Como se estava à espera, os primeiros a "banalizarem" o comportamento manifestamente abusivo do Presidente, foram os representantes dos partidos políticos visados pelo "apelo" do Presidente assim como a grande maioria dos "opinion makers" mediáticos que vivem à sombra do poder. A coligação que governa o país, como é lógico, aprovou os conselhos dados pelo Presidente. Mas o PS dela apenas destacou o facto do Presidente, com as suas declarações, ter manifestado o seu apoio a uma eventual maioria absoluta da dita coligação. Em nenhum momento o PS se insurgiu abertamente contra o comportamento "praeter" constitucional do Presidente. Em segundo lugar, como era de esperar, o grupo de "opinion makers" que vive à sombra do poder, banalizaram tiraram valor à indignação que se ouviu sentir nas redes sociais e pelos partidos políticos não abrangidos pela declaração do Presidente. Por último, não menos chocante, foi a passividade da Cidadania, das pessoas, em geral ante este episódio manifestamente anti-democrático do Presidente. Este é o dado mais preocupante e mostra bem o estado letárgico em que vive a nossa Cidadania. Indiferente, alheada, passiva, submissa, obediente, temerosa face ao poder político instalado no poder há mais de 40 anos. Este é o balanço mais negativo da nossa democracia. Após quatro décadas continua tão ou mais resignada e submissa que nos tempos da ditadura, consciente da inutilidade da sua opinião, da sua intervenção, do seu papel ativo na garantia da qualidade democrática do nosso regime. Só abusa quem pode, quem sabe que ficará impune. E muitos dos comportamentos abusivos dos dirigentes políticos e institucionais só são possíveis pela atitude complacente e permissiva que existe entre a Cidadania. Mas tudo pode mudar, se os Cidadãos mais conscientes e ativos não baixarem os braços e levem até às últimas consequências esta ou outras ações de censura, repúdio e reprovação. Apelo, por isso, a todos e todas que assinaram esta petição para a divulgarem entre amigos, familiares e conhecidos. O reforço da consciência e capacidade de intervenção da Cidadania depende também do sucesso de algumas iniciativas. Façamos que esta seja exemplar e mobilize, para o bem do nosso país e da sua democracia, os milhares de Portugueses que ontem ficaram em silêncio. Obrigada. Conto convosco.