Reabertura da Casa de Saúde Santo António, Albergaria-a-Velha
Para: Ministério da Saúde, ARS Centro, Delegação Regional de Saúde Pública e ERS
No seguimento da ação de suspensão da atividade da CHS - Santo António, SA, a 1 de Julho de 2016, vimos, por este meio, pedir à ARSCentro, à Direção Regional de Saúde Pública e à Entidade Reguladora da Saúde que se disponibilizem a efetuar uma nova vistoria já solicitada pela Administração da Casa de Saúde Santo António a 6 de Julho de 2016, de forma a poder reabrir e retomar a atividade, injusta e indevidamente suspensa.
A Casa de Saúde Santo António é uma estrutura nova, construída para Unidade de Cuidados Continuados, com 120 camas, que tanta falta fazem, na RNCCI e para Utentes Privados, no distrito de Aveiro.
A RNCCI reconheceu a competência dos profissionais da Casa de Saúde Santo António, tendo-a convidado a apresentar um poster sobre a reabilitação e rotatividade de utentes, no 10º Aniversário da RNCCI em Évora, em 6 e 7 de Junho, uma vez que teve um dos melhores indicadores a nível nacional.
A suspensão da atividade levou à transferência de 77 utentes num só dia e ao desemprego de 70 profissionais, com qualificações para as suas funções (tendo estas sido postas em causa), assim como todo o investimento privado feito nesta Instituição.
Questionamo-nos como as entidades oficiais não tiveram a percepção da necessidade desta instituição para dar respostas sociais e de saúde neste região.
Carta Aberta
TERRORISMO NAS UNIDADES DE CUIDADOS CONTINUADOS
- FACTOS -
A CHS – Santo António, SA, entidade gestora da Casa de Saúde Santo António de Albergaria-a-Velha, vem por este meio, retratar, de forma verdadeira, a medida concertada – ATAQUE TERRORISTA – levado a cabo no dia 1 de Julho de 2016, pela Autoridade de Saúde e ARS Centro:
1. Pelas 10:30 horas, a Administração de CHS foi confrontada com o auto de notificação para a suspensão imediata da atividade, pela Delegada de Saúde Dra. Iolanda Duarte. Junto com o auto de notificação estava agrafado o auto de vistoria referente à visita ocorrida a 24 de Junho de 2016. De notar que este auto de vistoria só foi dado a conhecer à Administração da CHS nesse mesmo dia do Auto de Notificação.
1.1. Este auto de vistoria de 24 de Junho faz referência à “existência de um auto de vistoria elaborado pela Delegada de Saúde da ACES Baixo Vouga, Dra. Irene Francisco, dirigido essencialmente ao sector privado desta instituição, a 6 de Janeiro do corrente ano, onde foram apontados múltiplas deficiências e “inconformidades”. Mais uma vez de notar que, este auto de vistoria de 6 de Janeiro, não chegou oficialmente ao conhecimento da Administração da CHS.
2. Logo de seguida, o Dr. Rui Melo, Diretor da Unidade de Fiscalização do Centro da Segurança Social, apresentou um auto de notificação onde referia a existência de uma ERPI (Estrutura Residencial Para Idosos) ilegal. Este auto não foi aceite nem assinado pela administração da CHS, uma vez que ali funcionava uma UCC, com serviço público e privado, com as devidas licença e autorização de funcionamento e não um Lar. Este auto foi reconhecido, pelo próprio Dr. Rui Melo, como inútil, após ter sido confrontado com as autorizações de funcionamento da Unidade de Saúde Privada, emitidas pela ERS, para as 120 camas. Tendo inclusive comentado “já pusemos a pata na argola”.
3. Após a assinatura do auto de notificação da Delegada de Saúde, começaram a entrar pela Instituição elementos da ECR-RNCCI e da Segurança Social de Aveiro e de Coimbra. Foram identificados mais de 20 elementos que assumiram a responsabilidade da transferência de todos os utentes, quer da RNCCI (Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados), quer dos Privados, dando um total de 77 utentes.
4. Estas transferências iniciaram-se por volta da hora do almoço.
Alguns utentes foram transferidos sem almoço, sem medicação e sem informação clínica atualizada, havendo viagens superiores a uma hora.
As avaliações médicas da plataforma da RNCCI – GestCare na maioria dos casos era escassa e não estava atualizada, sendo que em muitos casos apenas constava a avaliação médica do ato de admissão - com conhecimento da Diretora Técnica Dra. Cátia Lopes.
Limitados pelo tempo e pressionados para acelerar o processo, os Enfermeiros apenas fizeram cópias dos Cardex, nos casos em que isso foi possível.
4.1. De referir que há informação incorreta na plataforma da RNCCI. Algumas prescrições terapêuticas que constam na plataforma não coincidiam com a terapêutica estabelecida, em virtude de não haver registos atualizados das Avaliações Médicas. – Responsabilidade da Diretora Clínica Dra. Dulcídia Sá.
5. Os Utentes da Privada começaram a ser transferidos depois do almoço. As famílias não foram informadas previamente, inclusive algumas estavam de férias e fora do país. Muitos utentes saíram sem preparação, sem roupas, sem mediação e sem documentos. A última família foi informada às 22:00 e o último utente saiu da Instituição às 23:00 horas.
6. As razões apontadas e que serviram de justificação a dar aos familiares e utentes pelos agentes que se encontravam a executar esta operação eram de “apenas cumprimos ordens”, “trata-se de um lar ilegal” e “há maus tratos”.
7. A forma de atuação quando os últimos utentes saíram pelos portões da CHS em ambulâncias são dignas de registo:
7.1. Todos os elementos da ECR-RNCCI foram para a rua e bateram palmas.
7.2. A equipa da Segurança Social disse “Missão Cumprida!”.
8. Perante esta situação, no próprio dia 1 de Julho, a Administração da CHS, informou por email a Tutela:
8.1. o Ministério da Saúde – Ministro Dr. Adalberto Campos;
8.2. o Secretário de Estado adjunto do Ministro da Saúde – Dr. Fernando Araújo;
8.3. o Coordenador Nacional da RNCCI – Prof. Manuel Lopes.
- ANÁLISE DOS FACTOS -
1. As ordens foram dadas pelo Sr. Presidente da ARS Centro, Dr. José Tereso, que nunca falou diretamente com a Administração da CHS e nunca demonstrou interesse em visitar e conhecer a Casa de Saúde Santo António, uma unidade de saúde nova e de referência na cidade de Albergaria-a-Velha, onde até tem ligações familiares. Desencadeou esta operação, em conluio com a Coordenadora da ECR-RNCCI, Dra. Maria José Hespanha, e com a Delegada de Saúde de Albergaria, Dra. Irene Francisco e Dra Iolanda Duarte.
2. Como as entidades responsáveis acharam pertinente fazer um comunicado à imprensa antes de abordarem e de comunicarem à administração da CHS, surgiu a informação FALSA da existência de um lar ilegal. Esta informação durou pouco, pois, como já referido em cima, o próprio Dr. Rui Melo, Diretor da Unidade de Fiscalização do Centro da Segurança Social, recuou com a sua posição e acusação de ERPI ilegal, após ver as autorizações de funcionamento. Assim, como Unidade de Saúde Privada com internamento, licenciada, a “CHS – Santo António” tinha todas as condições para aceitar utentes Privados para Cuidados Continuados.
3. Os Utentes foram tratados de forma desumana e chocante, sem o mínimo de respeito pelos seus direitos e pela sua vontade. Muitos pediam para não sair e choravam, chamando pelos profissionais da CHS. Obrigados pelos elementos da Segurança Social, eram encaminhados para a entrada e para as ambulâncias, completamente desorientados.
4. As famílias, em choque, iam chegando à instituição, muitas pela informação da comunicação social. Os responsáveis por este ato acharam mais prioritário informar os media, do que as próprias famílias, que até às 22:00 da noite iam sendo informadas do destino dos seus familiares, muitos já em viagem.
Quando chegavam à CHS e observavam todo o aparato montado pelos elementos responsáveis pelas transferências, as famílias sentiam-se cada vez mais revoltadas e impotentes, pela falta de justificação e pelas informações falsas e contraditórias que lhes iam sendo fornecidas.
Às famílias foram dadas duas opções: ou aceitavam que o seu familiar fosse para outra instituição desconhecida, ou iam para as suas casas.
De reforçar que agiram contra a vontade dos utentes e familiares e, no caso do nosso sector privado, foi uma completa violação da sua liberdade de escolha.
5. Já foi referido que tanto os utentes, como os familiares negam qualquer tipo de maus tratos, antes pelo contrário, havendo, na CHS, não só a preocupação com os cuidados médicos e de enfermagem, como também com os cuidados pessoais, a simpatia e a boa disposição que faz com que os utentes se sintam bem e que ao mesmo tempo ajude na sua recuperação.
Como prova disso não há registos no Livro de Reclamações; há inquéritos de satisfação dos Utentes realizados a partir de Abril; a CHS recebe diariamente visitas de ex-Utentes; vários Utentes, após alta da RNCCI, preferiram ficar no sector privado da CHS e alguns dos Utentes privados, após admissão na RNCCI, colocaram como primeira preferência a CHS – Santo António.
6. A Administração da CHS lamenta a acusação caluniosa de maus tratos, pois esta põe em causa toda a equipa de profissionais, desde a Diretora Técnica e Assistente Social Dra. Cátia Lopes; Diretora Clínica e Equipa Médica: Dra. Dulcídia Sá, Dra. Diva Oliveira, Dra. Andreia Fernandes, Dra. Micaela Oliveira; Enfermeiros Coordenadores: Enf. Pedro Reis, Enf. Diogo Gonçalves, Enf. Sandra Sá e Enf. Rui Costa; Enfermeiros; Equipa Técnica (Psicólogo, Fisioterapeutas, Terapeuta Ocupacional, Nutricionista); e Auxiliares.
De notar que, nesta data, a CHS tinha ao serviço os seguintes profissionais: Auxiliares: 29; Manutenção: 1; Enfermeiros: 27; Técnicos Superiores: 9; Administrativo: 2; Administradores: 2 – Num total de 70 trabalhadores.
Estão a pôr em causa a formação e as carteiras profissionais dos técnicos que trabalham para a CHS, interferindo na gestão, na contratação de funcionários e na organização da Instituição.
Será que pretendem a investigação das Instituições de Ensino Superior que formaram os nossos profissionais, tanto Médicos, como Enfermeiros, como Técnicos Superiores?
Será que todos os profissionais formados por essas instituições estão em risco de serem acusados de maus profissionais e de incompetentes?
7. Neste dia, os próprios familiares opuseram-se ao que foi dito, tanto pela comunicação social, como pelos próprios elementos da Segurança Social.
O acompanhamento diário e próximo dos familiares faz com que estes sejam os melhores juízes da qualidade dos cuidados e do tratamento pessoal e profissional que era dado aos utentes e, por isso, a sua indignação ao receberem a notícia e a observarem os elementos da Segurança Social e da ECR-RNCCI a esquivarem-se de falarem abertamente sobre as verdadeiras razões, falando apenas da falta de condições e cuidados deficientes. Alguns mencionaram mesmo que havia algo mais para além do que lhes estava a ser dito.
8. Na primeira semana de Julho foi necessário recuperar do estado de choque e terror e confiar que a Tutela, perante a informação que tinha, tivesse algum bom senso e coragem para vir ao terreno e de forma imparcial e isenta fizesse a análise dos fatos reais e verdadeiros, e não forjados.
Aos profissionais e colaboradores foi pedido, pela administração da CHS, alguma serenidade, confiança e esperança, e, mais uma vez, foi reforçado que quem está de consciência tranquila, nada deve temer.
9. No dia 6 de Julho, foi requerido de imediato nova vistoria com carácter de urgência pela CHS.
10. Nas primeiras duas semanas recebemos muito apoio por parte dos familiares e dos próprios utentes. Muitos manifestaram surpresa e estranheza relativamente ao que se sucedeu na CHS e às reais razões que levaram a tal acontecimento.
Tivemos relatos de utentes que se encontram atualmente em péssimas condições e com cuidados deficientes que realmente colocam em risco as suas vidas. Algumas das falhas que nos foram relatadas são:
• Falta de arrastadeira - obrigando o marido a ir comprar;
• Falta de campainhas de chamada;
• Falta de medicação - a própria CHS disponibilizou-se a levar e facultar medicações que faltavam, para alguns utentes há 8 dias e para outros há 14 dias;
• Utentes colocados em camas extras em quartos triplos, alguns sem janelas;
• Instituições sem água quente para os banhos dos utentes;
• Utentes com necessidade de Oxigénio medicinal foram colocados no hospital, por falta de instituições com condições – a CHS tem rampas de oxigénio e gases medicinais nas 120 camas, no refeitório e nas salas de enfermagem e tratamento.
• Instituições sem elevadores, dificultando a mobilidade dos utentes;
• Utentes de Seguradoras colocados em lares de idosos, sem condições para executar os planos de reabilitação, comprometendo a sua recuperação;
• Muitos utentes tiveram agudizações do seu estado de saúde, tendo recorrido às urgências e alguns acabaram por falecer.
Exigimos às entidades superiores que façam inquéritos de satisfação às condições atuais dos nossos utentes comparando às condições e cuidados de excelência que tinham anteriormente na CHS.
- CONCLUSÃO -
1. Chegados aqui, dia 25 de Julho, e depois da CHS ter pedido nova vistoria a 6 de Julho de 2016, não há nenhuma entidade (Ministério da Saúde, ARS Centro, Direção Geral da Saúde, ERS) que queira assumir a responsabilidade do que foi feito e repor a situação.
2. Resta-nos concluir que as vistorias e as auditorias por parte da ECR-RNCCI e Saúde Pública e as suas exigências não eram feitas com a intenção de melhorar procedimentos e qualidade de serviço, mas sim produzir informação deturpada e forjada, para fazer o que lhes convinha, sem razões objetivas que justificassem estas ações desproporcionadas.
3. A RNCCI reconheceu a competência dos profissionais da Casa de Saúde Santo António, tendo-a convidado a apresentar um poster sobre a reabilitação e rotatividade de utentes, no 10º Aniversário da RNCCI em Évora, em 6 e 7 de Junho passado, uma vez que teve um dos melhores indicadores a nível nacional, no entanto, 3 semanas depois, fomos acusados de “irresponsáveis”, e de não ter “experiência” nem “competência” para gerir uma UCC.
Será que foi por não prestarmos vassalagem e não sermos subservientes ?
Este tipo de acusação e atuação por parte destas entidades, seria o mesmo se fossemos uma IPSS ou uma Santa Casa da Misericórdia?
Será que dessa maneira teríamos “experiência” e “competência” para gerir uma UCC?
Porquê só atacar Instituições Privadas?
4. Não somos os únicos, pois esta situação já ocorreu a outras instituições, sob alçada da ECR-RNCCI e ARS Centro.
5. Por isto tudo, qualquer pessoa chega à conclusão de que no dia 1 de Julho de 2016 ocorreu um ATO DESPROPORCIONADO com o consequente ALARME SOCIAL.
6. Sabemos o verdadeiro objectivo! Desvalorizar de tal forma uma Instituição destas, destruindo postos de trabalho, desacreditando carreiras profissionais, desprezando o suor e o trabalho de todos os profissionais, desconsiderando o modelo de gestão e humilhando utentes, reduzindo-os a meros números numa plataforma, para satisfazer interesses, que certamente não são os interesses nacionais.
LUTAREMOS ATÉ AO FIM
“SÓ É VENCIDO, QUEM DESISTE DE LUTAR”
|
Assinaram a petição
110
Pessoas
O seu apoio é muito importante. Apoie esta causa. Assine a Petição.
|