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HDES, Hospital Central e Universitário dos Açores

Para: Exmo. Senhor Presidente do Governo dos Açores; Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Legislativa dos Açores; Exmo. Senhores Deputados Regionais

Carta aberta aos Açorianos

HDES, Hospital Central e Universitário dos Açores

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) deve assumir-se como uma unidade de referência regional, não se limitando — tal como não o fez no passado, nem o poderá permitir no futuro — ao papel de um hospital de ilha.

Localizado em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel — onde reside cerca de 56% da população dos Açores e onde se concentra o maior fluxo turístico da Região — é a partir da estrutura e dos serviços do HDES que deve ser garantida uma resposta adequada, diferenciada e abrangente em cuidados de saúde aos Açorianos.

O HDES sempre assumiu, na prática, o papel de hospital central dos Açores. Recebe cidadãos das nove ilhas e, ao longo dos anos, assegurou cobertura nas diferentes especialidades médicas, constituindo-se como a principal referência hospitalar da Região.

Pelo que, a afirmação do Presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, a 9 de fevereiro de 2026 — ao defender “tirar partido da capacidade já instalada, resultante da estrutura modular implementada após o incêndio de maio de 2024, enquadrando-a numa resposta hospitalar mais robusta e ajustada às necessidades da ilha” — é profundamente preocupante, uma alteração ao anunciado em 2024 e um recuo na qualidade dos cuidados de saúde prestados aos Açorianos.

Se se pretende que o HDES responda às necessidades da ilha de São Miguel, naturalmente o HSEIT (Terceira) e o Hospital da Horta, ficarão igualmente reduzidos às necessidades das respetivas ilhas onde estão instalados.

Que hospital terá capacidade para responder às necessidades dos Açorianos?
Confinar o HDES a uma lógica de hospital de ilha representa um retrocesso para a saúde dos Açorianos, com sérias implicações funcionais, estratégicas e financeiras.

Nos últimos anos — e, em particular, após o incêndio de 4 de maio de 2024 — tem faltado uma estratégia firme para o futuro do HDES. Anunciou-se inicialmente a construção de um hospital modular provisório, com um prazo de execução de três meses e com um custo estimado de 12 milhões de euros. Hoje, temos uma estrutura modular assumida como solução definitiva, que demorou nove meses a ser concluída e ultrapassou os 30 milhões de euros.

A promessa política do Primeiro-Ministro, em 18 de junho de 2025, de construção de um hospital universitário em Ponta Delgada, não foi devidamente aproveitada pelo Governo dos Açores como oportunidade estratégica para afirmar o HDES como hospital central e universitário da Região.
A ambição da Universidade dos Açores de criar um Centro Académico Clínico no polo de Ponta Delgada continua sem resposta política clara e, o HDES como “hospital de ilha”, pode colocar em causa a continuidade dos preparatórios do curso de medicina.

Exige-se coragem política — livre de interesses partidários ou pressões conjunturais — colocando os Açorianos e a sua saúde em primeiro lugar.

Pede-se ao Governo dos Açores que apresente aos Açorianos, no ano de 2026, um modelo funcional e respetivo investimento em parceria com o Governo da República, para afirmar o HDES como Hospital Central e Universitário dos Açores.

Ponta Delgada, 2 de março de 2026

Subscritores

Adriana Araújo
Ana Mota Vieira
Ana Maria Resendes
Antonio Maciel Andrade
António Correia da Cruz
Aquilino Vale
Beatriz Goyanes Machado
Carlos Resendes
Carlos Arruda
Carlos Augusto César
Carlos Afonso
Carlos Teves
Carmen Raposo
Carolina Cordeiro
Carolina Medeiros
Carolina Raposo
Catarina Raposo Amaral
Clarice Jácome
Claúdia Borges
Cláudia Moniz
Conceição Medeiros
Cristina Freire
Daniel Câmara
Derrick Mendes
Diana Linhares
Dinis Cardoso
Duarte Amorim da Cunha
Eduardo Santos
Élia Borges
Elsa Martins
Elsa Roseiro
Estevão Soares
Fernanda Alves
Fernanda Teixeira
Fernando Tavares de Melo
Flávio Vieira
Gilda Carreiro
Goreti de Medeiros
Hélia Madruga
João Cordeiro
João Âmbar Freitas
João Tavares
João Mota Vieira
João Pacheco de Melo
João Carreiro Almeida
João Ribeira
José de Medeiros Silva
Laura Carreiro
Leonor Borges
Luis de Vasconcelos Franco
Luís Costa
Luísa Mota Vieira
Luna Ribeiro
Manuel Borges
Manuel Bettencourt Machado
Marco Figueiredo
Marco Mendonça
Marco Soares
Maria Antónia Rodrigues
Maria Lemos de Menezes
Maria Gonçalves
Maria Rego Costa
Maria Francisca Viela
Maria Araújo
Maria Teixeira
Marília Santos
Maria Bettencourt
Micaela Pacheco
Miguel Martins
Mónica Franco
Norberto Moniz
Nuno Requeixa
Paula Reis
Paula Vieira Cabral
Paulo Bermonte
Paulo Mestre
Paulo Oliveira
Paulo Pacheco
Paulo Mendes
Pedro Alvernaz
Pedro Subica da Silveira
Pedro Alves dos Santos
Renato Soares
Rodrigo Furtado
Rodrigo Ourique
Rosa Carreiro
Samuel Moniz de Resendes
Sandra Aguiar
Silvina Marques
Sónia Simas
Sónia Nicolau
Susana Benevides
Teófilo Soares de Braga
Teresa Soares
Tomaz Mota Vieira
Wagner Cilento Junior




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Esta petição foi criada em 03 março 2026
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