Apelo contra o uso de herbicidas sintéticos em todos os espaços públicos.
Para: Junta de Freguesia da Luz e Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa
Apelo contra o uso de herbicidas e pesticidas em todos os espaços públicos
Exmos. Srs. Presidentes da Junta de Freguesia da Luz e da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa.
Após ter tomado conhecimento dos riscos ambientais e graves consequências na saúde da aplicação de herbicidas sintéticos, com destaque para os herbicida com glifosato, por ser o mais usado em todo o mundo,
venho por este meio apelar-lhes para que seja abandonado por completo o uso de herbicidas em todos os espaços públicos e que adiram à iniciativa "Autarquias Sem Glifosato".
O glifosato atua nos animais como desregulador hormonal e cancerígeno, mesmo em doses muito baixas, que podem ser absorvidas nos alimentos e na água de consumo, supostamente “potável”.
Este herbicida é arrastado (pela água da chuva, da rega ou de lavagem, em conjunto com um resíduo também tóxico resultante da sua degradação), para a água, quer a superficial (rios, ribeiros, albufeiras e lagos), quer a subterrânea.
Nos países testados, mais de metade das águas superficiais analisadas tinham resíduos de glifosato e/ou de AMPA, o seu metabolito tóxico. Analises mostram que estes resíduos tóxicos encontram-se também em grande quantidade de alimentos, incluindo vinhos e leite, mas também no nosso corpo e até no leite materno.
Estas novas evidências científicas revelam que a avaliação toxicológica do glifosato e dos seus adjuvantes foi subavaliada pelas autoridades oficiais, em parte por se basearem apenas nos estudos apresentados pelas empresas fabricantes e espera-se que a sua utilização venha interdita por completo o mais breve possível.
Por outro lado, a nova lei sobre o uso de pesticidas em Portugal (Lei n.º 26/2013, de 11 de Abril, que transpõe a Diretiva 2009/128/CE), contempla a aplicação destes produtos em espaço urbano apenas como o último recurso e define regras estrictas de utilização que nas nossas condições geográficas e climatéricas são impracticáveis.
Mas igualmente porque existem outros meios para combater as plantas infestantes, vulgo ervas, tais como os meios mecânicos, térmicos ou manuais e por vezes nem se justifica uma tão grande eliminação, pois as ervas têm diversas vantagens (protegem o solo, aumentam a biodiversidade),
pede-se que seja abandonado por completo o uso de herbicidas sintéticos em todos os espaços públicos.
Venho também pedir-lhes que assinem e apoiem o “Manifesto de adesão – Autarquia sem Glifosato”, em que a divulgação das primeiras autarquias subscritoras (municípios ou freguesias), realizou-se a 24 de Outubro de 2014, junto dos meios de comunicação, (http://www.quercus.pt/campanhas/campanhas/autarquias-sem-glifosato/3947-mapade-autarquias-sem-glifosato), que será regularmente actualizada com a informação recebida.
Com esta divulgação pública a Quercus e a PTF realçam e mostram como exemplo a seguir os concelhos e freguesias cujos executivos se comprometeram a deixar de aplicar herbicidas sintéticos no controle de plantas infestantes em zonas de lazer, vias públicas e todos os restantes espaços sob a sua responsabilidade.
Agradecendo toda a atenção dispensada a este apelo, despeço-me,
Com os meus melhores cumprimentos,