Queremos a Mata Nacional de Fôja de volta
Para: Autoridade Florestal Nacional, Direcção Regional das Florestas do Centro, Unidade de Gestão Florestal do Centro Litoral, Ministério da Agricultura e do Mar
A Mata Nacional de Fôja é, muito mais do que um "ativo" económico da Autoridade Florestal Nacional e do Estado, uma parte importante do património histórico e cultural do Baixo Mondego, quer enquanto parte historicamente integrante da Quinta de Fôja - fazendo parte dos territórios a norte do Mondego doados por D. Sancho II aos frades Crúzios - quer como parte das Matas Nacionais, desde que, em 1836, passou a integrar a Administração Geral das Matas e Pinhais do Reino, após a extinção das ordens religiosas.
Temos, pelo menos nos últimos 10 anos, assistido a uma evidente degradação deste património de elevadíssimo valor.
Num primeiro momento, pela venda dos pinheiros de grande parte dos talhões da área Sul, confinantes com Santo Amaro da Boiça, facto em si mesmo normal numa saudável gestão florestal, mas que se veio a revelar bastante negativo pela não replantação dos mesmos. Logicamente, a vegetação que irrompeu não consistiu em pinheiro, e sim em acácias (e outras infestantes - como o espinheiro-bravo) e em menor grau, o eucalipto, espécies de crescimento rápido.
Depois, a própria falta de limpeza das matas, em geral, potenciou um crescimento exponencial da carga combustível.
Finalmente, em 2 de setembro de 2012, este aumento da carga combustível alimentou, sobremaneira, o incêndio que lavrou em grande parte da Mata e fê-lo chegar com grande intensidade às habitações e arrumações mais próximas (e não só) em Santo Amaro da Boiça. Sim. Todos sabemos que uma das causas da rápida propagação do incêndio foi efetivamente a existência de uma carga combustível tão elevada, tão dispersa e tão difusa como a do povoamento de acácias que ainda hoje é visível, quer na parte que ardeu, onde as acácias ardidas se encontram "fossilizadas", quer na área que não ardeu, onde a preponderância da acácia é assustadora.
Como resultado, temos uma Mata que não é mata, destruída em mais de 70%, coberta a acácia e vegetação rasteira, polvilhada por milhares de eucaliptos e, aqui e ali, uns quantos sobreiros. Os pinheiros quase desapareceram da área ardida e não estão a conseguir competir com as espécies de crescimento rápido.
Ao olharmos para o Plano de Gestão Florestal da Mata Nacional de Fôja, resta-nos exclamar: "é normal. Estamos em Portugal, onde o que é planeado não é para ser implementado!".
Só que nós pretendemos ver o plano implementado. Pretendemos ver os sobreiros, azinheiras e carvalhos existentes a serem efetivamente protegidos e plantados novas espécimes, a Mata a ser reflorestada com pinheiro, polvilhada com uma pequena percentagem de outras espécies como o eucalipto (e não o contrário), e as infestantes controladas, a fim de se reduzir a carga combustível e o risco de incêndio.
Queremos a Mata Nacional de Fôja de volta.
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