Petição Pública pela Revisão do Projeto Artilharia Um em Campolide – Por um Urbanismo Integrado
Para: Assembleia Municipal de Lisboa
Nós, cidadãos abaixo-assinados, residentes, trabalhadores e utentes da zona das Amoreiras, Alto do Parque e Campolide, vimos por este meio manifestar a nossa profunda oposição à atual proposta de alteração do loteamento do terreno da Artilharia Um (Antigo Quartel) que se encontra em discussão pública.
Não nos opomos à construção nem à reabilitação da cidade. Contudo, opomo-nos frontalmente ao excesso desta proposta face ao plano já aprovado em 2016, que altera radicalmente a paisagem, a escala urbana, o espaço verde e a mobilidade da nossa zona.
A atual proposta prevê a construção de um "megaquarteirão" com linhas contínuas de torres entre os 9 e os 12 andares (atingindo os 45 metros de altura), criando uma autêntica muralha de cimento que empareda a Avenida Conselheiro Fernando de Sousa, a Rua Artilharia Um e a Rua Marquês de Fronteira. Além disso, o projeto prevê a redução drástica de lugares de estacionamento, a entrega de um espaço verde 30% abaixo do mínimo legal exigido pelo PDM e o abate de dezenas de árvores adultas (com parecer desfavorável da própria Direção de Ambiente da CML).
Por considerarmos que este projeto, nos moldes em que está desenhado, rompe de forma desastrosa com a malha urbana existente e afeta gravemente a qualidade de vida local, exigimos a revisão imediata do projeto, com as seguintes alterações fundamentais:
Redução do Número de Pisos e Volumetria: Exigimos a redução drástica da altura dos edifícios propostos. A altura média dos edifícios na Rua Artilharia Um é de 24 metros, mas o projeto prevê blocos de 31 a 33 metros (e noutras frentes até 45 metros). É imperativo travar o efeito "muralha", reduzindo o número de andares para que o projeto se integre de forma harmoniosa com a malha urbana que caracteriza os bairros vizinhos.
Maior Abertura do Jardim para a Praça de Campolide: O "jardim público" prometido não pode ficar enclausurado e integralmente rodeado por torres, ladeado por terrenos privados de condomínios. Exigimos que o quarteirão seja rasgado, garantindo uma frente aberta e ampla que ligue diretamente o jardim à Praça de Campolide, transformando-o num espaço verdadeiramente público, convidativo e integrado na cidade.
Melhoria das Acessibilidades e Permeabilidade: O plano aprovado em 2016 previa blocos separados com atravessamentos pedonais e continuidade visual. Exigimos o regresso a esse modelo. O projeto tem de garantir vias pedonais acessíveis a todos, não bloqueando a circulação natural das pessoas, e deve apresentar um Estudo de Tráfego rigoroso e atualizado que acautele o impacto na já congestionada rede viária local.
O espaço urbano pertence a quem nele vive. Apelamos à Câmara Municipal de Lisboa que oiça a voz dos cidadãos e dos seus próprios serviços técnicos, chumbando esta proposta desmesurada em favor de um projeto equilibrado, sustentável e que respeite Lisboa.