Sangue e plasma são vida
Para: Sr. Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho e Sr. Ministro da saúde
Exmos. Sr. Primeiro Ministro e Ministro da Saúde-
Os subscritores desta petição criada após a Investigação TVI: o negócio do plasma
Pedem a vossa atenção para os factos nela referidos e que se citam:
Neste negócio de milhões, o país gasta dinheiro a comprar, desperdiça o plasma doado, que é um bem escasso e muito valorizado, e ainda gasta para destruir esse plasma, pagando milhares de euros a empresas de resíduos hospitalares para o fazer
Portugal é dos únicos países da Europa que não aproveita o plasma seguro dos seus dadores benévolos, anónimos e voluntários. A maior parte do plasma dos nossos dadores acaba no lixo e depois o país gasta milhões a comprar plasma de dadores estrangeiros à Octapharma.
Quem ganha é a indústria farmacêutica; quem perde são os doentes, os dadores e o país.
Neste negócio de milhões, o país gasta dinheiro a comprar, desperdiça o plasma doado, que é um bem escasso e muito valorizado, e ainda gasta para destruir esse plasma, pagando milhares de euros a empresas de resíduos hospitalares para o fazer.
Quem ganha com este negócio? Por que é que há mais de 20 anos que Portugal não consegue aproveitar o plasma dos seus dadores? Por que é que os vários políticos não defendem aquilo que é o interesse nacional e aproveitam o plasma dos nossos 500 mil dadores benévolos? De quem ou de que interesse está o país “refém” para não conseguir fazer o mesmo que todos os outros países da Europa?
Plasma vale mais do que petróleo
O plasma é uma substância escassa que não pode ser produzida artificialmente em laboratório. Só se consegue plasma através de sangue de dadores. Mas, se em Portugal há dadores benévolos, a maioria das empresas do sector paga 50 euros nos Estados Unidos da América para que as pessoas vendam um pouco do seu plasma. Essa matéria-prima pode ser inativada e vendida para ser diretamente dada ao doente, ou fracionada e transformada em medicamentos, dos quais dependem vidas de muitos doentes como, por exemplo, os hemofilicos (factor VIII e IX), os queimados (albumina) e as pessoas infetadas com VIH sida ou com cancro (imunoglobulina).
Estas são apenas algumas das proteínas que se podem retirar do plasma humano e que são vendidas a peso de ouro no mercado nacional. Portugal chegou a gastar 70 milhões em hemoderivados. De facto, se aproveitasse o plasma dos seus 500 mil dadores benévolos para fazer estes medicamentos, teria poupado milhões de euros nos últimos anos.
Vários governos tentaram fazer esse aproveitamento, mas nunca conseguiram e, desta forma, a indústria farmacêutica continuou a vender plasma estrangeiro e a ganhar milhões.
A verdade é que Portugal não pode vender o seu plasma, mas pode comprar plasma a estrangeiros de dadores pagos. O Hospital de S. João (HSJ) começou este ano a aproveitar 25 mil unidades de plasma dos seus dadores. Lançou um concurso público internacional a que só uma empresa farmacêutica concorreu: a Octapharma.
Porque muitos subscritores são também dadores de sangue ou doentes que carecem de sangue nas mais diversas formas incluindo o plasma pedimos que o Governo de Portugal olhe com a maior atenção para esta situação e faça tudo o que for necessário para melhorar e corrigir esta situação com a maior urgência.