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Pela construção de infraestruturas condignas para o atletismo na Ilha do Faial

Para: Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores

O Clube Independente de Atletismo Ilha Azul (CIAIA) foi fundado a 23 de outubro de
1990, na Ilha do Faial, por um grupo de amantes do atletismo, formado por Fernando
Santos, António Gonçalves, Roberto Terra, Elsa Matos, Edmundo Botelho, Luís Rosa,
Luís Pereira, Maria Fátima Santos, Maria Domitília Rosa, Edite Rosa e Luís Vieira.
O CIAIA nasceu da necessidade clara de criar, no concelho da Horta, uma estrutura
organizada e dedicada exclusivamente ao atletismo. Desde a sua fundação e ao longo
destes 35 anos de existência, o clube tem cumprido esse propósito com dedicação,
competência e com resultados reconhecidos por todos.
Atualmente, o CIAIA conta com cerca de uma centena de atletas, dos quais cerca de
80 se dividem entre a sua escola de atletismo e os escalões de formação, assumindo
um papel determinante na formação de jovens e na promoção do desporto jovem na
ilha do Faial.
Ao longo destes 35 anos, o CIAIA tem alcançado sucessos atrás de sucessos, tanto
individualmente como coletivamente, a nível regional e nacional.
Muitos foram os atletas deste clube que conquistaram títulos nacionais, como são os
exemplos no salto em altura do Márcio Lima, da Daniela Luz e da Susana Goulart,
nos lançamentos, como o Tony Rosa e o João Amaro, ou na marcha atlética, como a
Ana Naia e o Dionísio Ventura, mas, além destes, também outros conquistaram
medalhas nacionais, como são os casos do Nuno S. João, do Cláudio Morais e do
Bruno Ávila.
Mais recentemente, outros atletas despontaram, nomeadamente o Diogo
Ávila, o Francisco Melo e a Rafaela Lacerda, que têm elevado o nome do desporto
faialense e açoriano ao mais alto nível além-fronteiras.
Na época 2024/2025, o Diogo Ávila fez mínimos para o Campeonato da Europa, que se
realizou na Noruega, e mais recentemente a Rafaela Lacerda realizou mínimos para o
Campeonato da Europa de Sub-18, em Itália.
Contudo, estes resultados não foram suficientes e muitas outras formas de luta foram
adotadas durante estes longos 35 anos, mas as infraestruturas continuam a ser de
fraca qualidade.
As atuais condições de treino são manifestamente insuficientes e muito deficientes.
Em 2012 ficou concluída a “pista de atletismo” que existe no Faial, no entanto, esta foi
construída sem as medidas oficiais (400 m), tendo uma dimensão aproximada de 363
metros, o que só por si já é um problema para a realização de provas oficiais.
Mas não ficam por aqui os problemas: a pista foi construída com apenas dois
corredores em toda a volta, no entanto, e passados estes cerca de 14 anos, nunca foi
pintada para que realmente existissem os dois corredores, continuando-se a realizar
provas (150 m / 200 m / 300 m / 400 m) com um atleta de cada vez.
A zona de salto em comprimento e triplo salto nunca teve as tábuas de chamada,
continuando-se ainda hoje a fazer com uma marca pintada na pista.
Mas os problemas não se ficam por aqui: não existe a possibilidade de treinar ou
competir nas disciplinas do salto à vara ou dos 3000 m obstáculos (prova em que o
Diogo Ávila fez marca para o Campeonato da Europa).
O treino dos lançamentos não dispõe de um local devidamente preparado e com as
devidas condições de segurança para a realização das diversas disciplinas.
No lançamento do disco e do martelo, as regras obrigam que sejam efetuadas com uma
gaiola de proteção, o que nunca existiu no Faial.
O lançamento do dardo é realizado utilizando uma área de estrada e outra de um
passeio pedonal (para fazer de corredor de balanço).
Consideramos que estas condições não são as adequadas nem as mínimas para que se
possa desenvolver o trabalho e o treino das disciplinas dos lançamentos.
Estas condições mantêm-se praticamente inalteradas há longos anos.
Voltando à pista de atletismo, a que existe e que já tem cerca de 14 anos, não sofreu
qualquer tipo de obra de manutenção, e o desgaste do piso é bastante visível,
existindo locais na pista e no corredor de saltos com buracos (que colocam em risco os
atletas de contraírem lesões).
Para além destes factos, têm sido recorrentes, época após época, problemas entre o
clube que detém a pista e o Serviço de Desporto, o que invariavelmente condiciona os
inícios de época do CIAIA devido a não existir acordo na utilização daquele
equipamento.
Os resultados alcançados até hoje devem-se exclusivamente ao empenho
extraordinário dos atletas, ao profissionalismo e dedicação dos treinadores, bem
como ao esforço dos dirigentes, familiares e amigos que apoiam diariamente a
modalidade.
No entanto, o esforço humano não pode substituir, indefinidamente, a
responsabilidade pública na criação de condições estruturais adequadas.
Publicações de congratulação e reconhecimento público são importantes, mas não
substituem o investimento. O desenvolvimento sustentado da modalidade exige
planeamento, decisão política e execução.
Esta petição não pretende apenas ser ouvida na Comissão Parlamentar de Desporto da
Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), nem apenas debatida
em plenário.
Esta petição exige um compromisso claro e formal por parte de quem de direito para:

A construção de uma pista com medidas oficiais e com as zonas regulamentares para
os saltos e lançamentos.
A dotação da Ilha do Faial de infraestruturas desportivas condignas e adequadas ao
desenvolvimento do atletismo, como as que existem noutras ilhas.

É do conhecimento público que existem terrenos públicos, junto à Escola Secundária
Manuel de Arriaga, afetos a equipamentos desportivos, que foram adquiridos pela
Região Autónoma dos Açores para esse efeito e que continuam abandonados. Falta
apenas a decisão política.
O Faial e o atletismo faialense merecem condições que promovam o desenvolvimento
da modalidade, valorizem o trabalho realizado ao longo de 35 anos e garantam às
gerações futuras oportunidades iguais ou idênticas às de qualquer outra região do
país.
Por uma questão de justiça, equidade territorial e respeito pelo trabalho desenvolvido,
solicitamos que sejam tomadas medidas concretas e urgentes para a construção das
infraestruturas necessárias ao atletismo na ilha do Faial.
Os signatários desta petição apelam ao compromisso efetivo das entidades
competentes para que esta reivindicação deixe de ser promessa e passe a ser
realidade.



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Esta petição foi criada em 05 maio 2026
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