Viabilidades para que pessoas com debilidades físicas possam usufruir do metro
Para: Assembleia da República, Exmos Srs Deputados, Sras Deputadas, Presidente da República, Primeiro-Ministro
Bom dia,
Chamo-me Ricardo Costa Barata, tenho 19 anos, sou portador de paralisia cerebral, mas o meu nível cognitivo é normal e já acabei o 12º ano, no curso de humanidades. Faço parte de uma família monoparental, a minha mãe está sozinha comigo e com o meu irmão, o meu pai vive em Londres, pagando só a pensão de alimentos.
Passei na Escola D. Dinis em Odivelas, onde fiz o 1º ciclo todo, sem falhas. Nos 2º e 3º ciclos, estive na Vasco Santana também em Odivelas, fazendo desde o 5ª ano ao 9ºano, também sem falhas. Nessa escola, houve um professor que marcou-me muito e gosto muito dele, chamado António Silva, de Português. Finalmente, no secundário, esses foram os anos mais felizes da minha vida, também sem falhas, aqui gostaria destacar os meus colegas que estiveram ao meu lado e sempre me apoiaram, também gostaria de destacar alguns professores, como, Célia Tomás, de Filosofia, António Fazeres, de Psicologia, Olga Pinto de Geografia, Sónia Viegas, de Educação Física, Teresa Gaspar, que este ano conseguiu que fosse fazer o rapel e o slide, e Ana Andrés, de História, que acreditaram sempre em mim, dizendo, que conseguia fazer mais e melhor.
Em Junho, as professoras de Educação Especial e a de Educação Física, levaram-me a um torneio de Boccia, no Lumiar, e eu fui com a cadeira elétrica, saímos na Estação Quinta das Conchas, onde tem elevadores, mas às vezes, as estações que têm condições, os elevadores podem estar avariados, mas felizmente correu tudo bem. Deparei-me só com um problema que foi a entrada para a carruagem, tem um degrau, onde não posso entrar sozinho com a cadeira de rodas, as professoras tiveram que me ajudar a entrar.
Tento fazer a minha vida igual à de todos os jovens da minha idade, desde que não surjam limitações que não dependam de mim, já fiz rapel, slide, já participei num torneio de Boccia, saio ao fim de semana com os meus amigos para me divertir, mas sempre dependente que os professores, ou os pais dos meus colegas me levem porque não temos transporte próprio.
Agora, chegou a altura que eu tanto ambicionava, ir para a faculdade, para arranjar um emprego, poder ajudar a minha mãe que tanto tem feito por mim deixando-se ficar sempre para segundo lugar até muitas vezes prejudicando o meu irmão que sendo mais novo que eu 6 anos pequeno que tem a responsabilidade de me ajudar e só encontro problemas e dificuldades, principalmente por causa da minha mobilidade reduzida.
O meu objetivo é conseguir arranjar um emprego para conseguir ajudar financeiramente e economicamente a minha família. Vai envolver uma licenciatura que durará três anos, mais dois anos de mestrado Onde, certamente irei fazer novas amizades, organizar projetos, ajudar nos eventos da faculdade, entre muitas outras coisas.
Eis os problemas que estão a surgir: No Metro, a estação da Cidade Universitária que dá acesso à Universidade Nova de Lisboa, não tem acessos para pessoas com mobilidade reduzida, tal como a estação do Campo Grande que dá acesso ao ISCTE. A Carris tem algumas camionetas adaptadas para estas situações, mas nem todas passam por Odivelas. A Carris tem algumas camionetas adaptadas para estas situações, mas nem todas passam por Odivelas. A minha família, os meus amigos, está tudo a procurar soluções para que eu vá, mas não está a ser nada fácil.
Será que é justo, depois do percurso académico que tenho tido, e de todas as dificuldades que venho a enfrentar e a superar desde criança, ficar agora em casa, impedido de continuar a estudar e vir a ter uma vida profissional como uma pessoa normal que sou, que me considero, apesar das limitações que possuo? Será que também podem-me ajudar a conseguir transporte?
Com os melhores cumprimentos,
Ricardo Barata
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