Contra a plantação de Árvores de grande porte na Muralha de Valença do Minho
Para: Ex.mo Sr. Primeiro Ministro, Ex.ma Sr.a Ministra da Cultura, Ex.mo Sr. Presidente da Câmara de Valença do Minho
Desde o início de Julho de 2019 que se estão a plantar 12 (doze) Pereiras Bravas, árvores de grande-porte que atingem até 15 metros de altura, no topo do pano de muralha da Gaviarra na Fortaleza de Valença do Minho.
Este pano de muralha é um dos suportes estruturais de toda a fortificação e fica assim ameaçado de forma grave. Raízes de árvores desta envergadura em pouco tempo destruirão a estrutura. Entre outras resumimos as nossas questões nas seguintes:
Quanto ao conceito
1.º A solução desenvolvida em torno do conceito de espaço exterior urbano diverge do expectável no contexto de uma estrutura defensiva.
2.º Compromete a leitura e dificulta a interpretação da estrutura abaluartada, obra relevante que tem vindo a justificar a solicitação de inscrição de Valença na lista do Património Mundial da UNESCO.
Quanto à paisagem
3.º A plantação dos alinhamentos de árvores ao longo dos baluartes condicionará cada vez mais o perfil de Valença do qual se destacam os baluartes, atenuando o tradicional contraste entre edifícios de fachadas brancas luminosas e os gigantescos paramentos de granito das linhas defensivas que os encerram.
4.º Ao fim de alguns anos após plantação, observadores (principalmente quando colocados a cotas inferiores às da estrutura defensiva) apenas reconhecerão a estrutura terraceada coberta por algo parecido a bosquetes (nem sempre atractivos por seguirem o ciclo anual de perenifólias e caducifólias).
5.º O desenvolvimento das copas criará uma barreira visual que condicionará relações visuais, tanto do interior para o exterior, como principalmente do exterior para o interior.
Quanto à integridade das estruturas defensivas
6.º A plantação de arbustos e árvores nos parapeitos da estrutura defensiva virá a comprometer a respectiva integridade, tanto pela acção continuada das raízes nas argamassas e juntas como pelo efeito de alavanca dos exemplares em caso de ventos extremos.
7.º O aumento de biomassa nos coroamentos, taludes e torrões pode vir a revelar-se lesiva por acentuar a instabilidade dos mesmos.
8.º O ensombramento de coroamentos e taludes pode comprometer a respetiva estabilidade e acentuar a erosão por falta de revestimento vegetal.
10.º A CMV deverá reformular rotinas, assegurar a manutenção e a monitorização das árvores e dos pavimentos envolventes.
Quanto à integridade do casario
11.º Recorde-se que por questões práticas sempre se preteriram árvores nos centros urbanos, principalmente fortificados.
12.º Estas árvores e arbustos progressivamente afetarão infraestruturas, principalmente as de água;
13.º Exigirão a intensificação de operações de manutenção, tanto em exteriores como nas casas dada a dispersão da folhada e raízes (sargetas, algerozes, valetas, etc.)
14.º Poderão contribuir para alterações significativas dos níveis de humidade no solo.
15.º Em casos extremos podem servir de ponte a faúlhas e a incêndios sequentes.
Vantagens ambientais
16.º Não há grandes vantagens em termos ambientais para além do eventual ensombramento esporádico do caminho que acompanha os baluartes (dependendo das horas do dia e da época do ano). A envolvente de Valença é suficientemente verde.
Quanto aos habitantes
17.º Valença encerrada dentro de uma fortificação não quer mais barreiras, mesmo que sejam verdes. Valença precisa de Sol e da Paisagem.
Vimos chamar assim a vossa atenção para que o mais rápido possível se reverta esta situação.
Com os melhores cumprimentos
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