Contra a massificação dos airbnbs
Para: Pessoas, empresas,
São moradores dos bairros históricos de Lisboa, expulsos das casas. Estão em "resistência" com o apoio do presidente da junta
"Tenho 79 anos. Nasci na casa onde sempre vivi, em Alfama. Foi preciso vir uma miúda com vinte e tal anos para me expulsar. Pois eu dali só saio morta!" Chama-se Felicidade Silva mas o seu rosto idoso e cansado não mostra o estado de alma do nome. Recebeu uma saraivada de palmas depois do seu testemunho, a atestar bem a solidariedade que une os moradores nos cinco bairros históricos da junta de freguesia Santa Maria Maior (Alfama, Baixa, Chiado, Castelo e Mouraria), em Lisboa, reunidos ontem em assembleia no Palácio da Independência para a iniciativa "Os Rostos do Despejo".
Despejados, com data marcada para deixarem a casa onde alguns nasceram e criaram os filhos, esses rostos têm nome, são "gente de carne e osso", como disse o presidente da junta, o socialista Miguel Coelho, autor desta campanha contra o esvaziamento do coração histórico da cidade em nome dos interesses imobiliários e turísticos.
O despejo e o desprezo não escolhem idade. Inês Andrade é um dos rostos novos na lista, já bem conhecida dos lisboetas pelo seu papel à frente da associação Renovar a Mouraria. Foi uma das pessoas que se levantou para dar o seu testemunho: "Vivi na Mouraria desde 1999 até ao final do ano passado, altura em que o senhorio decidiu aumentar-me a renda de 500 para mil euros. Procurei casa mas está impossível." Na Renovar Mouraria Inês tem recebido "todos os dias dezenas de pessoas que estão a receber ordens de despejo".
Pensem nisto senhores investidores.
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