“Obesidade grave: reconhecimento como doença e acesso a tratamento em Portugal”
Para: Assembleia da República / Comissão de Saúde
Há pessoas que querem desesperadamente mudar a sua vida, mas vivem presas num corpo que já não lhes permite fazê-lo.
A obesidade grave é uma doença crónica, progressiva e potencialmente fatal, mas continua a ser tratada como se fosse apenas uma questão de força de vontade.
A realidade é outra.
É uma bola de neve.
É querer mudar, querer fazer diferente, querer sair desta realidade… mas sentir que o próprio corpo já não acompanha.
É querer brincar com os filhos e já não conseguir.
É ir ao supermercado e sentir que é mais difícil do que correr uma maratona.
A força de vontade está lá — mas o corpo já não responde.
Quem vive esta realidade sente-se, muitas vezes, aprisionado dentro de um corpo do qual não consegue sair. Não vive — sobrevive.
E, muitas vezes, quem está de fora não entende.
Achamos que é falta de vontade… até acontecer dentro da nossa própria família.
Até vermos alguém que amamos lutar todos os dias e percebermos que não é uma escolha — é uma doença.
E enquanto luta, enfrenta ainda o peso do julgamento, da incompreensão e da falta de apoio.
Mas não é falta de esforço. Nunca foi.
A obesidade é uma doença complexa que exige tratamento médico, acompanhamento contínuo e acesso a soluções eficazes.
Hoje, existem tratamentos que podem ajudar — que podem salvar vidas, devolver qualidade de vida, dar uma nova oportunidade.
Mas esses tratamentos continuam fora do alcance de muitos, por não serem comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde.
E quando o acesso ao tratamento depende da condição financeira, estamos a falhar como sociedade.
É urgente mudar.
Por isso, solicitamos ao Governo de Portugal e às entidades de saúde que:
•Reconheçam de forma efetiva a obesidade grave como uma doença crónica, tratada com a seriedade e urgência que merece;
•Assegurem o acesso gratuito ou comparticipado a tratamentos e medicação eficazes, para que ninguém fique sem ajuda por não poder pagar;
•Combatam o estigma, promovendo informação e educação, para que a obesidade deixe de ser vista como uma escolha e passe a ser tratada como a doença que é.
Esta não é apenas uma questão de saúde.
É uma questão de dignidade. De justiça. De vidas humanas.
Cada assinatura pode fazer a diferença.
Ajude-nos a dar voz a quem luta todos os dias — muitas vezes em silêncio.