A favor de uma marca aveiro
Para: Pessoas do distrito
A discussão sobre a nova identidade visual de Aveiro não é apenas uma questão de gosto ou estética. O que está em causa é a forma como uma cidade preserva a sua identidade, a sua memória e a coerência da sua comunicação ao longo do tempo.
As marcas evoluem e podem ser atualizadas quando existe uma necessidade clara, sustentada por estudos, diagnósticos e participação pública. No entanto, até ao momento, não foram apresentados motivos concretos que justifiquem a substituição da identidade visual que Aveiro construiu e consolidou ao longo dos últimos anos.
A marca anterior acompanhou momentos importantes da afirmação da cidade, desde projetos culturais de grande dimensão até à promoção nacional e internacional de Aveiro. Tornou-se reconhecível, consistente e funcional em múltiplos suportes e contextos. Em comunicação e branding, a repetição e a continuidade são fatores essenciais para gerar reconhecimento e notoriedade. Alterar uma marca consolidada sem uma justificação clara significa desperdiçar parte desse investimento coletivo.
Uma identidade visual municipal não deve depender da mudança de um executivo político. Aveiro é maior do que qualquer mandato. A sua imagem institucional deve refletir a história, a cultura, o património e a continuidade da cidade, e não servir como símbolo de uma mudança de liderança.
Também permanecem por esclarecer questões fundamentais: que problemas apresentava a identidade anterior? Foi realizada alguma auditoria? Houve consulta a especialistas, entidades locais, associações, cidadãos ou agentes económicos? Que benefícios concretos traz a nova marca para a cidade e para os aveirenses?
Além disso, a mudança implica custos significativos associados à substituição de sinalética, documentos, viaturas, plataformas digitais, materiais promocionais e outros suportes. Sendo uma intervenção financiada com recursos públicos, é legítimo exigir transparência sobre os custos e sobre o retorno esperado deste investimento.
A crítica não é ao design nem aos profissionais envolvidos. O problema está na falta de um processo público, transparente e participado para uma decisão que afeta toda a comunidade.
Aveiro não precisa de apagar o que construiu para parecer inovadora. A verdadeira inovação passa por melhorar o que existe, preservar o que tem valor e reforçar a identidade da cidade com coerência e visão de longo prazo.
Por isso, votar contra esta mudança é defender uma marca que pertence aos aveirenses, proteger um património coletivo já consolidado e exigir que decisões desta dimensão sejam tomadas com maior transparência, participação e responsabilidade pública.