional que deve reger o funcionamento dos órgãos autárquicos.
1. Violação do Regimento da Câmara Municipal de Setúbal
Nos termos do Regimento das Reuniões da Câmara Municipal de Setúbal, os membros do executivo estão obrigados a:
Respeitar a dignidade da Câmara e dos seus membros
Observar a ordem e a disciplina das reuniões
Contribuir para o prestígio do órgão
Adicionalmente, o regimento prevê que intervenções com caráter injurioso ou ofensivo podem justificar a advertência e retirada da palavra ao interveniente .
As declarações em causa configuram uma clara violação destes princípios, colocando em causa o regular funcionamento do órgão executivo municipal.
2. Violação do Estatuto dos Eleitos Locais (Lei n.º 29/87)
O Estatuto dos Eleitos Locais impõe aos titulares de cargos públicos deveres de:
Exercício das funções com dignidade, respeito e sentido de responsabilidade pública
Defesa do interesse público com urbanidade e correção institucional
A utilização de linguagem de natureza intimidatória, com conotação de agressão física — incluindo dirigida a vereadores e vereadoras — representa uma quebra grave destes deveres, podendo configurar inaptidão para o exercício do cargo.
3. Gravidade institucional e risco para a credibilidade democrática
A normalização de comportamentos intimidatórios constitui um retrocesso grave no plano democrático e institucional.
A ausência de uma resposta firme e proporcional poderá:
Fragilizar a confiança dos cidadãos nas instituições
Comprometer a imagem da Câmara Municipal de Setúbal
Criar um precedente perigoso de tolerância à intimidação política
4. Exigências dos signatários
Face ao exposto, os cidadãos signatários vêm exigir:
1. Retratação pública imediata
Do Vereador Edgar Jesus, com reconhecimento explícito da gravidade das declarações proferidas;
2. Pedido formal de desculpas
Dirigido à bancada socialista, aos demais vereadores, à Câmara Municipal de Setúbal, aos munícipes presentes na reunião, aos que acompanharam a transmissão online e a todos os setubalenses;
3. Avaliação institucional do caso
Por parte dos órgãos competentes, nomeadamente da Assembleia Municipal;
4. Apuramento de responsabilidades
Nos termos legais aplicáveis, com base no Estatuto dos Eleitos Locais;
5. Renúncia ao mandato
Por manifesta incapacidade de exercício de funções com respeito pelos princípios democráticos;
ou, em alternativa,
6. Abertura de procedimento conducente à perda de mandato
Caso se conclua pela violação grave dos deveres inerentes ao cargo.
5. Defesa da dignidade democrática
A Câmara Municipal de Setúbal deve ser um espaço de debate democrático, plural e respeitador, onde a divergência política não se confunde com intimidação ou ameaça.
A manutenção em funções de titulares que violem esses princípios compromete a legitimidade institucional do órgão e o respeito devido aos cidadãos que representa.
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