Fibra no Vale da Serra
Para: Altice MEO, ANACOM
Problemas com operadoras de telecomunicações já começa a ser algo recorrente nos dias de hoje; situações em que nos deparamos com o mal funcionamento da nossa rede móvel ou de um aparelho tecnológico lá em casa já não são, infelizmente, raras. Não estou a afirmar, de forma alguma, que tudo isso deveria ser perfeito e nunca ter erros; no entanto, ouso afirmar que quem está no controlo não está a fazer o seu trabalho da forma mais correta.
Um dos grandes constrangimentos é o facto de as operadoras não conseguirem, de todo, oferecer todas as funções que tanto publicitam, o que nos deveria levar a questionar: “estou a pagar, realmente, o quê?” Serão os quase 100 euros que uma família de quatro pessoas paga todos os meses abdicados de forma justa, sendo que não estão a usufruir dos serviços contratados na sua totalidade? Certamente que, no ato de estabelecer um contrato, estou à espera que todas aquelas condições elencadas sejam cumpridas – aliás, tenho o direito a que elas o sejam.
Era do meu agrado prolongar-me na enumeração dos demais problemas que a cadeia das telecomunicações abrange, mas pretendo cingir-me à situação da qual tenho mais conhecimento e à verdadeira intenção pela qual escrevo.
A igualdade é um dos princípios base do Estado Português e, por isso, deveria ser das primeiras ideias a ter assentes aquando o lançamento de qualquer ideia comercial. Porém, não me parece que, neste caso que vou passar a descrever, todos os cidadãos estejam em pé de igualdade, uma vez que uns saem prejudicados.
Apesar de ser um dado adquirido de que os mesmos serviços não chegam a todos os locais com a mesma brevidade e facilidade, continuo a ser movido por um sentimento de inquietação: por que razão terei eu de pagar mais do que as pessoas que têm os serviços melhorados? É de realçar que não estou, de modo algum, a colocar culpa em quem tem possibilidade de os ter e coloca de parte uma percentagem do seu ordenado para alimentar a “caixa” destas empresas – até porque a culpa não é dessas pessoas; o meu alvo circunscreve-se apenas a quem realiza a organização do sistema em causa. A ideia que pretendo transmitir com este parágrafo é a de que não é justo que paguemos um montante exorbitante, que em nada corresponde ao que podemos usufruir na realidade, apenas porque – não por nossa vontade – não temos fibra ótica. Portanto, se continuam a não querer “mexer os cordelinhos” e passar a pensar na instalação de uma maior rede deste mecanismo, parece-me que está na altura de mudar. E quando falo disso, não me refiro àquelas campanhas que apenas servem para iludir e controlar a frustração (bem fundamentada) dos clientes; quero aludir é para uma melhor correspondência preço-benefício.
Passemos, então, ao relato da minha situação, para que consigam perceber ainda melhor o objetivo do redigir deste texto.
Sou estudante universitário e, durante a pandemia, as aulas online foram a solução que a minha instituição adotou para continuar a transmitir o conhecimento porque o ensino não pode parar! Sou total apoiante deste método; no entanto, por vezes, vejo-me incapacitado de tirar o melhor proveito dele. Este condicionamento não é por parte da faculdade, mas sim da minha operadora de rede. A internet, cá em casa, raramente ultrapassa os dois (2) megabytes de download. Só peço que me expliquem como é que eu posso realizar tudo o que me é pedido e organizar toda a minha vida académica se nem consigo, muitas das vezes, abrir a minha plataforma institucional quando a linha está mais sobrecarregada.
Após inúmeros contactos com a MEO, milhares de reencaminhamentos e trocas de linhas e horas infinitas a ouvir aquela música irritante da fila de espera, nada mudou (como era de se prever). Os operadores bem tentam arranjar soluções, mas a maioria delas não parece ter grande aplicação prática e, portanto, o problema está, de certo, longe de estar resolvido.
Toda esta situação já teve início há algum tempo e cada vez parece mais que a nossa linha de internet e a sua consequente velocidade se estão a denegrir com o passar dos anos. Ainda para mais, agora que grande parte dos habitantes de zonas que possam não ser equipadas com fibra ótica se deparam com uma única opção – a de realizar teletrabalho-, só deveria surgir mais preocupação com todo este cenário.
Para reforçar ainda mais a necessidade desta luta, quero referenciar as inúmeras queixas de todos os habitantes locais acerca da velocidade da internet e o quão é difícil terem a mesma produtividade – principalmente laboral - com estes serviços decadentes. É importante lembrar que não são apenas as pessoas que vivem em zonas mais desenvolvidas que estudam e que têm profissões que podem ser exercidas via web – tal como existem professores formados nas cidades, também os existem nas aldeias.
Parece-me que é exigido, portanto, que a qualidade dos vossos serviços melhore – são imperativas as mudanças! Não é justo continuarmos assim porque, nos dias que correm, tudo isto afeta a nossa produtividade diária. Como já referi anteriormente, não é uma situação que tenha surgido há pouco tempo – nem tampouco quando entrámos na quarentena -, mas sim algo recorrente e que já é alvo de um longo histórico de reclamações. O que deve importar aqui em especial é que, agora, ainda mais é importante o fornecimento dos seus melhores serviços, por parte das empresas, aos seus estimados clientes, pois eles são estritamente necessários e a sua qualidade influencia, por vezes, em grande escala, a vida pessoal de cada um.
É dado adquirido que muitas aldeias ao redor já estão munidas com o sistema rápido e eficaz da fibra ótica, excetuando-se a nossa – não é plausível nem muito menos compreensível. São muitos os boatos sobre uma possibilidade de uma breve instalação de fibra ótica – que, por acaso, já chegou a milhares de casas portuguesas -, mas, na realidade (na prática), não parece que nada esteja garantido nem que hajam implementações para breve.
Estando os habitantes do Vale da Serra – freguesia de Pedrógão, concelho de Torres Novas – a sair prejudicados pela falta deste serviço mais atualizado, devemos agir de forma unânime, interiorizados de que temos todos o mesmo objetivo, e reclamar para com quem devemos. Por termos o direito de expor os nossos problemas e lutar pelos melhores serviços, devemos fazê-lo. Não podemos continuar a “comer e calar”, como todos estes gigantes tecnológicos nos incutem a fazer. Precisamos de estar cientes da situação e tentar.
Por todas estas razões, na minha maneira de ver, precisamos de exigir e impor alterações.