Não às podas abusivas de árvores centenárias e monumentais em Sintra e Colares
Para: Câmara Municipal de Sintra de Lisboa; cidadãos de Sintra, Colares e localidades adjacentes; cidadãos preocupados com o meio ambiente, as árvores e o respeito pela Natureza
Esta é uma carta aberta de cidadãos preocupados com a riqueza e o património arbóreo e natural de Sintra.
A Câmara Municipal de Sintra (CMS) informou, no passado dia 6 de Maio, que a Infraestruturas de Portugal (IP) começou, no dia 7 de Maio, «trabalhos de corte de vegetação herbácea e arbustiva, bem como a desramação de árvores até quatro metros de altura» nas estradas ER 247, EN 247-4 e EN 9-1, que, entre outras localidades, ligam Sintra a Colares (junto à linha do eléctrico), e a Lagoa Azul à Malveira da Serra. Segundo a CMS, esta intervenção enquadra-se nos procedimentos de manutenção da faixa de gestão de combustível.
Nestas estradas, em zonas dentro da dita faixa de gestão combustível, encontram-se largas dezenas de árvores monumentais, de enorme porte, entre as quais plátanos centenários. Se a CMS e a IP avançarem com a desramação destas árvores até quatro metros de altura, destruirão as copas e a estrutura destes exemplares únicos, que são elementos marcantes na paisagem de Sintra, Património da Humanidade protegido pela UNESCO, pondo em risco a saúde das árvores e a sua esperança de vida, e destruindo incontáveis ninhos, por estarmos em plena Primavera. Isto constituiria um atentado ambiental e paisagístico tremendo, descaracterizando a face de Sintra e prejudicando gravemente o meio ambiente.
Além dos benefícios directos e indirectos que a presença destas árvores traz às localidades servidas por estas estradas, é fundamental reiterar que os plátanos e o arvoredo urbano e não urbano são símbolos culturais e naturais de Sintra e de Colares, além de espécimes fundamentais para gerar sombra, acolher ninhos e retirar dióxido de carbono da atmosfera, fixando-o na sua biomassa e, crucialmente, no solo, processo natural ajuda a mitigar as alterações climáticas.
Na Serra, e porque tudo parece ter de servir os propósitos humanos, as árvores saudáveis e a vegetação em geral servem para reter a água no solo, evitando ou reduzindo enxurradas, contendo também terras, desse modo reduzindo e impedindo derrocadas. Há depois o aspecto estético: paisagens rústicas ou urbanas sem árvores ou, tendo-as, serem deformadas por podas, não contribui para a imagem de destino turístico de qualidade, nem dignifica ou melhora a vidas dos portugueses.
Ao permitir que estas podas radicais aconteçam, a CMS estará a revelar que não se importa com a degradação ambiental, cultural e natural de Sintra e de Colares, e que em vez de proteger o património desta zona, o ataca com o desprezo a que vota as árvores.
Pelo exposto, os abaixo-assinados visam o repúdio desta acção da CMS e da IP, bem como solicitar à CMS informação mais pormenorizada sobre as árvores que serão podadas e como se fará essa intervenção, além da garantia de que estas dezenas de espécimes não serão alvo destas podas extremas e abusivas. Exigimos também a divulgação para todos os cidadãos dos pareceres que certamente terão sido solicitados ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
Assinam esta petição um conjunto relevante das associações e grupos de cidadãos preocupados com o meio ambiente, as árvores e o património natural de Sintra: Grupo de Amigos das Árvores de Sintra, Finis Terrae, QSintra, Collares Viva, Muda, Fórum Cidadania Lx, SOS Quinta dos Ingleses, Plataforma em Defesa das Árvores e Grupo Ecológico de Cascais.
Junte-se a nós na assinatura e divulgação!