Pela reposição da Fonte Histórica do Rossio da Fonte, em Mem Martins
Para: Câmara Municipal de Sintra
Exmos. Senhores,
Os abaixo-assinados, cidadãos da freguesia de Algueirão-Mem Martins, vêm por este meio manifestar a sua profunda preocupação, indignação e tristeza perante a remoção da histórica Fonte de Mem Martins, no âmbito das obras em curso no Largo Rossio da Fonte.
Este espaço não é apenas um local físico.
É um símbolo vivo da história, da identidade e da alma da nossa terra.
Foi naquele largo — composto pela Fonte, pelo Coreto e pela Capela — que gerações de habitantes cresceram, conviveram e construíram comunidade.
Foi ali que, na década de 1930, os nossos antepassados, com enorme esforço, sacrifício e amor à terra, se uniram através da 1ª Comissão de Melhoramentos para erguer um património que não lhes pertencia apenas a eles… mas também a nós e às gerações futuras.
Muitos dos nossos idosos ainda hoje recordam esse tempo.
Muitos ajudaram, trabalharam ou ouviram dos seus pais e avós o que custou construir aquele espaço.
Destruir ou descaracterizar este património é desrespeitar diretamente essas pessoas. É apagar a memória de um povo trabalhador, humilde e orgulhoso das suas raízes.
Uma perda irreparável
A remoção da fonte e dos seus azulejos históricos representa:
• Uma perda cultural e patrimonial grave;
• Uma rutura com a memória coletiva da freguesia;
• Um atentado ao legado deixado por quem construiu Mem Martins com as próprias mãos;
Mais grave ainda, todo este processo foi marcado por:
• Falta total de transparência;
• Ausência de informação pública;
• Nenhuma consulta ou respeito pela vontade da população;
Relatos de moradores indicam que os azulejos foram removidos de forma descuidada, chegando mesmo a ser destruídos — um momento que, segundo testemunhos locais, foi vivido com profunda dor e emoção.
Um padrão preocupante
A população não pode ignorar o que parece ser um padrão:
• O coreto, outrora símbolo do largo, foi destruído na década de 80;
• Agora, em 2025, desaparece a fonte;
• E muitos questionam, com receio legítimo: qual será o próximo elemento a desaparecer? A capela?
Exigências da população
Assim, os abaixo-assinados exigem:
1. Transparência imediata
Apresentação pública urgente do projeto em curso pela Câmara Municipal de Sintra, incluindo:
• Licenciamento;
• Responsáveis técnicos;
• Objetivos da intervenção;
E ponderação da suspensão imediata das obras até total esclarecimento.
2. Reposição do património
Garantia da reposição integral da Fonte de Mem Martins, respeitando a sua traça original.
Caso os azulejos tenham sido destruídos:
• Que sejam realizadas réplicas fiéis, com rigor histórico;
• Que se envolvam escolas e entidades locais, valorizando a comunidade;
3. Apuramento de responsabilidades
Identificação clara:
• Do autor do projeto;
• Dos responsáveis técnicos;
• De quem autorizou ou permitiu a eventual destruição;
4. Esclarecimento técnico e cultural
Que seja tornado público:
• Quem avaliou o valor patrimonial dos azulejos;
• Com base em que critérios foram considerados descartáveis (se foi o caso);
5. Respeito pela identidade local
Que cessem imediatamente decisões que atentem contra a memória coletiva da população.
Mem Martins é terra de gente humilde, sim — saloia com orgulho — mas também é terra de gente que construiu, com esforço, trabalho e dignidade, o seu próprio património.
Declaração final
A população de Algueirão-Mem Martins não aceita:
• A destruição do seu património;
• O apagamento da sua história;
• Nem decisões feitas sem respeito, sem transparência e sem explicações;
O que foi construído por um povo…
não pode ser apagado por decisão de poucos.