A SAÚDE NÃO PODE ESPERAR!
Para: TODOS
PETIÇÃO PÚBLICA À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
ABRAM O COMPLEXO DA BOA-HORA, O CONVENTO E HOSPITAL MILITAR.
A SAÚDE NÃO PODE ESPERAR!
Há portugueses à espera de cirurgia há meses. Idosos esquecidos em camas hospitalares porque não têm para onde ir. Famílias inteiras destruídas pela exaustão de cuidarem sozinhas. Doentes oncológicos a viver dias de angústia porque o tratamento não chega a tempo. E há um hospital fechado. Um hospital que entre 2020 e 2021 foi hospital de retaguarda para resposta à COVID-19.
Enquanto o Serviço Nacional de Saúde vive sob pressão extrema, o Complexo da Boa-Hora — o Convento e o Hospital Militar de Belém — permanece abandonado, vazio e sem utilização pública.
Num país onde faltam camas, faltam respostas sociais, faltam cuidados continuados e faltam vagas na reabilitação, manter património público devoluto, como um hospital que reúne as condições necessárias para ser hospital de retaguarda, deixou de ser apenas incompreensível. É moralmente inaceitável. Milhares de portugueses esperam por uma cirurgia, uma consulta de especialidade, fisioterapia, recuperação pós-operatória ou uma vaga na Rede Nacional de Cuidados Continuados. Muitos esperam em sofrimento, outros perdem autonomia enquanto aguardam, e alguns morrem sem nunca receberem a resposta de que precisavam.
Ao mesmo tempo, milhares de camas hospitalares continuam ocupadas por pessoas que já tiveram alta clínica, mas não conseguem sair do hospital porque não existem respostas de retaguarda, cuidados continuados, apoio domiciliário ou estruturas sociais suficientes.
O resultado é um SNS bloqueado com: cirurgias adiadas; urgências sobrelotadas; profissionais exaustos; famílias desesperadas; idosos abandonados entre hospitais e solidão; doentes sem recuperação adequada; cidadãos sem dignidade na fase mais frágil da vida.
Segundo o Barómetro dos Internamentos Sociais, existem milhares de internamentos inapropriados no SNS, ocupando cerca de 13,9% das camas hospitalares, com tempos médios de permanência superiores a cinco meses e um custo anual superior a 351 milhões de euros.
O maior custo não está nas contas do Estado. O maior custo da ineficiência da tomada de decisões políticas está nas consequências para a vida das pessoas. Portugal está a envelhecer rapidamente. As respostas sociais e de saúde que hoje faltam aos nossos pais e avós serão as respostas que nos faltarão a nós próprios amanhã.
A verdade é simples o País precisa de respostas de cuidados intermédios, precisa de cuidados continuados, de camas para a recuperação e reabilitação, de unidades de transição entre o hospital e a casa, de apoio às famílias e aos cuidadores e sobretudo precisa que os idosos tenham um final de vida com a dignidade que merecem.
É precisamente isso que o Complexo da Boa-Hora pode oferecer.
Defendemos a transformação deste património público num grande centro público integrado de saúde e apoio social, com:
? cuidados continuados;
? reabilitação;
? recuperação pós-cirúrgica;
? fisioterapia;
? apoio a idosos;
? apoio domiciliário articulado;
? respostas para cuidadores;
? camas de transição hospital-domicílio;
? estruturas sociais de proximidade;
? e um verdadeiro centro intergeracional, com creche, centro de dia e espaços de convivência entre gerações.
Este complexo da Boa-Hora, deverá ser um projeto piloto do “Centro Público Integrado de Saúde e de Apoio Social”, um programa nacional, de requalificação de património público devoluto que possa ser transformado, requalificado para ser resposta de retaguarda para a saúde e replicado pelo País.
Há património público abandonado por todo o país que pode ser transformado em respostas reais para aliviar o SNS, apoiar famílias e devolver dignidade às pessoas.
Não podemos continuar a aceitar:
? hospitais sobrelotados enquanto edifícios públicos permanecem fechados;
? listas de espera intermináveis;
? idosos sem respostas;
? famílias sem apoio;
? profissionais de saúde no limite;
? milhões de euros desperdiçados em internamentos que devem ser evitados;
? património público devoluto enquanto o país sofre por falta de cuidados.
O Estado não pode continuar a dizer que faltam camas enquanto mantém camas fechadas.
Pelo exposto, veem os cidadãos abaixo assinados peticionar:
1. A reabertura urgente do Complexo da Boa-Hora (Convento e Hospital Militar de Belém) para fins públicos de saúde e apoio social;
2. A integração do espaço na Rede Nacional de Cuidados Continuados;
3. A criação de camas de reabilitação, recuperação pós-cirúrgica e transição hospital-domicílio;
4. A criação de respostas sociais e intergeracionais de proximidade, com Creche, ERPI e Centro de dia;
5. A reutilização de património público devoluto para responder à crise do SNS;
6. A suspensão de qualquer privatização ou utilização incompatível com o interesse público;
7. A criação de um projeto-piloto nacional replicável em todo o país.
Abram o Complexo da Boa-Hora.
Abram camas.
Abram respostas.
Abram portas à dignidade.
A saúde não pode esperar.