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Obras Já na Escola da Pousa

Para: Ex.mo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Barcelos

Petição para exigir ao Ex.mo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Barcelos "Obras Já na Escola da Pousa" à tantos anos prometidas!

Este é o estado da nossa Escola:

- Sem saneamento básico ligado à rede pública, com fossas sépticas que são descarregadas com tratores em frente aos alunos;
- Instalações sanitárias onde as crianças se recusam lá ir com medo por causa do elevado estado de degradação, de salientar que estas instalações são as únicas e situam-se no exterior da escola;
- Potência elétrica insuficiente para ligar aquecedores. As crianças são obrigadas a usar mantas durante o decorrer das aulas;
- Salamandras a lenha para climatizar algumas salas, sendo estas evacuadas constantemente com o excesso de fumo;
- Repleta de infiltrações, nos períodos de chuva, chove mesmo dentro das salas de aulas e refeitório;
- Com cobertura em amianto degradado;
- Com buracos na caixilharia em madeira que tem já mais de 50 anos, com entrada de correntes de ar;
- As crianças para irem almoçar têm de fazer um percurso sinuoso de 300 metros à chuva, com umas escadas perigosas, tendo de regressar no final da refeição pelo mesmo percurso;
- Sem abrigo para as crianças brincarem ao ar livre quando está chuva ou frio, estando confinadas nas salas de aula durante dias, entretidas com filmes.




Segue a Carta Aberta ao Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Barcelos redigida pela Associação de Pais da escola EB1/JI de Pousa:

Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Barcelos

Pensámos muito antes de lhe enviar esta carta, porque o formato e o meio teria que ser diferente, das muitas cartas que diariamente lhe chegarão às mãos. Assim, o melhor seria torná-la pública porque sendo V. Exa. titular de um cargo público, decerto que aquilo que lhe diz respeito, dirá também a todos os barcelenses ou melhor ainda a todos os portugueses.

Somos uma Associação de Pais de uma Escola, do concelho de Barcelos, de uma freguesia que se encontra esquecida aos olhos do Município (Freguesia da Pousa).
Como dizia o poeta, escritor, investigador e professor, António Gedeão, “o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.” Nós também vivemos de sonhos, mas não esperamos impávidos e serenos que os mesmos se realizem. Fazemos com que se realizem!

Há vários anos que nos debatemos com problemas, como todas as Escolas, mas sempre tentámos ultrapassar os mesmos, com trabalho, com o nosso tempo, e sobretudo, com muita imaginação. Mas, e nestas coisas há sempre um “Mas”…a imaginação acaba onde começam as burocracias, o trabalho esbarra muitas vezes nas leis que fomentam entropias, e o tempo esgota-se, de braço dado com a paciência…

Uma vez mais, dirigimo-nos a si, porque continuamos a acreditar que terá a mesma vontade e o mesmo ânimo que nos assiste, em fazer mais e melhor pela Escola, pela Educação e pelos alunos, e é aqui que lhe queremos contar, porque decerto quererá ler esta missiva até ao fim, as dificuldades com que nos deparamos.

A nossa Escola, Senhor Presidente, é constituída por dois edifícios independentes, um edifício ao qual apelidamos de “centenário”, onde é frequentado pelas crianças do 1º ciclo e outro mais recente, mas que ainda assim já tem cerca de 40 anos de existência, frequentado por crianças do jardim de infância. Na totalidade, estes edifícios acolhem cerca de 120 crianças em tempo letivo. Com tudo isto, gostaríamos de partilhar com o Senhor Presidente, as verdadeiras condições em que as crianças estão sujeitas no seu dia-a-dia.
No edifício “centenário” salta-nos à vista a prepotente fachada, seguindo um estilo arquitetónico conhecido como “Português Suave”, inserida no projeto de construção de escolas de larga escala, dando o nome de “Plano dos Centenários”, datado entre 1941 e 1969, levado a cabo pelo Estado Novo, mais propriamente pelo governo de Salazar. Nessa mesma fachada, encontra-se incorporada uma magnifica caixilharia em madeira, magnifica na altura em que foi construída, pois na atualidade encontra-se completamente arcaica, com várias fissuras, permitindo a passagem de luz natural, assim como a passagem de correntes de ar frio, provocando mal-estar nas crianças e professores. Os vidros, ainda do tempo da construção, “coitados” já pouca força têm para se segurarem à caixilharia. As crianças para se conseguirem aquecer têm de levar umas mantinhas peludas, porque na sala de aula existe um sistema de aquecimento chamado Salamandra, onde se coloca lenha e em dias muito ventosos, é necessário evacuar a sala de aula, porque o fumo faz o caminho inverso e invade a sala. A limpeza do chão das salas de aula é feita com água, mas de um modo muito criativo, ao invés de se usar uma esfregona, usamos uma MANGUEIRA, como se estivéssemos a lavar o nosso carro, isto porque, as frinchas entre as tábuas são tão largas que a sujidade acomoda-se nesses locais impossibilitando a limpeza de forma normal. Além das paredes terem imensa humidade e estarem a descascar, é de salientar as diversas vezes em que o contador da eletricidade vai abaixo, porque não aguenta com a luz normal, mais o computador e o quadro interativo, danificando o material pedagógico. Em dias de chuva, as crianças são obrigadas a permanecer dentro das salas de aula na hora do recreio, pois não existe um espaço físico com cobertura e que seja acolhedor. Na hora do almoço são obrigadas a deslocarem-se por entre a chuva para o refeitório, e já sabemos como são as crianças, adoram chapinhar nas pocinhas. Quando lhes dá a vontade de fazer as suas necessidades fisiológicas, elas tentam por tudo aguentar até chegar a casa, porque têm medo de entrar nas nossas casas de banho. O chão continua em cimento, nas paredes já lhes faltam pedaços de reboco, novamente a humidade a apoderar-se das instalações. No Verão é agradável frequentá-las porque corre sempre uma brisa, agora imagine como será no Inverno, ter de colocar uma parte do nosso corpo exposta. E não podemos esquecer que o esgoto é encaminhado para uma fossa séptica, onde depois de atingido o seu limite é recolhido por um trator com uma cisterna, tendo as crianças a oportunidade de visualizar todo o processo para um enriquecimento ainda mais alargado.
Relativamente ao edifício mais recente (mas já com 40 anos de existência), onde frequentam as crianças do Jardim de Infância, podemos comunicar que a sua cobertura é composta por placas de fibrocimento (proibidas por lei), algumas delas encontram-se partidas e numa fase avançada de deterioração, possivelmente estando a libertar partículas de amianto, comprovadas como sendo cancerígenas. Nos dias em que as condições climatéricas são menos favoráveis, podemos sempre contar com infiltrações no edifício, chovendo no polivalente, no refeitório, no corredor de acesso às salas e nas próprias salas. Não esquecendo que com as infiltrações, as partículas de amianto aproveitam a boleia. Neste edifício não existe sistema de aquecimento, apenas os aquecedores a óleo portáteis. Na cobertura do edifício, existem uns plásticos a vedar os vidros de maneira a tentar controlar as infiltrações.
E neste edifício as casas de banho já se encontram em melhor estado.

No Parque Infantil existe uma fuga de água gigantesca, ao qual já foram alertados os técnicos da Câmara, fazendo-se deslocar ao local e nada terem feito. É de salientar que existe um desperdício de milhares de litros, de um bem que é escasso no nosso planeta e nada está a ser feito, a não ser a Câmara estar a pagar uma fatura em que mais de metade do consumo não é usufruído. Vai diretamente para os esgotos sem passar pelas torneiras.

Concluímos assim que esta Escola, em termos económicos, deu muito a ganhar ao Município de Barcelos, gerando mais poupança e permitindo investir noutros setores, pois foram raras as vezes em que teve uma intervenção significativa, pelo contrário, foi tendo um tratamento de remendos, de maneira a tentar aguentar até iniciar a sua requalificação, mas já se passaram 15 anos desde a primeira promessa. Promessa essa que consistia em construir um Centro Escolar onde iria albergar crianças da Pousa, bem como crianças de freguesias vizinhas. Mas a politica fala mais alto e não se olha ao que é mais vantajoso ser feito, mas sim ao que dá mais jeito ser feito, como requalificações de escolas que neste momento encontram-se fechadas.

Senhor Presidente, a Escola que os nossos filhos frequentam, e na qual trabalham professores e funcionários do Estado, não têm condições de higiene e limpeza aceitáveis e isto é intolerável! No seu Gabinete, Senhor Presidente, cremos que esteja confortável com a temperatura, podendo optar por colocar mais fresco ou mais quente, que não há nenhum dia em que o pó não seja limpo e o chão devidamente lavado e aspirado. Imagine o que seria, se o fizessem apenas uma vez por semana e por lá passassem centenas de pessoas.

E com isto, nós interrogamo-nos como é possível Barcelos ser reconhecida como a Cidade Educadora, quando não cuida nem protege os direitos das suas crianças, aliás, colocando-as diariamente a correr gravíssimos riscos para a sua saúde.

A tudo isto, Senhor Presidente, nós temos assistido com compreensão, com paciência e com uma premissa: em primeiro lugar está a Educação dos nossos filhos. Mesmo que as condições não sejam as melhores, não vamos desistir.

Escola fechada não ensina, Senhor Presidente!

Senhor Presidente, retomando António Gedeão, “…o mundo pula e avança, como uma bola colorida, entre as mãos de uma criança…”. Não retire a bola às crianças Senhor Presidente! Dê-lhes as condições de que necessitam para ter um futuro melhor, tendo direito a condições mínimas para aprender, para que, com o nosso exemplo, possam fazer ainda melhor no futuro.

Agradecendo desde já a sua atenção a esta missiva, que decerto leu com curiosidade, ficamos a aguardar também notícias suas… Não nos deixe abrir noticiários por a Escola estar fechada, ajude-nos sim, a ser notícia porque daqui saíram alunos brilhantes, já que para isso lhes foram dadas condições.

E se algum dia quiser saber de nós, ou das nossas preocupações, é fácil encontrar-nos, normalmente andamos por aqui pela Escola, a ajudar…

Atenciosamente,
A Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola EB1/JI da Pousa, em Barcelos



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