CONTRA AS SUBVENÇÕES VITALÍCIAS DE POLÍTICOS
Para: Assembleia da República; Presidência da República; Governo da República
É urgente manifestarmos a profunda indignação de todos os que têm vindo a pagar com o seu trabalho a crise que, sobretudo, a corrupção e a incapacidade política instauraram em Portugal. Fez-se tábua rasa de direitos que pensávamos adquiridos, nomeadamente no que a remunerações e aposentações respeita, estrangulou-se a economia diminuindo a capacidade económica de tantos portugueses, particularmente da dita «classe média», aumentou-se a pobreza e obrigou-se tantos jovens a abandonarem o País, e mantêm-se direitos(?) vergonhosos para aqueles que, ligados a interesses económicos, determinaram tal realidade.
É inegavelmente uma vergonha que a maioria tenha de trabalhar tantos anos, mais do que seria aconselhável em algumas profissões, tendo em conta os interesses dos beneficiários do seu trabalho, e haver indivíduos que ousam querer manter subvenções por alguns (poucos) anos de exercício político, cujo mérito nem sequer foi avaliado/julgado. A crise e os interesses nacionais não justificam agora o fim de um regime de privilégios, mas têm justificado a abolição de direitos dos trabalhadores, alguns com mais de 30 anos de exercício profissional.
Não sei o que é possível realizar como movimento de cidadãos, que queiram passar da revolta à ação organizada e consciente, de que modo se poderá chegar a quem tem o poder de legislar, promulgar e executar, mas tem de haver algum caminho a traçar e a percorrer contra a manutenção de direitos tão questionáveis em termos de justiça e equidade social.
Não estou certa de que aqueles que quiseram e querem manter tais privilégios pessoais possam sentir vergonha, pois só se envergonham os Homens que preservam valores éticos fundamentais, mas estou convicta de que deveremos pelo menos tentar.
Assim, proponho a criação de uma petição contra mais este saque ao erário público, que os próprios políticos depauperaram, a inércia social que permite tal injustiça e impunidade, seja esta culpa do poder político ou judicial ou de ambos. Espero que esta petição venha a expressar uma revolta profunda e consensual, a que se aliem outras ações que permitam, com correção e razão, fazer efetivamente algo pelo bem comum, pelo futuro dos nossos filhos.