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Contra a Barragem Vale das Botas no Rio Alva

Para: Exmo. Sr. Presidente da República, Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República, Exmo. Sr. Primeiro-Ministro,

English version below

Petição contra a Barragem e Central Elétrica em Vale das Botas
( Meda de Mouros, Concelho de Tábua e Côja, Concelho de Arganil )

Exmo. Sr. Presidente da República,
Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República,
Exmo. Sr. Primeiro-Ministro,


Nós, abaixo assinados, somos contra a construção da Barragem e Central Eléctrica no rio Alva, a desmatação e desarborização de 196,66 hectares de vegetação ripícola. Este projecto, datado de 2010-2012, compreende a construção de um açude de betão com 13,5 metros de altura, um estaleiro (área de construção com um mínimo de 2.500 m2) e uma central eléctrica. Ao ser concretizado, a obra iria alterar o nosso lindo rio Alva para sempre.

Por isso gostaríamos de nos insurgir, enquanto cidadãos desta região da Beira Alta, contra este atentado ambiental e solicitar a intervenção de V. Exas. para se anular definitivamente o projecto mencionado em prol da protecção tão necessária de uma Natureza cada vez mais devastada.

Reiteramos aqui os motivos factuais que fundamentam a nossa posição desfavorável em relação a este projecto:

1. Desmatação e desarborização total de um corredor arbóreo de 196,66 hectares, para que sejam inundados com o intuito de criar uma albufeira com um comprimento de 3,5 km, entre Côja e Meda de Mouros. A destruição da natureza existente seria total também nas outras áreas afectas à construção da barragem. Durante a construção, veículos pesados iriam atravessar as povoações durante, pelo menos, 16 meses.

2. A barragem em causa iria apresentar uma eficiência em termos de produção energética bastante reduzida. Em termos comparativos, uma eólica produz 2 a 5 vezes mais energia e existem na região parques eólicos instalados com capacidade de ampliação. Produção de energia eléctrica a partir de recursos hídricos constitui uma técnica obsoleta cuja eficácia já há muito contestada pela ciência.

3. A qualidade da água e a vida no rio vão alterar-se. De momento, a qualidade da água na zona de Vale das Botas é notavelmente melhor do que nas proximidades de Côja, e com esta barragem iria piorar substancialmente. Os peixes, lontras e outros animais iriam perder o seu habitat natural.

4. Nadar no rio Alva ao longo destes 3,5 km de albufeira já não seria possível, e todas as praias fluviais, ex-libris de uma região seriamente afectada pelo grande incêndio de Outubro de 2017, iriam desaparecer. É perigoso nadar ao pé de um açude de uma central hídro elétrica. No parecer emitido para o projecto, coordenado pela Associação Portuguesa do Ambiente, diz mesmo que se espera uma quebra de conectividade fluvial.

5. A electricidade produzida na barragem seria caríssima. O Estado propor-se-á a pagar 90 euros por megawatt/hora ao invés de custear 45 euros, uma tarifa garantida com um regime de licenciamento agilizado como o que existe para os parques eólicos. Tal medida apenas beneficia o investidor e não os contribuintes. Temos de suspender a subsidização desnecessária de energia!

6. Foi uma empresa privada espanhola que ganhou o direito de fazer o investimento, apesar de existirem fortes oposições de poderes municipais envolvidos. Portugal sou perde com isto!

7. Esta barragem constitui mais uma ameaça para o Interior, uma região de Portugal já extremamente afectada e fragilizada por uma desertificação acentuada, incêndios florestais devastadores como os de 2017, e mais recentemente a ameaça da exploração de lítio. Chega de uma mentalidade de extracção para a nossa região. Exigimos uma estratégia de valorização e não de delapidação dos recursos!


8. Preocupamo-nos com a herança que vamos poder deixar aos nossos filhos e netos. As gerações vindouras têm o direito ao mesmo mundo de biodiversidade tal e qual nós o conhecemos.

9. O nosso micro-clima ir-se-ia modificar drasticamente. A barragem iria aumentar enormemente a superfície da água e os níveis de humidade iriam sofrer um acréscimo, com nevoeiros matinais diários, o que iria ter um impacto nefasto sobre a produção de azeite e outras culturas. Temos muitas oliveiras em Meda de Mouros e arredores, factores de extrema importância para a subsistência dos pequenos agricultores da zona.

10. Meda de Mouros é agora uma mancha verde no meio de uma área que ardeu por completo em 2017. Urge manter a pouca natureza intacta que temos e nós propusemo-nos a protegê-la com todos os meios ao nosso alcance.


A concessão dos direitos de exploração destas barragens correspondem a políticas de anteriores executivos ligados a José Socrates, Primeiro-ministro de Portugal entre 2005 e 2011, que alienou património do país e concedeu o direito de destruir a nossa terra e extrair os nossos recursos a empresas privadas.
O projecto desta barragem em específico, pretendia em 2010, reforçar a conformidade do Estado português no que dizia respeito ao Protocolo de Quioto. Ora, o objectivo de Portugal de atingir 31% de energias renováveis consumidas em 2020 já foi alcançado. De acordo com a REN, em Janeiro deste ano, as fontes de energia renovável contribuíram com 68,17% do total da geração de electricidade. Neste contexto, a construção de uma hídrica no rio Alva está desprovida de qualquer sentido.

As margens do rio Alva devem ser mantidas e preservadas, valorizadas com intervenções que criem um valor real para a região, nomeadamente com a criação de passadiços ao longo do curso fluvial, trails de passeios a pé e muito mais. São estas medidas que realmente podem contribuir para um aumento estrutural do turismo na região.

Juntos podemos: salvar o nosso rio com os seus habitantes, toda uma vegetação ribeirinha e 11 edifícios antigos/ocorrências patrimoniais, dos quais 10 iriam ficar submersos!

Na expectativa de uma resolução,

atentamente,



(abaixo assinados)


6 de Março de 2020







Petition against the construction of a hydro dam in the Rio Alva ( Meda de Mouros, Côja )

We want to stop the plans to build a hydro dam in the River Alva at Vales das Botas in Meda de Mouros, between Côja and Secarias. An area of 196,66 hectares of nature will be destroyed so the water can rise for 3,5 kilometers along the valley. The concrete dam will be 13,5 meters high and will change the river forever. It will have big effects on river beaches along the river. This development will have both a negative environmental and socio-economic impact because nature will be destroyed and any river tourism will stop existing. River life for people & animals will drastically change, this plan contributes to biodiversity loss and destruction of existing ecosystems.

Here are 10 reasons why we are against:

1. Deforestation of native forest of an enormous area ( 196,66 hectares)

2. This type of dam only produces a small amount of energy. One windmill produces up to 2x more energy and damages less nature. The benefits of these dams are already outdated and science has proven there are other alternatives for renewable energy.

3. The water quality and life in the river will become dramatically worse. Fish, otters and other animals will lose their habitat, and the migratory fish won't be able to reproduce.

4. Swimming in the River Alva will change and become dangerous in certain areas. River Beaches in Meda de Mouros will disappear. The water level will rise quickly when the dam is opened which creates dangerous situations.

5. Electricity produced will cost the government double the money they pay now, buying it from EDP, through the large renewable energy technology that is already in place ( hydro dams and wind turbines ).

6. This part of the valley was sold to a private Spanish company who are allowed to build the hydro dam. The Portuguese economy nor the local community will benefit. So for the Portuguese it is loss after loss.

7. The green interior of Portugal already suffers greatly from desertification. The destruction of nature causes huge threats to the people and animals that live there. The threats are: forest fires, plans for lithium mining and now plans for this destruction of the river.

8. Ecocide is a crime. We want our children and grandchildren to be able to enjoy nature just like we did.

9. The micro climate along the river will change drastically. Because of the increasing water surface the humidity level will become much higher. Mist will affect the many olive trees in the area of the hydro dam. Meda De Mouros has a large amount of olive trees and a very active olive oil-press.

10. Meda de Mouros is now a green oasis in a severely burned area, by the fires of 2017. Let's stop the destruction of more nature and protect what we have.

Defend our rivers, land and ecosystems! Say NO! Please sign this petition.

The plans for this hydro dam date back to 2010-2012 when former prime minister José Socrates ( prime minister in Portugal from 2005-2011) sold the rights to build 12 river dams to private companies. A Spanish company bought the rights back then and now wants to start building. There was a strong resistance from the local communities at that time as well and it now suddenly started again!

We call upon everybody to help us prevent another disaster from happening. Government and industry should be stopped from prioritizing profit over people and planet any longer!!

We want to keep the river in tact. Protect the natural heritage for future generations. The nature and the many river beaches attract many visitors and tourism which is an important economic factor for this region.
The river Alva could be used even more as an touristic attraction by restoring and creating walking trails along the river, organize supping & canoeing events etc. With the construction of the hydro dam all these options are gone forever!

Together we want to save our river from further destruction. Save the vegetation, trees and animals, the 10 ruins and old water mills along the river banks that would be under water after the building of the hydro dam.

SIGN THE PETITION AND SHARE IT WITH OTHERS. TOGETHER WE ARE STRONG.

Obrigada!







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