Carta ao Bispo de Setúbal
Para: Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal
Exmo. Sr. Cardeal D. Américo Aguiar,
Bispo de Setúbal
Sou o atual Chefe de Agrupamento do Agrupamento 371 da Baixa da Banheira e o motivo pelo qual estou a dirigir esta carta é para informar-lhe e relatar os recentes acontecimentos deploráveis e de quebra de confiança que se instalou na Paróquia da Baixa da Banheira.
Como é do conhecimento geral o Frei Fernando Ventura fora nomeado pela Ordem Franciscana para ser o novo Pároco da Baixa da Banheira em julho último, tornando-se oficial no conselho pastoral realizado no mês de julho de 2026 e conduzido pelo Frei João Guedes.
Posto isto, houve um tempo de passagem de testemunho do antigo para o futuro Pároco e durante o mês de agosto e de acordo com a agenda do Frei Fernando, o mesmo começou a pouco e pouco a assumir os trabalhos na Paróquia, contactando os diferentes responsáveis pelos diferentes grupos que compõem a Paróquia, inclusive os escuteiros. Dado que estávamos em pleno mês de agosto e pleno período de férias, boa parte dessas reuniões foram realizadas durante o final de agosto e início do mês de setembro. O novo Pároco apresentou-se aos diferentes órgãos locais, junta de freguesia e câmara municipal da Moita e inclusive enviou um e-mail a solicitar à diocese a data do Crisma (em anexo). Foi igualmente anunciado nas redes sociais e afixado nos outdoors da paróquia a comunicação de apresentação do novo Pároco (Cartaz em anexo).
Voltando um pouco atrás na recente fita do tempo, dia 3 de setembro fora convocado e realizado o conselho pastoral, onde o novo pároco se apresentou aos diferentes responsáveis pelos grupos da paróquia, comunicou quais eram as suas ideias, que estava disponível para aprender e comunicou os três grandes pilares para o seu mandato (Acolhimento, Catequese e Atenção aos Pobres). Uma vez chegado ao tema da catequese o Frei Fernando apresentou a sua proposta que era passar as catequeses todas para o sábado, bem como a eucaristia da catequese e escuteiros, as pessoas que se manifestaram favoravelmente foi o Chefe de Agrupamento e a responsável pela catequese. Mais ninguém do conselho pastoral fora contra a ideia. No dia 4 de setembro fora a reunião geral de catequistas para explicar qual era a ideia e ajustar o que fosse necessário e para o bem de todos. Pelas informações que recolhi junto da responsável dos catequistas e pelo Frei Fernando não houve um único burburinho relativamente a alteração do funcionamento da catequese. Os únicos “must have” que tiveram de acontecer foi o 5º Volume ter a sessão as 9h30 de sábado devido a disponibilidade dos catequistas e a eucaristia ser no sábado á tarde, que no caso em particular do agrupamento era pacifico!
Posteriormente e na semana em que o Frei Fernando se encontrava em Roma para realizar uns trabalhos para o Vaticano, uma ou mais catequistas dirigiram-se aos Capuchinhos e apresentaram uma queixa contra o Frei Fernando, em que essa queixa ou acusação era a seguinte:
1. O novo Pároco tinha imposto as alterações na catequese, isto é, decidiu unilateralmente e comunicou a sua intenção;
2. Escandalizou a assembleia na eucaristia ao proferir a palavra Preservativo no meio da homilia. Onde quem fez a referida participação descontextualizou tudo o que fora proferido na homilia;
O sinédrio reuniu de emergência, deslocando-se a atual direção ao Porto para reunir com o Frei João Guedes. Nesta reunião o Frei Fernando foi Julgado e condenado sem que tivesse sido alguma vez ouvido e decidiram retirar-lhe a paróquia, perfaz dizer que o “réu” nem á sua defesa teve direito. Toda esta decisão teve por base uma denúncia mal-intencionada e infundada por parte de uma pessoa ou pequeno grupo que não representa todas as catequistas.
O Frei Fernando no pouco tempo que cá tem estado “mexeu” de uma forma positiva, fazendo com isto “devolver” ou trazer de volta irmãos que tinham abandonado a paróquia devido ao pároco anterior. Ao nível do agrupamento tínhamos ganho um novo fôlego e animo para o ano escuta que se avizinha. A sua iminência conhece os problemas que os escuteiros têm tido com o Frei João Guedes. Ao longo dos 12 anos que tem estado pela paróquia têm nos feito o seguinte:
a) Ordenou a retirada da placa de identificação do agrupamento fazendo com isto o agrupamento tornar-se um desconhecido. Ao longo destes anos só antigos e atuais escuteiros sabem da existência do agrupamento;
b) Não se refere ao agrupamento ou aos escuteiros na paróquia. Por vários momentos outros Padres da paróquia tiveram que relembrar-lhe dos escuteiros;
c) Alterou completamente todo o funcionamento das catequeses para assim ter o controlo dos fins-de-semana, para que a nossa atividade escuta ficasse circunscrita ao sábado a tarde;
d) Não deixa as catequistas justificar as atividades escutistas que são fora de portas. Calendarizou as nossas saídas e faltas justificadas em 3 momentos (acampamento de natal, Páscoa e Jogos da Primavera), se houver mais atividades fora destes momentos não justifica as faltas da catequese;
e) Não deixa os escuteiros participar uniformizados nas festas principais da catequese (1ª comunhão, profissão de fé, crisma, etc.);
f) Têm desgastado o corpo de dirigentes do agrupamento com “guerras” fúteis;
g) Criou um cisão e consequente divisão entre os escuteiros e a catequese, acusando-nos várias vezes de os escuteiros serem o principal problema e a razão é óbvia, somos massa crítica;
h) Já ameaçou várias vezes que fecha o agrupamento de escuteiros;
i) Em época de confinamento devido à pandemia do COVID19 retirou-nos o Albergue do Clã e sem aviso prévio;
j) É autoritário, controlador e inflexível;
Voltando um pouco a situação do Frei Fernando, o “cozinhado” que fora realizado é tudo contra aquilo que são os princípios basilares da Igreja Católica e atenta contra os direitos humanos. Há muitas pessoas na Paróquia revoltadas com a situação, o Frei Fernando é uma pessoa muito querida na paróquia, esteve na Paróquia na década de 90 do seculo passado, junto com o Frei Pinto e foi decisivo na resposta a pobreza da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira. Na paróquia hoje existe o Projeto Esperança graças a ele.
Por tudo isto que relatei, se quiser receber-me a mim e mais alguns paroquianos pessoalmente, teremos todo o gosto em deslocarmo-nos à Diocese. Para finalizar não queremos o Frei Guedes como pároco novamente. Têm sido 12 anos de discórdias, divisões e cisões, de afastamento de boa gente que tem muito a dar á paróquia em detrimento de outras que batem a mão no peito dentro da Igreja, mas depois os seus princípios não são em linha com a vivência Cristã.
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