IA, Soberania Digital e Valorização da Energia Renovável
Para: Esta petição dirige-se ao Governo de Portugal (Ministérios da Energia, Economia e Ciência), à Assembleia da República (comissões de energia, economia e tecnologia), às agências reguladoras (ERSE, DGEG), ao LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia CivilLNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a instituições europeias de financiamento, solicitando a avaliação e implementação de projetos que transformem energia renovável excedentária em capacidade computacional estratégica, promovendo soberania digital, eficiência energética e crescimento económico sustentável no país.
Pela Soberania Digital e Valorização da Energia Renovável em Portugal
Transformar desperdício energético em liderança tecnológica
Num momento em que o mundo entra numa nova era dominada pela inteligência artificial, computação intensiva e controlo de infraestruturas digitais, o nosso país continua a desperdiçar um dos seus ativos mais valiosos: energia renovável excedentária.
Em 2024, Portugal registou centenas de horas em que a eletricidade teve preço nulo ou negativo. Isto significa, na prática, que energia limpa foi produzida e descartada, sem qualquer benefício económico ou estratégico para o país.
Ao mesmo tempo, a procura global por capacidade computacional — especialmente para inteligência artificial — cresce de forma explosiva, com valor económico dezenas de vezes superior ao da eletricidade.
Esta petição propõe uma mudança de paradigma simples, mas transformadora:
Em vez de exportar eletricidade barata, devemos transformar energia em inteligência.
O Problema
Portugal produz energia renovável em excesso em múltiplos períodos do ano. Parte significativa dessa energia é desperdiçada (curtailment).
O sistema elétrico não tem flexibilidade suficiente para absorver esse excedente. A infraestrutura tradicional (linhas, armazenamento) é cara, lenta e insuficiente.
Consequência direta:
Perda anual de centenas de milhões de euros
Ineficiência estrutural do sistema energético
Oportunidade desperdiçada na transição digital
A Oportunidade
A economia global está a mudar rapidamente:
A inteligência artificial tornou-se infraestrutura crítica
Centros de dados são o novo “petróleo digital”
Países competem por capacidade computacional estratégica
Hoje, o valor de 1 MWh de eletricidade:
vendido no mercado = ~40–60€
convertido em computação = mais de 1.000€
Ou seja:
Portugal está a desperdiçar um recurso que pode valer até 25 vezes mais.
A Proposta
Propõe-se a implementação em Portugal de um novo modelo:
Centros de computação junto a barragens e fontes renováveis
Estes centros:
Utilizam energia excedentária (custo quase zero)
Adaptam o consumo em tempo real ao preço da eletricidade
Transformam energia em serviços digitais de alto valor (IA, cloud, HPC)
Usam infraestruturas já existentes (barragens, rede elétrica, fibra)
Resultado:
Zero desperdício energético
Criação de valor económico massivo
Nova indústria nacional
Soberania Digital
Este é o ponto mais crítico.
Hoje, a Europa — e Portugal — dependem fortemente de:
Infraestruturas de computação externas
Grandes empresas tecnológicas estrangeiras
Cadeias de valor fora do seu controlo
Sem capacidade computacional própria, não há:
Autonomia tecnológica
Independência estratégica
Segurança digital
Ao desenvolver uma rede nacional de computação baseada em energia renovável, Portugal pode:
Produzir capacidade de IA dentro do seu território
Atrair investimento tecnológico de ponta
Reduzir dependência externa
Posicionar-se como hub europeu de computação sustentável
Energia + Dados = Soberania no século XXI
Impacto Económico e Social
Económico
Milhares de milhões de euros em nova atividade
Retorno rápido sobre investimento
Atração de capital internacional
Energético
Absorção do excedente renovável
Maior estabilidade da rede elétrica
Redução de desperdício estrutural
Ambiental
Redução de emissões de carbono
Uso eficiente de energia limpa
Integração com soluções como solar flutuante
Social
Criação de empregos qualificados
Fixação de talento tecnológico
Desenvolvimento regional (interior do país)
Fundamentação
Esta proposta não é teórica. Baseia-se em análise técnica, económica e operacional detalhada, incluindo dados reais do mercado elétrico ibérico, simulações e validação empírica.
Os fundamentos completos encontram-se no estudo:
“RAIDE Atom: Economic Viability of a Price-Responsive Hydroelectric Edge-Computing Node for Renewable Curtailment Mitigation” (2026)
Link: https://zenodo.org/records/19171787
Este documento demonstra a viabilidade do modelo e quantifica o seu impacto, servindo como base técnica para esta petição.
Urgência Estratégica
Outros países já estão a agir:
Estados Unidos investem massivamente em IA
China desenvolve infraestruturas energia-computação integradas
Europa financia novas “AI Gigafactories”
Portugal tem uma vantagem única:
Energia renovável abundante
Infraestruturas hidroelétricas existentes
Localização estratégica
Mas esta vantagem não é permanente.
Cada ano de inação representa:
Perda de valor económico
Perda de competitividade
Perda de soberania
Nota explicativa sobre desperdício energético e valor financeiro
O desperdício de energia hidroelétrica em Portugal é medido através das chamadas “observações horárias” do mercado OMIE, que registram hora a hora a produção, consumo e preço da eletricidade em todo o país. Em 2024, foram analisadas 8.759 horas, praticamente um ano completo, permitindo identificar 774 horas em que a energia gerada pelas barragens foi produzida mas não utilizada, resultando em curtailment. Esse excesso de energia é um recurso limpo que, se não aproveitado localmente ou exportado no momento adequado, representa perda económica direta e desperdício estratégico. O modelo RAIDE Atom quantifica o valor económico de transformar essa energia excedentária em capacidade computacional. O multiplicador financeiro (F = 26,6×) indica que cada unidade de eletricidade aproveitada neste modelo gera aproximadamente 26 vezes mais valor em serviços digitais de alto valor (computação para inteligência artificial, cloud e HPC) do que se vendida no mercado tradicional. O retorno do investimento (ROI) ou payback de menos de 1,6 anos significa que o custo de implementação dos nós de computação é recuperado rapidamente, mesmo sob cenários conservadores, comprovando a viabilidade económica e estratégica da proposta.
A Petição
Os signatários desta petição solicitam:
A avaliação urgente desta abordagem como estratégia nacional
O lançamento de projetos-piloto em infraestruturas hidroelétricas
A criação de um enquadramento regulatório favorável
A mobilização de fundos europeus para implementação
A integração desta visão nas políticas de energia e digitalização
|
Assinaram a petição
1
Pessoas
O seu apoio é muito importante. Apoie esta causa. Assine a Petição.
|