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Fim da publicidade ao Jogo/jogos de azar

Para: Todos

Petição pela Restrição e Proibição Progressiva dos Jogos de Azar Online e da Sua Publicidade
Nós, cidadãos abaixo-assinados, vimos por este meio solicitar à Assembleia da República e ao Governo de Portugal a adoção de medidas legislativas urgentes que conduzam à forte restrição — e progressiva proibição — dos jogos de azar online em território nacional, bem como à proibição da respetiva publicidade, especialmente nos meios de comunicação públicos.

Fundamentação
1. Os jogos online promovem dependência e comportamentos aditivos
Os jogos de azar online são concebidos para maximizar o tempo de permanência e a frequência de apostas dos utilizadores, recorrendo a mecanismos psicológicos altamente viciantes, acessíveis 24 horas por dia através de telemóveis e computadores.

A facilidade de acesso, a instantaneidade das apostas e os sistemas de recompensa contínua potenciam comportamentos compulsivos, afetando particularmente jovens adultos, pessoas economicamente vulneráveis e indivíduos suscetíveis a dependências comportamentais.

Os impactos sociais e familiares associados incluem:

endividamento;

degradação da saúde mental;

ansiedade e depressão;

destruição de relações familiares;

absentismo laboral;

aumento do risco de exclusão social.

2. A dimensão do fenómeno em Portugal revela um problema social grave
Os valores movimentados diariamente nas plataformas de apostas e casinos online em Portugal demonstram uma adesão massiva e transversal da população.

A facilidade extrema de acesso permite que milhares de cidadãos joguem diariamente, muitas vezes de forma repetitiva e impulsiva. A dispersão do fenómeno por todas as faixas etárias adultas evidencia que já não se trata de uma atividade marginal, mas de um problema social estrutural com consequências coletivas relevantes.

A normalização cultural do jogo online está a transformar comportamentos de risco em hábitos quotidianos.

3. A tributação do setor não compensa os danos sociais produzidos
Embora os operadores do setor estejam sujeitos a impostos e licenciamento, tal não elimina nem compensa adequadamente os custos sociais e humanos associados à atividade.

Os prejuízos indiretos suportados pela sociedade incluem:

pressão acrescida sobre o Serviço Nacional de Saúde;

necessidade de apoio psicológico e psiquiátrico;

sobre-endividamento familiar;

perda de produtividade económica;

aumento da vulnerabilidade social.

Nenhuma receita fiscal justifica a promoção de modelos de negócio assentes na exploração sistemática da dependência comportamental.

4. A publicidade ao jogo online deve ser severamente limitada ou proibida
A publicidade ao jogo online tornou-se omnipresente:

televisão;

rádio;

internet;

redes sociais;

transmissões desportivas;

patrocínios;

influenciadores digitais.

Esta exposição contínua banaliza o jogo e estimula novos utilizadores, incluindo jovens.

Consideramos particularmente grave a presença deste tipo de publicidade em meios de comunicação públicos, direta ou indiretamente financiados pelos contribuintes.

À semelhança do que aconteceu com o tabaco em décadas anteriores, o interesse público exige uma forte limitação — ou proibição — da publicidade a atividades com elevado potencial aditivo e impacto social negativo.

Assim, solicitamos:
A revisão urgente da legislação relativa aos jogos de azar online;

A criação de restrições muito mais severas ao acesso e funcionamento destas plataformas;

A proibição da publicidade ao jogo online nos meios de comunicação públicos;

A limitação substancial da publicidade ao jogo em todos os restantes meios;

O reforço dos mecanismos de prevenção e tratamento da dependência do jogo;

A realização de estudos públicos independentes sobre o impacto social e económico do jogo online em Portugal;

A avaliação da viabilidade de uma proibição progressiva dos jogos de azar online de elevada intensidade aditiva.



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Esta petição foi criada em 26 maio 2026
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