A minha rua de volta....
Para: Exmo. Sr.Presidente da Junta de Freguesia de Seixezelo / Pedroso
Isto é um apelo, um apelo para que me ouçam.
Estamos a esmorecer nas mãos de gente sem escrúpulos … peço ajuda….
Peço apenas uma assinatura vossa nesta petição para que eu possa mostrar o sofrimento da minha mãe , GNR, APAV, Tribunal….. nada está a funcionar…
Se tiver que ir até ao fim do mundo para recolher assinaturas para que me ouçam, então eu vou…
Exmo.Sr. Presidente ,
Desde já, o meu agradecimento por estar a ler o que lhe envio, pois acredito que não lhe devem faltar assuntos por resolver e depois as minhas mais sinceras desculpas por estar a aborda-lo desta forma, mas acredite que se ler a carta na íntegra vai entender os meus motivos.
Sr. Presidente,
Faço este ano 40 anos, nasci numa casa modesta numa das ruas da “ sua “ freguesia, Seixezelo.
Nasci, cresci, fui a escola, namorei, casei, tive filhos, divorciei me tudo naquela rua fantástica.
Sabe Sr. Presidente, eu sou do tempo em que contava os minutos para que a escola terminasse para poder correr, saltar a corda e jogar á bola naquela rua.
Os vizinhos, eram família, a panela da sopa era para 4 mas se chegassem mais 4 a sopa dava para todos.
Naquela rua, presenciei amores, desamores, desavenças, nascimentos, casamentos e funerais.
Naquela rua eu fui tão feliz.
Sabia que ainda hoje se eu fechar os olhos, consigo ouvir as nossas gargalhadas, o bater da corda naqueles paralelos tão gastos devido ao joga da corda.
Sabia que foi naquela rua que aprendi a jogar as pedrinhas, que passava horas á procura das melhores pedras??
Sr. Presidente,
Hoje a rua perdeu o brilho, não porque faltem postes de eletricidade, mas porque as pessoas fugiram.
Hoje, a minha tia que viveu naquela rua mais de 50 anos, fugiu… sim…. Fugiu.
Hoje, a minha mãe implorou para que eu a deixasse vir morar comigo, porque também vai desistir daquela rua que foi sempre a sua rua á mais de 50 anos.
Hoje, em conversa com uma amiga minha, moradora de mais uma das “ suas “ ruas, disse me que aquela rua metia medo.
Sr. Presidente,
Ultimamente o único brilho que aquela rua tem visto é o brilho das sirenes dos carros da GNR.
Sabia que durante 39 anos nunca falhei um natal na minha rua, mas este ano fui proibida de entrar naquela que sempre foi a minha casa?
Que no dia 26 de Dezembro, a minha mãe ligou me a implorar que chamasse a polícia porque estava a ser agredida, por gente que se apelida de ser dono daquela rua?
Sabia, que uma distinta advogada da nossa terra é a advogada da minha mãe e de mais algumas pessoas, todas contra essa gente, a dona daquela rua?
Eu sei que não sabe, e também não tem porque saber.
Isto é um apelo Sr. Presidente,
A minha mãe está abandonada naquela rua rodeada por gente sem escrúpulos, não quero que com estas palavras contrate algum super herói, mas que tenha a perceção que um dia destes aquela rua ( a minha rua ) será alvo de noticia de telejornal e não serão pelos melhores motivos.
Os processos na polícia, são tantos que já conhecemos todos os guardas do posto.
A sua rua, Sr. Presidente, não está de boa saúde.
A ilegalidade (poderia dar outro nome) paira naquela rua, e as pessoas estão a fugir…..
Já não me restam muitas alternativas, a polícia nada pode fazer a não ser tomar ocorrências, enquanto isso a “ sua “ rua vai deixar de ser sua para ser a rua deles.
Eu tenho nome Sr. Presidente
Raquel Bacelar , e não estou a pedir algo impossível, apenas uns minutos do seu tempo para me ouvir, para entender a gravidade da situação, para me ajudar a que no mínimo não seja o nome da minha mãe ou até mesmo o meu a aparecer num desses canais de televisão.
A minha mãe mora em Seixezelo, apenas tenho o nome da rua porque essa gente roubou lhe o portão, o número da porta e até mesmo a caixa do correio.
E todos os dias a minha mãe é insultada com nomes tão baixos que não os iria escrever aqui, ontem eles ( os donos da rua ) perseguiram a minha mãe da sua rua ate ao carro dela.
E Sr. Presidente, pode perguntar na freguesia e arredores quem é a minha família, mas se questionar algo sobre a outra gente ( os tais donos da rua ), muitos não vão falar…. O medo… as represálias … e mais não direi…. Não por escrito.
Por último, quero mais uma vez pedir desculpa pelo desabafo, pela imensidão de palavras e acredito que no fim irá pensar, “ mas que raio quer esta mulher?”
Paz e a minha rua de volta….
Um bem haja e parabéns pelo seu excelente trabalho.
Raquel Bacelar