Pela Formação Qualificada do Pessoal Não Docente para Apoio à Inclusão
Para: Câmara municipal de Reguengos de Monsaraz, agrupamento de escolas de Reguengos de Monsaraz, ministério da educação
Sou mãe de uma criança que precisa de uma escola verdadeiramente inclusiva. Todos os dias, vejo o quanto a falta de formação específica do pessoal que trabalha com crianças com Necessidades Educativas Especiais (NEE) prejudica o desenvolvimento, a segurança e a dignidade de quem mais precisa de apoio.
A realidade é dura e não pode continuar a ser ignorada.
Há crianças que passam horas sem atividades ajustadas, sem acompanhamento adequado, sem estímulos e, muitas vezes, com profissionais que fazem o melhor que conseguem — mas que não receberam a formação necessária para desempenhar funções tão delicadas.
E não é justo.
Não é justo para as crianças.
Não é justo para as famílias.
E também não é justo para os profissionais, que são colocados em situações para as quais não estão preparados, sem orientação e sem ferramentas.
Quando a inclusão é mal conduzida, não há aprendizagem segura, não há desenvolvimento saudável, não há respeito pelas necessidades individuais. Há, sim, riscos, regressões, frustrações, ansiedade e uma profunda sensação de abandono. E enquanto mãe, dói-me ver isso acontecer. Dói-me saber que, com vontade política e formação adequada, tudo poderia ser diferente.
As nossas crianças não podem continuar a ser tratadas como “casos difíceis” ou como “exceções”.
São crianças com direito à educação, à segurança, ao afeto e ao apoio especializado.
E a inclusão não pode ser uma palavra escrita em documentos — tem de ser uma prática real, diária e responsável.
Por isso, venho, enquanto mãe e cidadã, pedir — com urgência — mudanças estruturais que garantam condições reais de inclusão nas escolas portuguesas.
Exijo, em nome das nossas crianças:
Formação obrigatória, certificada e contínua para todo o pessoal não docente que acompanha crianças com NEE, incluindo temas como autismo, atraso do desenvolvimento, comunicação alternativa, gestão comportamental, mobilidade, crises emocionais e primeiros socorros.
Que nenhum profissional seja colocado a acompanhar individualmente uma criança sem ter formação prévia para isso.
Que a condução da inclusão nas escolas seja revista, avaliada e supervisionada, para evitar decisões inadequadas, práticas incorretas e falhas que ameaçam o bem-estar das crianças.
Mais recursos humanos preparados, para que a escola deixe de improvisar e passe a responder com dignidade.
Acompanhamento contínuo por técnicos especializados, garantindo que quem está no terreno sabe o que fazer, como fazer e para que fazer.
Estou a escrever esta petição porque acredito que todas as crianças merecem respeito, segurança, cuidado e oportunidades iguais. Porque acredito que a inclusão não pode ser um luxo, nem um “favor”: é um direito básico. Porque acredito que nenhuma mãe deveria enviar o filho para a escola com o coração apertado, sem saber se ele estará protegido, compreendido e devidamente acompanhado.
As nossas crianças merecem muito mais do que o que lhes está a ser dado.
Merecem profissionais preparados, escolas responsáveis e decisões bem conduzidas.
Merecem ser vistas, ouvidas e apoiadas.
E por elas — por todas elas — eu não me calo.
Peço, com firmeza e esperança, que o Ministério da Educação, as Câmaras Municipais e todas as entidades competentes assumam esta urgência e garantam a formação e a boa condução da inclusão nas escolas portuguesas.
Porque a inclusão só é verdadeira quando está nas mãos de quem sabe cuidar.
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