Conhecer Portugal tornou-se financeiramente difícil para muitos cidadãos
Para: Assembleia da República, Ministério das Infraestruturas e Habitação, Ministério da Coesão Territorial
Escrevo como cidadão preocupado com o custo crescente de viajar dentro de Portugal e com o impacto que isso tem na capacidade das famílias conhecerem o próprio país.
Hoje, deslocar-se dentro do território nacional pode representar um custo elevado, mesmo em viagens relativamente curtas. Por exemplo, uma viagem de carro entre Lisboa e Porto implica cerca de 50€ em portagens (ida e volta), aos quais se somam custos de combustível que podem facilmente ultrapassar os 90€ a 120€ no total.
Embora existam alternativas por estradas nacionais sem portagens, na prática estas implicam um aumento significativo do tempo de viagem, maior desgaste do veículo e maior consumo, o que as torna pouco viáveis para a maioria das famílias em deslocações de lazer ou férias.
Existem também serviços de transporte rodoviário com preços mais baixos em algumas situações. No entanto, estes não garantem sempre previsibilidade, flexibilidade de horários nem adequação à realidade de viagens familiares, onde a necessidade de coordenação entre várias pessoas, bagagem e mobilidade no destino é essencial.
No caso das regiões autónomas, o problema torna-se ainda mais evidente. Em períodos normais de férias, como final de agosto e início de setembro, os voos entre o continente e os Açores podem atingir valores na ordem dos 180€ a 200€ por trajeto, o que representa cerca de 350€ a 500€ por pessoa ida e volta.
Isto faz com que uma família possa ter de suportar custos muito elevados apenas para viajar dentro do próprio país.
Ao mesmo tempo, não é raro encontrar voos internacionais, por exemplo para Londres, a preços inferiores aos de viagens dentro de Portugal, sobretudo em campanhas promocionais. Isto não significa que viajar para o estrangeiro seja barato, mas sim que a mobilidade interna apresenta, em vários casos, um desequilíbrio claro entre custo e acessibilidade.
O problema central não está apenas no preço isolado de cada meio de transporte, mas na falta de uma solução previsível, acessível e adequada à realidade das viagens em família dentro do território nacional.
O resultado é que, para muitos cidadãos, conhecer o próprio país deixa de ser uma opção acessível e passa a ser uma decisão condicionada pelo custo.
Neste sentido, seria importante refletir sobre medidas que tornem a mobilidade interna mais equilibrada, especialmente em períodos de maior procura, garantindo que viajar dentro de Portugal não se torna um privilégio económico.
O objetivo não é limitar escolhas de transporte, mas sim assegurar que qualquer família pode deslocar-se dentro do país de forma justa, previsível e acessível.
Com os melhores cumprimentos,
Um cidadão português
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