Por uma escola mais inclusiva: repensar as atividades do Dia do Pai e da Mãe
Para: Ministério da Educação, Direções de Agrupamentos Escolares, Professores e Comunidade Educativa, ATL, Cresces e IPSS
Todos os anos, milhares de crianças em escolas portuguesas são convidadas a celebrar o Dia do Pai, o Dia da Mãe, o Dia dos Avós através de trabalhos e prendas. À primeira vista, trata-se de uma tradição afetuosa. Na realidade, para muitas crianças, é um momento de dor silenciosa.
Há crianças que perderam um dos pais. Outras que não têm contacto. Outras ainda que vivem em realidades familiares diferentes. Para estas crianças, estas atividades não são neutras — são um lembrete da ausência, da perda ou da diferença.
Em alguns casos, o impacto vai mais longe: há crianças que sentem necessidade de esconder a sua realidade, de inventar histórias, de criar uma versão da sua vida que não existe, apenas para se sentirem iguais aos colegas. Isto não é inclusão. Isto é sofrimento invisível.
A escola deve ser um espaço seguro, onde cada criança é respeitada tal como é — e não um lugar onde se sente pressionada a encaixar num modelo familiar único.
Não está em causa o valor dos afetos, nem a importância das figuras parentais. Está em causa a forma como a escola aborda estas datas, sem ter em conta a diversidade real das famílias e o impacto emocional nos alunos.
Assim, defendemos:
• O fim de atividades escolares obrigatórias centradas exclusivamente no “Dia do Pai”, “Dia da Mãe”, “Dia dos Avós”…
• A adoção de abordagens inclusivas, como o “Dia da Família” ou o “Dia de quem cuida de mim”
• A garantia de que nenhuma criança é exposta, constrangida ou emocionalmente afetada por este tipo de iniciativas
• A promoção de práticas educativas que respeitem todas as realidades familiares
Uma escola inclusiva não ignora estas diferenças — acolhe-as.
Porque nenhuma criança deve sentir que precisa de mentir sobre a sua vida para pertencer.
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