Petição pela suspensão dos procedimentos da segunda fase de exames nacionais
Para: Professores, encarregados de educação, alunos
Nós, professores, pais e alunos abaixo-assinados, apelamos às direcções dos sindicatos representativos dos professores para que declarem greve nacional durante as datas previstas para as actividades de classificação dos exames da segunda fase.
Propomos que, em defesa dos alunos e da integridade da escola pública, a segunda fase dos exames seja adiada para setembro e realizada nos moldes adotados em anos anteriores. Esse modelo teria certamente defeitos, mas mostrou-se mais fiável do que um sistema cujas supostas vantagens, a digitalização e a divisão das provas por itens, produziram os resultados catastróficos que se conhecem. Um processo de avaliação não se torna legítimo apenas porque consegue produzir «notas» dentro do prazo. A legalidade, o rigor e a igualdade entre candidatos não são detalhes administrativos. São a condição mínima para que uma classificação seja válida.
Depois do que aconteceu na primeira fase, não existem garantias de que o mesmo processo possa ser repetido com a segurança, o rigor e a confiança exigidos.
A imposição de prazos curtíssimos para os pedidos de reapreciação, associada ao pagamento de 25 euros, limita gravemente o acesso à revisão das provas e acaba, na prática, por esvaziar esse direito. Num processo já marcado por tantas falhas, criar novos obstáculos aos alunos e às famílias é particularmente inaceitável.
Não se protege ninguém aceitando um processo gravemente ferido de ilegalidade e ilegitimidade, marcado por falhas graves, falta de transparência, instruções contraditórias e dúvidas sérias sobre a integridade das provas e das classificações.
Digitalizar não é educar. Classificar não é avaliar. A fragmentação das provas, a transformação dos professores em operadores de plataforma e a submissão do trabalho docente ao ritmo de um sistema informático não constituem modernização pedagógica. Constituem a redução progressiva da profissão a tarefas técnicas, executadas sem visão do todo e sem verdadeira autonomia. Recusamos essa redução.
Ser professor não é cumprir instruções sem as interrogar. Nenhuma ordem apaga a responsabilidade de quem a executa. Nenhum superior hierárquico pode servir de esconderijo moral para aquilo que cada um aceita fazer. A desculpa de que se estava apenas a cumprir ordens nunca tornou uma ação mais justa, mais digna ou menos grave. Não aceitaremos que os professores se refugiem nela.
A nossa lealdade não é devida a uma plataforma, a um calendário ou à conveniência de um governo. A nossa lealdade é devida aos alunos, ao país e a uma ideia de escola que pertence a uma ideia de civilização: a de que educar é um encontro entre pessoas; a de que avaliar exige conhecimento, contexto e responsabilidade; a de que nenhuma tecnologia dispensa a consciência de quem a utiliza; a de que o professor não existe para servir procedimentos, mas para servir a educação.
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