EM DEFESA DA ÁGUA DO CÁVADO: PAREM AS MINAS DA BORRALHA!
Para: Assembleias Municipais e Executivos da Bacia do Cávado (Amares, Barcelos, Braga, Esposende, Montalegre, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vieira do Minho, Vila Verde), Comunidade Intermunicipal (CIM) do Cávado, CIM Ave, Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e Ministério do Ambiente.
Exposição de Motivos:
1. A reativação e prospecção mineira na Borralha (Salto, Montalegre) representa uma ameaça direta à integridade da bacia do Cávado, cujos recursos hídricos servem mais de 1 milhão de habitantes desde o Barroso até Esposende, representando cerca de 10% da população nacional.
2. Na Consulta Pública da Avaliação de Impacto Ambiental gerida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a AGERE e a Águas do Norte — operadoras públicas de abastecimento de águas — submeteram um contributo crítico, alertando para os riscos graves de contaminação por metais pesados desde as albufeiras da Venda Nova e Alto Rabagão até às captações de água potável (como a Ponte do Bico).
3. Na mesma consulta pública, a EDP levantou objeções críticas relativas à segurança das infraestruturas e da água:
3.1. Manutenção da Barragem de Venda Nova: O esvaziamento operacional da albufeira para manutenção pode mobilizar lamas contaminadas e dragar metais pesados para o leito do rio.
3.2. Impactos de Detonações: As explosões em galeria e a céu aberto ameaçam a estabilidade geotécnica da albufeira e a sedimentação de materiais perigosos.
3.3. Eventos Climáticos Extremos: O risco de tempestades desestabilizarem as bacias de retenção, lavarias e escombreiras a céu aberto, provocando o derramamento descontrolado de efluentes tóxicos rio abaixo.
4. Dos 9 municípios abrangidos pela bacia, apenas Montalegre se pronunciou na consulta pública. Os restantes 8 Executivos Municipais mantiveram um silêncio injustificável, falhando no dever de informar os seus cidadãos sobre os relatórios de risco que afetam o consumo, a agricultura e as praias fluviais de toda a região.
5. Violação do Artigo 66.º da Constituição: O direito fundamental a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado, bem como o dever de prestar informação clara aos cidadãos, foi negado pelo silêncio dos Municípios.
Os Peticionários Requerem:
1. À APA e ao Ministério do Ambiente: A emissão de uma Declaração de Impacto Ambiental (DIA) DESFAVORÁVEL ao projeto da Borralha, fundamentada nas lacunas do EIA e nos alertas técnicos da AGERE, Águas do Norte e EDP.
2. Às Câmaras Municipais e Assembleias Municipais da Bacia do Cávado: A aprovação de tomadas de posição formais de rejeição do projeto e a constituição imediata de uma frente jurídica intermunicipal (via CIM Cávado e CIM Ave).
3. Ação Judicial Urgente: Que os Municípios afetados interponham uma providência cautelar conjunta nos Tribunais Administrativos contra o Estado Português e a APA para suspender os licenciamentos mineiros na Borralha.
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Assinaram a petição
64
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