Trabalhar com deficiência não pode significar perder direitos
Para: Assembleia da República, Governo da República Portuguesa, Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social,
Em Portugal, o atual regime da Prestação Social para a Inclusão (PSI) mistura duas realidades distintas:
1.A deficiência permanente, que gera desvantagem estrutural independentemente de a pessoa trabalhar;
2.A incapacidade absoluta para exercer atividade profissional.
Esta confusão normativa cria uma situação injusta: quem trabalha apesar da deficiência pode ver negado o apoio base, como se o exercício de atividade profissional eliminasse a limitação reconhecida pelo próprio Estado.
A deficiência não desaparece por existir vínculo laboral.
Trabalhar com deficiência implica:
•maior esforço físico e psicológico,
•desgaste acrescido,
•custos permanentes,
•risco de exclusão laboral.
O sistema atual transmite uma mensagem social errada: ou a pessoa não trabalha para manter direitos, ou trabalha e perde o reconhecimento da sua condição estrutural.
Solicitamos, assim, que seja promovida revisão legislativa que:
•Garanta um apoio base universal associado à deficiência, independentemente do exercício de atividade profissional;
•Mantenha um complemento reforçado para quem esteja impossibilitado de trabalhar;
•Elimine qualquer efeito penalizador sobre quem exerce atividade profissional.
Não se trata de pedir privilégios. Trata-se de coerência jurídica, igualdade e dignidade.
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