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Pela Defesa do Mercado do Bolhão como Património Cultural, Comercial e Símbolo da Cidade do Porto

Para: Ex.ma Senhora Ministra da Cultura, Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal do Porto, Ex.ma Senhora Presidente da Assembleia Municipal do Porto,

Ex.ma Senhora Ministra da Cultura,
Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal do Porto,
Ex.ma Senhora Presidente da Assembleia Municipal do Porto,

O Mercado do Bolhão está classificado pela autarquia como Imóvel de Interesse Patrimonial, pelos seus valores arquitetónico, artístico, histórico, simbólico, cultural e social.

O Mercado do Bolhão está classificado como Património de Interesse Público, Portaria n.º 613/2013, abrangendo o edifício histórico como a actividade do mercado, sendo um dos espaços coletivos mais emblemáticos da cidade e um importante fator identitário do Porto e, como tal, deverá ser preservado.

Nós, cidadãos, alicerces da democracia da República Portuguesa:

• Queremos de volta um mercado com vida, história e memória;

• Queremos ouvir pregões, burburinhos e conversas de vizinhos;

• Queremos um mercado vivo e colorido, com os sons do povo, cheiros da terra, frescura do mar e fruta por descascar;

• Queremos ouvir histórias e aprender com os mais velhos a cantar, a viver, a trabalhar;

• Queremos comprar broa e enchidos, queijo e azeitonas, peixe e hortaliças, manteiga, especiarias e flores a quem os conhece pelo nome e sabe a melhor maneira de os utilizar;

• Queremos ser recebidos com a doçura de quem nos conhece e que, carinhosamente, nos chama de freguês, menina, querido ou amor ...

• Queremos o último Mercado da cidade, o Mercado do Bolhão, ao serviço dos cidadãos, genuíno e livre como sempre foi o nosso amado Porto!


Os cidadãos não são figurantes.

Pretendemos fazer parte de todas as decisões estruturantes que incidam sobre o património que é o Mercado do Bolhão.

Após a renovação e reabertura do Mercado do Bolhão, assistimos à sua descaracterização, à transformação forçada da sua essência e do seu uso obrigatório.

Vimos o Bolhão, um mercado tradicional de produtos frescos, a ser transformado numa vulgar praça de alimentação de um centro comercial ou similar, bem como num recinto de eventos promotor do consumo de álcool, que, maioritariamente, colidem com a função do mercado e que em nada representam a identidade do Mercado do Bolhão, do Porto ou de Portugal.

O Mercado do Bolhão é um símbolo do Porto e, como tal, não aceitamos o apagar deste marco da nossa memória coletiva em prol da sua utilização para fins que descaracterizam a identidade cultural, social e comercial do Mercado do Bolhão e da cidade do Porto.

A cidade do Porto e, principalmente, o seu centro, precisam do Mercado do Bolhão para se manterem vivos.


Antecipando a extinção de todas as características que conferem ao Mercado do Bolhão uma identidade tão particular, pretendemos que o Mercado do Bolhão seja uma referência de qualidade e memória, que acolha tanto o residente como o turismo, assim:

1. O Mercado do Bolhão, como património, deverá ser o pilar para preservação da memória, da identidade e da cultura social e comercial da cidade do Porto através do tempo e deverão ser tomadas medidas práticas nesse sentido. Como tal, propomos a gestão pública direta pelo Município do Porto como acontece com o Teatro Rivoli e o Cinema Batalha, em contraponto, a uma entidade gestora de direito privado;

2. O Mercado do Bolhão deverá ser gerido com a participação dos cidadãos e das associações constituídas com objetivo de proteção, valorização e divulgação do comércio e cultura portuense, com ênfase no Mercado do Bolhão. Assim, propomos a constituição do Conselho Municipal do Comércio Tradicional do Porto, abrangendo não só o Mercado do Bolhão, mas todo o comércio tradicional portuense;

3. O Mercado do Bolhão deverá voltar à sua génese de mercado tradicional, isto é, comércio a retalho, prioritariamente de produtos frescos, em quantidade e diversidade, privilegiando a produção local. Dessa forma, as bancas do terrado devem cumprir a sua função de comércio a retalho de produtos alimentares, fazendo-se cumprir o Decreto-Lei n.º 10/2015, de 16 de janeiro e o Regulamento do Mercado do Bolhão, parte integrante do Código Regulamentar do Município do Porto, nomeadamente, os artigos 31.º, 33º, 48º, 49.º e 53º que, actualmente, a entidade gestora mantém em incumprimento e são os fatores de destruição do Mercado do Bolhão;

4. O Mercado do Bolhão deverá criar condições para acolher as atividades comerciais tradicionais em condições de mercado não especulativas;

5. O Mercado do Bolhão deverá ser o local privilegiado para promover as tradições ou expressões vivas herdadas dos nossos antepassados e transmiti-las aos nossos descendentes;

6. O Mercado do Bolhão deverá voltar a ser um local de convívio saudável e multicultural e ponto de encontro com as nossas raízes, tradições e expressões orais;

7. O Mercado do Bolhão, na sua programação de eventos e atividades, deverá valorizar o património etnográfico português, práticas sociais, rituais, datas festivas e artesanato tradicionais portugueses;

8. O Mercado do Bolhão deverá garantir as condições de acessibilidade, circulação e segurança a quem nele trabalha e aos seus clientes do mercado de frescos e comércio tradicional.


De acordo com a Lei n.º 13/85, de 6 de julho:

- As populações deverão ser associadas às medidas de protecção e de conservação e solicitadas a colaborar na dignificação, defesa e fruição do património cultural;

- O património cultural português é constituído por todos os bens materiais e imateriais que, pelo seu reconhecido valor próprio, devam ser considerados como de interesse relevante para a permanência e identidade da cultura portuguesa através do tempo;

- É direito e dever de todos os cidadãos preservar, defender e valorizar o património cultural;
- Constitui obrigação do Estado e demais entidades públicas promover a salvaguarda e valorização do património cultural do povo português;

- Constitui obrigação do Estado e demais entidades públicas promover a salvaguarda e valorização do património cultural do povo português;

- O levantamento, estudo, protecção, valorização e divulgação do património cultural incumbem também, às associações para o efeito constituídas e aos cidadãos.


Solicitamos, como cidadãos, o acolhimento das nossas pretensões, ao abrigo do nosso direito e dever de preservar, defender e valorizar o Mercado do Bolhão.

Porto, 20 de Fevereiro de 2026




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Esta petição foi criada em 20 fevereiro 2026
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