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Manifestação de profunda indignação, pedido de esclarecimentos, responsabilização e medidas excecionalmente compensatórias pelo sucedido no combate ao incêndio de Vilarinho Castanheira e Pinhal Douro

Para: AUTORIDADE NACIONAL DE EMERGÊNCIA E PROTEÇÃO CIVIL (ANEPC) e MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA

Os cidadãos e cidadãs abaixo-assinados, residentes, proprietários e amigos das localidades de Vilarinho da Castanheira e Pinhal do Douro, concelho de Carrazeda de Ansiães, distrito de Bragança, vêm por este meio apresentar a sua profunda indignação e revolta perante o sucedido durante o trágico incêndio que assolou a nossa região no período compreendido entre os dias 15 de 19 de Agosto de 2026, cujo balanço final resultou numa devastadora área ardida de 59 km² (cerca de 4000 hectares).
Consideramos totalmente inaceitável a gestão e coordenação operacional demonstrada pela Proteção Civil. No terreno, assistiu-se a uma sucessão de erros críticos e a episódios de manifesta incúria e negligência grosseira, quiçá integrante de ilícito criminal, que ditaram a destruição das nossas terras, destacando-se:
• Orientação geográfica errónea dos meios: Equipas e veículos de combate foram repetidamente enviados para locais errados devido ao desconhecimento e má cartografia da geografia local, desperdiçando tempo precioso.
• Inércia operacional por rigidez burocrática: Meios de combate permaneceram parados e inertes perante as chamas, aguardando ordens de um comando distante, sendo-lhes negada a autorização imediata para atacar frentes de fogo ativas.
• Recusa em criar barreiras estratégicas e contrafogo: O comando ignorou por completo o conhecimento empírico de proprietários locais e residentes, que indicaram os pontos estratégicos ideais para criar barreiras ou aplicar contrafogo, permitindo que o incêndio se propagasse sem controlo.
• Agravamento crítico no dia 15/08 pelas 23h40 na Ponte do Coito: Momento em que a ausência de uma resposta firme e coordenada permitiu que o fogo ganhasse uma dimensão incontrolável.
• Manifesta incúria no dia 16/08 pelas 13h00: Altura em que, estando o incêndio alegadamente controlado por atuação dos locais e meios aéreos, por total falha de bloqueio e combate, se permitiu inadmissivelmente que as chamas reiniciassem e saltassem a estrada, progredindo livremente em direção ao Pinhal do Douro e consumindo uma mancha florestal vital e condenando a localidade, que teve o fogo a menos de dois metros do aglomerado urbano, à desgraça!
• Todos os fatos expostos estão documentados, cronologicamente registados em áudio, vídeo e ficheiros de imagem!
Face ao desamparo e à catástrofe a que fomos sujeitos, vimos exigir:
1. Um esclarecimento urgente e detalhado sobre as falhas operacionais, a inércia do comando e as decisões erradas tomadas nos dias 15 e 16 de agosto nos locais supracitados, inclusivé os dados descritos nas guias de comando reportadas em todo o incêndio.
2. A responsabilização direta dos decisores operacionais que tutelaram o teatro de operações de Vilarinho da Castanheira e Pinhal do Douro, inclusivé criminal, caso a mesma se venha a apurar.
3. A revisão urgente dos protocolos de comando, garantindo que o conhecimento das populações locais é integrado e que as equipas no terreno têm autonomia para agir antes que o fogo salte linhas de contenção.
4. A aplicação imediata de medidas excecionalmente compensatórias às duas localidades, extensivas a todas as que tenham passado por este “inferno” , estruturadas nos seguintes pilares essenciais: um plano robusto de reflorestamento com espécies autóctones e resilientes;
5. A criação e manutenção ativa de faixas de corta-fogos e limpeza de matas; e o alargamento e abertura de caminhos rurais e florestais para assegurar a plena acessibilidade de futuros meios de combate em função da evolução das frentes de fogo, bem observadas por todos os meios aéreos destacados.
6. Abertura de charcas e construção de tanques reservatórios de água em locais estratégicos e sinalizados para abastecimento de meios aéreos e bebedouros de animais.

Por a verdade ser devida a quem habita, trabalha e protege estas terras, assinamos o presente documento.



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Esta petição foi criada em 21 agosto 2026
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