Alteração das actuais regras de inscrição nos torneios de PADEL de absolutos.
Para: Exmo Sr. Presidente da Federação Portuguesa de Padel
Exmo. Senhor Presidente da Federação Portuguesa de Padel,**
Os abaixo-assinados — atletas, treinadores, clubes, dirigentes, organizadores de torneios e demais membros da comunidade do padel português — vêm solicitar à Federação Portuguesa de Padel a **revisão urgente das atuais regras de inscrição nos torneios de Absolutos**, masculinos e femininos, em todas as categorias, de M1 a M6 e de F1 a F6.
## Uma intenção legítima, mas uma solução que agravou o problema
Reconhecemos que o regulamento introduzido em 2026 teve uma intenção legítima e meritória: impedir os abusos que se verificavam anteriormente, quando atletas se inscreviam em categorias muito superiores ao seu verdadeiro nível competitivo.
No sistema anterior, um atleta de nível M6 podia, por exemplo, inscrever-se numa competição M1. Apesar de saber que muito provavelmente perderia — e, em muitos casos, por uma diferença significativa —, procurava alcançar o quadro principal ou ultrapassar uma ronda para conquistar uma quantidade de pontos desproporcionada.
Esses pontos permitiam-lhe, posteriormente, participar diretamente no quadro principal da sua verdadeira categoria, evitando as fases de qualificação durante grande parte da época.
Esta utilização abusiva das regras prejudicava a qualidade das primeiras rondas das categorias superiores, obrigava atletas de elevado nível a disputar encontros manifestamente desequilibrados e desvirtuava a verdade desportiva.
A Federação Portuguesa de Padel tinha, por isso, razões válidas para intervir.
No entanto, **ao tentar resolver um problema real, o novo regulamento acabou por criar um problema ainda maior e muito mais generalizado**.
## Os pontos não correspondem necessariamente ao nível real dos atletas
A regra atual estabelece que um atleta apenas se pode inscrever na categoria correspondente aos seus pontos ou na categoria imediatamente superior.
Esta regra parte do princípio de que a pontuação de cada atleta corresponde ao seu verdadeiro nível competitivo. Contudo, essa correspondência está longe de existir.
Existem atualmente numerosos atletas com nível efetivo e comprovado de M2, M3 ou M4 que, por não possuírem pontos suficientes, são obrigados a inscrever-se em M5 ou M6.
O mesmo acontece nas categorias femininas, onde jogadoras de nível F2, F3 ou F4 são obrigadas a competir em F5 ou F6.
Como consequência, as categorias inferiores passaram a incluir muitos atletas com um nível claramente superior àquele em que estão autorizados a competir.
As categorias M5 e M6 deixaram, em muitos casos, de representar os níveis competitivos a que deveriam corresponder. O mesmo sucede com as categorias F4, F5 e F6.
## Um sistema que impede a sua própria correção
Poder-se-ia pensar que este desequilíbrio seria temporário e que os atletas rapidamente conquistariam os pontos necessários para chegar à categoria correspondente ao seu verdadeiro nível.
Infelizmente, isso não está a acontecer.
Os atletas que se encontram mal posicionados não competem apenas contra jogadores do nível teórico da categoria. Encontram frequentemente outros atletas exatamente na mesma situação: jogadores de nível M3 ou M4 obrigados a competir em M5 ou M6 por falta de pontos.
Assim, um jogador de nível M4, colocado em M6, não encontra apenas adversários de nível M6. Encontra muitos outros jogadores de nível M4, igualmente impedidos de se inscreverem na categoria correta.
O resultado é um bloqueio competitivo: os atletas estão enquadrados numa categoria inferior ao seu nível, mas o próprio sistema dificulta e atrasa a sua progressão para a categoria adequada.
Chegámos, por isso, a uma situação em que, a partir dos quartos de final de muitos torneios, os jogos de M6, M5 e M4 apresentam níveis praticamente idênticos, sendo frequentemente disputados por atletas que, na realidade, possuem nível M4 ou superior.
Nas categorias femininas verifica-se o mesmo fenómeno: as fases finais de F5, F4 e F3 são, muitas vezes, disputadas por jogadoras de nível real F3 ou superior.
As diferentes categorias existem formalmente, mas, dentro do campo, começam a deixar de representar níveis verdadeiramente distintos.
## Todos os atletas são prejudicados
O atual sistema prejudica atletas de todos os níveis.
Os atletas de nível superior são obrigados a competir, durante vários torneios, em categorias muito abaixo das suas capacidades. Não encontram o grau de exigência adequado, não conseguem evoluir ao ritmo esperado e ocupam involuntariamente lugares que deveriam ser disputados por atletas do nível correspondente.
Os atletas que pertencem verdadeiramente às categorias inferiores entram nos torneios sabendo que poderão ter de enfrentar adversários muito mais fortes. Perdem por resultados desequilibrados, deixam de acreditar que podem competir em condições justas e acabam por perder a motivação para participar nas provas federadas.
Os clubes e organizadores recebem quadros desequilibrados, com encontros de nível muito desigual nas primeiras rondas.
O público assiste a competições cuja categoria oficial nem sempre corresponde ao nível dos atletas dentro do campo.
E o padel português perde capacidade para atrair, motivar e reter praticantes.
Uma categoria M6 ou F6 deve permitir que atletas iniciantes ou de nível equivalente compitam entre si. Não pode transformar-se numa passagem obrigatória para jogadores experientes, com nível muito superior, que apenas ainda não acumularam os pontos necessários.
Do mesmo modo, uma categoria M4 ou F3 deve distinguir-se claramente das categorias inferiores. Se os mesmos níveis de jogadores estão espalhados por várias categorias, a classificação deixa de cumprir a sua função essencial.
## O risco de prolongar o problema durante vários anos
Ao atual ritmo de obtenção de pontos e progressão entre categorias, poderão ser necessárias várias épocas — eventualmente cinco anos ou mais — para que a classificação dos atletas se aproxime dos seus níveis reais.
Até lá, continuarão a realizar-se torneios desequilibrados, com prejuízo para os atletas, clubes, organizadores, patrocinadores, público e para a própria credibilidade das competições promovidas pela Federação Portuguesa de Padel.
Não é razoável esperar vários anos para que um sistema que está a produzir efeitos manifestamente negativos se corrija por si próprio.
O regulamento deve servir os atletas e promover a verdade desportiva. Quando os seus efeitos demonstram que isso não está a acontecer, deve existir abertura para o rever e melhorar.
## O que solicitamos à Federação Portuguesa de Padel
Os abaixo-assinados solicitam:
1. A revisão urgente das atuais regras de inscrição** nos torneios de Absolutos, masculinos e femininos, de M1 a M6 e de F1 a F6;
2. A reposição urgente do regulamento anterior até que se encontre uma alternativa credível.
## Não queremos regressar ao passado — queremos regras melhores
Esta petição não pretende defender o regresso permanente ao sistema anterior, que permitia inscrições abusivas em categorias muito superiores ao nível real dos atletas.
Não pretendemos que um jogador de M6 possa voltar a inscrever-se livremente em M1 apenas para tentar obter pontos.
Pretendemos uma solução equilibrada, que impeça esses abusos, mas que também não obrigue atletas de nível M2, M3 ou M4 a competir durante várias épocas em M5 ou M6. E que impeça igualmente que jogadoras de nível F2, F3 ou F4 sejam forçadas a competir nas categorias femininas inferiores.
É possível proteger as categorias superiores contra inscrições abusivas e, simultaneamente, proteger as categorias inferiores contra a presença prolongada de atletas claramente desenquadrados.
Para isso, é necessário reconhecer os efeitos indesejados do atual regulamento, ouvir quem participa diariamente nas competições e introduzir rapidamente as correções necessárias.
Esta não é uma petição contra a Federação Portuguesa de Padel.
É um apelo construtivo para que a Federação corrija uma regra que, apesar de ter sido criada com uma intenção positiva, está a produzir consequências mais graves do que o problema que pretendia resolver.
- Não pedimos o regresso às regras que permitiam os abusos do passado. Pedimos regras melhores: rigorosas contra os abusos, mas justas para todos os atletas.**
- Queremos categorias que correspondam ao verdadeiro nível dos jogadores.**
- Queremos torneios equilibrados, competitivos e motivadores.**
- Queremos proteger os atletas de nível inferior, permitir a evolução dos atletas mais fortes e contribuir para o crescimento sustentado do padel português.**
Por estas razões, solicitamos ao Exmo. Senhor Presidente e à Direção da Federação Portuguesa de Padel que promovam a **revisão urgente do atual regulamento, preferencialmente ainda durante a época desportiva de 2026**, evitando que esta situação se prolongue e continue a prejudicar toda a comunidade do padel nacional.
**Assine esta petição pela verdade desportiva, pelo equilíbrio das competições e pelo futuro do padel português.**