Petição a favor da intervenção urgente da ONU na Síria
Para: Exmo.Sr.Secretário-Geral da ONU, António Guterres
Tenho tentado ignorar a guerra na Síria.
Tenho escolhido não ver as imagens de crianças e adultos com o corpo coberto de pó misturado com sangue. Tenho ignorado para preservar o meu equilíbrio emocional, porque quando não ignoro, vejo homens a carregar corpos de crianças, mortas ou desmaiadas, vejo mulheres e crianças em desespero, a gritar e em pranto, vejo hospitais em ruinas, sem condições nem dignidade e então, dentro de mim cresce revolta, dentro do meu peito, cresce esta raiva!
Quem consegue ver e continuar indiferente?!
Quem consegue afastar esta mão que aperta o coração, que depois sobe e estrangula a garganta?! Quem consegue reprimir as lágrimas!? Tantas crianças!
Cheguei a esse ponto de não conseguir mais lidar com a frustração; impotente, sem nada que pudesse fazer, sem meios para salvar, resgatar, ajudar. Sem qualquer influência sobre aqueles que organizam os ataques, os Senhores da Guerra; sobre aqueles que lançam bombas ou primem o gatilho, os soldados.
Tenho então tentado esquecer a Síria, para me poupar ao que sinto cá dentro, a este pesar.
Tenho tentado não ouvir, não ver, não falar. Escolhi ignorar, escolhi o silêncio.
Foi assim até perceber que o meu silêncio protege os culpados e, se escolho ignorar, condeno inocentes. Não quero ser cúmplice naquilo que, em plena consciência, considero barbárie. A guerra na Síria é uma barbárie!
Há poder na Voz quando esta não fica calada. Há poder nas palavras.
Não tenho mais nada, mas posso usar o que tenho; e assim, já não escolho o silêncio, escolho a Voz!
Andei a evitar…que parva! Que é, afinal, o meu pesar comparado com o sofrimento de uma nação?!
Exmo. Sr. Secretário-Geral da ONU, António Guterres;
Exmos. Srs. dos 193 (?) Estados-Membros;
Investiguei sobre a ONU, mas não consegui ter a certeza de quantos estados-membros fazem parte.
Li que alguns dos objetivos da organização passam por ajudar a manter a segurança e a paz mundial, por ajudar a promover os direitos humanos e no auxílio ao desenvolvimento econômico e ao progresso social, assim como também na intenção de proteger o meio ambiente e providenciar ajuda humanitária em casos de fome, desastres naturais e conflitos armados...
Sendo assim, Exmo. Sr. Secretário-Geral, Exmos Srs. dos 193 Estados-Membros:
Por favor, ajudem a parar esta guerra!
Ajudem a que cesse a morte de civis, homens, mulheres e crianças, ajudem a que cesse a destruição de Famílias, à aniquilação de mais lares!
Ajudem a que cesse a morte de animais e à destruição do meio-ambiente, ajudem a que cesse o desmoronamento de casas, edifícios, hospitais, cidades inteiras!
Ajudem a que cesse a ruína de milhares de postos de trabalho, ajudem a que cesse a impossibilidade ao acesso à educação, à alegria, à paz, à liberdade.
Ajudem que cesse a aniquilação de um povo, de uma civilização, à destruição de uma nação!
Por favor, ajudem a parar esta guerra, esta barbárie.
Ajudem a promover compaixão.
Compaixão não é exclusiva de dúzia e meia de privilegiados, compaixão é inerente a qualquer ser humano, independentemente da religião ou credo, independentemente da idade ou da cor da pele, independentemente de raça ou nacionalidade.
A humanidade tem queda para o Mal, bem sabemos, mas há também na humanidade este enorme potencial para o Bem!
Ajudem a promover paz e perdão.
Ajudem a tratar dos feridos, a cuidar dos traumas. Ajudem a sarar.
Porque, se não o fizerem, como evitar que um menino de 4 anos se transforme num terrorista aos 18?!
Como evitar as raízes de amargura que crescem, transformando-se em desejo de vingança? Vingança contra aqueles que viram e pouco ou nada fizeram…
Exmos. Srs. por favor, ajudem a parar esta guerra!
Primeira Signatária,
Maria Lourenço.